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A Semana na Imprensa

A Semana na Imprensa

Written by: RFI Brasil
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Uma leitura dos assuntos que mais interessaram as revistas semanais da França. Os destaques da atualidade do ponto de vista das principais publicações do país.

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  • Apesar de ameaças de Trump, saída dos Estados Unidos da Otan é improvável
    Jul 4 2026

    Às vésperas da próxima cúpula da Otan, sediada em Ancara, na Turquia, os países europeus se preparam para voltarem a ser cobrados pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre os seus gastos com Defesa. A ameaça do líder republicano de retirar o seu país da aliança militar atlântica, repetida diversas vezes, tende a não se concretizar, agora que a maioria dos países do bloco acelerou as despesas com a pasta.

    Em 2025, os valores subiram 20% segundo dados da própria Otan, e todos já atingiu a meta mínima de 2% do PIB destinados à defesa. Entre os europeus, também avança a reflexão sobre como o bloco pode reforçar a sua própria proteção e quebrar a dependência do “padrinho americano”, desde o aumento das tensões entre os aliados.

    Na cúpula prevista para os dias 7 e 8 de julho, “ninguém tem dúvida sobre quem fará o papel de líder: Donald Trump perguntará a cada um dos 31 outros membros da aliança quanto eles subiram os seus orçamentos militares, e vai lhes classificar conforme esse critério simples”, antecipa a revista francesa L’Express, na edição desta semana. “Os Estados Unidos provavelmente não deixarão a Otan porque a postura de padrinho incontestável da família, ao qual cada membro deve demonstrar fidelidade, lhe convém”, salienta a publicação.

    Além disso, um recente reestruturação do comando integrado da organização colocou nas mãos do Pentágono americano a chefia do Exército, da Marinha e da Aeronáutica da aliança, lembra L’Express. Washington não tem interesse em deixar nas mãos dos próprios europeus as forças aliadas no continente, no qual está engajado desde os anos 1950. Esse controle é fundamental para o monitoramento das bombas atômicas na Europa, pilares do guarda-chuva nuclear americano.

    Redução da participação americana

    O governo do presidente informou aos aliados, em maio, sobre sua decisão de reduzir a presença militar na Europa. No fim de junho, o secretário-geral da organização, Mark Rutte, foi aos Estados Unidos explicar a Trump, de forma didática, o quanto o presidente conseguiu acelerar a guinada dos gastos europeus com proteção e capacidade de ataque.

    É esperado que a Otan anuncie, durante a reunião anual em Ancara, que os europeus supriram quase todas as lacunas deixadas por Wasington nos planos de defesa coletiva, embora ainda não tenha sido possível compensar a retirada de um bombardeiro estratégico disponibilizado pelos americanos. Na última cúpula da aliança atlântica, marcada pela forte pressão de Trump, os países da Otan concordaram em destinar pelo menos 5% de seu Produto Interno Bruto (PIB) a gastos com segurança até 2035.

    Espanha "decepcionou"

    "Alguns aliados estão fazendo mais do que outros, e temos países como a Polônia, as nações escandinavas, os Estados bálticos e a Alemanha liderando o grupo", afirmou o embaixador americano na Otan, Matt Whittaker, em uma coletiva de imprensa. "Mas há alguns que estão ficando para trás, seja porque não estão gastando o suficiente ou porque não estão em uma trajetória confiável para cumprir os compromissos assumidos em Haia", acrescentou ele, sem citar países específicos.

    A Espanha é um dos países europeus que "decepcionaram" o presidente dos Estados Unidos ao se recusarem a atingir a marca de 5%. Já na cúpula de Haia, Madri sustentava que alcançar esse percentual não era necessário para cumprir os requisitos de capacidade de defesa da Otan.

    RFI com Reuters e AFP

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  • França: magnatas da mídia de extrema direita e esquerda antecipam duelo das eleições presidenciais
    Jul 11 2026

    O confronto que se anuncia nas eleições presidenciais francesas de 2027, entre os prováveis candidatos de extrema direita, Marine Le Pen, e de esquerda radical, Jean-Luc Mélenchon, tem como pano de fundo o duelo entre os dois magnatas da mídia.

    Nos últimos anos, o bilionário francês Vincent Bolloré construiu um império que reúne emissoras de rádio e TV como Europe1, Canal+ e Cnews. Do outro lado, a esquerda conta com o apoio explícito de outro rico empresário, Matthieu Pigasse, conhecido como o “banqueiro de esquerda”, aponta a revista L’Express desta semana.

    Nos veículos de Bolloré, interferências editoriais nos veículos, cada vez mais à direita, aconteceram aos poucos e se consolidaram. Lideranças ultraconservadoras encontram palco para se expressar livremente. Já Pigasse tem um longo histórico de investimentos na mídia progressista, como os jornais Libération e Le Monde, além de uma série de sites e revistas independentes, como Les Inrocks.

