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Written by: RFI Brasil
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Reportagens de nossos correspondentes em várias partes do mundo sobre fatos políticos, sociais, econômicos, científicos ou culturais, ligados à realidade local ou às relações dos países com o Brasil.

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  • Brenda Liz, uma brasileira em um restaurante 3 estrelas Michelin em Hollywood
    Jul 18 2026
    Em uma discreta rua de West Hollywood, onde apenas 14 clientes por noite conseguem um lugar à mesa, uma brasileira está na cozinha de um dos restaurantes mais exclusivos do mundo. O Somni, comandado pelo chef catalão Aitor Zabala, conquistou três estrelas Michelin apenas sete meses após a inauguração – e todas de uma vez, um feito raríssimo e histórico na gastronomia mundial. Cleide Klock, correspondente da RFI em Los Angeles Entre os cozinheiros responsáveis por manter esse alto padrão, está a capixaba Brenda Liz Rocha Vieira, de apenas 30 anos. Sua história revela não apenas o caminho de uma brasileira até um dos endereços mais cobiçados da alta gastronomia, mas também como a profissão de chef ganhou uma nova dimensão nas últimas décadas. Há pouco mais de 20 anos, cursar Gastronomia ainda era visto no Brasil como uma escolha pouco convencional. Hoje, impulsionada por escolas especializadas, reality shows e pelo reconhecimento internacional da culinária brasileira, a profissão passou a atrair jovens que enxergam na cozinha uma carreira de excelência. "Eu acho que mudou, sim. Eu acho que tem um pouco mais de respeito pela profissão. Antes, era a segunda, terceira opção de carreira", diz a chef. A paixão pela cozinha, ou a vontade de comer bem, veio muito antes das estrelas Michelin entrarem no seu horizonte. "Eu sempre tive muita curiosidade na cozinha, desde pequena. Cresci com a minha avó, e ela é uma cozinheira muito boa. Eu mudei para a casa da minha mãe quando era adolescente e ela não cozinhava. Eu comecei a sentir muita falta da comida da minha avó e quis muito aprender a cozinhar." Brenda formou-se em Gastronomia em Vila Velha (ES) e começou a carreira em restaurantes brasileiros até seguir para o exterior, onde transformou cada país por onde passou em uma etapa de aprendizado. "Eu sempre busquei trabalhar em restaurantes que tenham alguma coisa que eu não sei e preciso aprender", conta. Essa busca a levou para o Canadá e também para Barcelona, onde trabalhou em restaurantes estrelados. Foi ali que começou a acompanhar o trabalho de Aitor Zabala, um dos nomes mais respeitados da gastronomia espanhola. Quando soube que o chef reabriria o Somni em Los Angeles, decidiu criar a própria oportunidade: comprou passagem e pediu para passar um dia trabalhando no local para conhecer a cozinha. Brenda insistiu por uma vaga e o que não imaginava era que o chef também enxergaria nela o perfil que procurava. Segundo Zabala, experiência e talento podem ser adquiridos ao longo da carreira, mas o que ele considera indispensável é outra característica: “atitude”, contou o badalado chef espanhol. Brenda mostrou que tem esse ingrediente e o chef trouxe a brasileira para o seu elenco. Disciplina por trás das três estrelas Ao contrário do glamour que muitos imaginam, trabalhar em um restaurante três estrelas Michelin significa viver uma rotina rígida de disciplina constante. Em Los Angeles – cidade cheia de estrelas do cinema –, há