    O apoio ao Partido Socialista também é antigo, mas desde que o PS perdeu influência em meio à ascensão de outras correntes da esquerda, inclusive o partido França Insubmissa (LFI), o empresário tem impulsionado também os veículos simpatizantes à sigla de Mélenchon. O carro-chefe do “combate à extrema direita” de Pigasse, como ele próprio definiu, é a Radio Nova, cuja audiência dobrou de 2025 para 2026.

    “Os programas assumiram uma virada militante”, uma “escolha deliberada de Pigasse em sua batalha cultural” contra o império de Vincent Bolloré, salienta L’express.

    Influência no regime bolivariano da Venezuela

    Uma amostra do seu engajamento político ocorreu no início do ano, quando seu banco Centerview Partners conseguiu vencer o contrato de renegociação da dívida da Venezuela, mostra reportagem de capa da Le Point esta semana.

    Diante do risco de vitória do Reunião Nacional nas eleições previstas para abril e maio, o próprio Matthieu Pigasse “não descarta” até se candidatar – o que muitos consideram como uma “jogada oportunista para se promover”, observa a publicação.

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  • Peça de Christiane Jatahy e Wagner Moura conquista a crítica francesa no Festival de Avignon
    Jul 18 2026

    A peça “Um Julgamento – depois de O Inimigo do Povo”, da diretora brasileira Christiane Jatahy em parceria com o ator Wagner Moura e o dramaturgo Lucas Paraizo, vem recebendo elogios da imprensa francesa após sua estreia no Festival de Avignon 2026, na França. Concebida como uma continuação contemporânea de “Um Inimigo do Povo”, clássico de Henrik Ibsen, a montagem foi saudada por revistas semanais pela atualidade de seus temas, a inovação cênica e a atuação de Moura.

    A revista cultural Télérama destacou a capacidade de Jatahy e Moura de imaginar uma sequência para a obra de Ibsen, que mantém viva a reflexão sobre os conflitos entre interesses econômicos, questões ambientais e o bem comum. Para a revista, o público é privilegiado de acompanhar o embate entre visões de mundo opostas representadas pelos irmãos Thomas e Peter Stockmann.

    Já a revista Le Nouvel Obs ressaltou o desempenho de Wagner Moura, descrevendo o ator como um convincente “denunciante”, figura central da trama. Na crítica, o veículo lembra que “Um Julgamento” retoma a história no ponto exato no qual Ibsen a encerrou, transferindo-a para a América do Sul contemporânea. Thomas Stockmann, agora brasileiro, enfrenta um tribunal popular após denunciar a contaminação das águas que garantem a economia de sua comunidade.

    Segundo a revista, a peça aborda temas de grande relevância atual, como corrupção, negacionismo, fake news, crise ambiental e o isolamento enfrentado por denunciantes que desafiam interesses econômicos poderosos. Embora faça algumas ressalvas ao ritmo de determinadas passagens do espetáculo, observando que "a encenação se mostra por vezes estranhamente monótona, e as falas, alternadas entre português, inglês e francês, podem se tornar cansativas", a crítica insiste que o trio de protagonistas sustenta o interesse do público. Le Nouvel Obs salienta ainda a interpretação “febril e combativa” de Wagner Moura.

    "Máquina teatral"

    Os elogios mais entusiasmados nesta primeira semana de apresentações vieram da revista Les Échos Week-End, que descreveu a peça como uma “formidável máquina teatral” e afirmou que o espetáculo “conquistou Avignon”. A publicação destacou como Christiane Jatahy transpõe a ação para o Brasil contemporâneo sem perder a força original do texto de Ibsen. "É teatro de alto nível, elevado pela presença magnética e intensa de Wagner Moura", avalia.

    Como a Nouvel Obs, Les Échos Week-End chama a atenção para a inserção de vídeos no palco, apontando que "a osmose teatro-cinema é perfeita". A publicação sublinha um dos elementos que considera mais originais da montagem: o julgamento acontece ao vivo e o veredito pode mudar a cada apresentação, já que 11 espectadores, escolhidos por sorteio, formam o júri responsável por decidir se Thomas Stockmann é ou não um “inimigo do povo”.

    Segundo a revista Les Échos Week-End, o aparato cênico ajuda a abordar tanto o fortalecimento das chamadas “verdades alternativas” e a manipulação dos regimes democráticos, quanto os desafios de comunicar e fazer aceitar verdades que incomodam. A revista lembra ainda que o espetáculo foi criado no Brasil e a experiência do governo Bolsonaro "certamente teve um impacto em sua concepção".

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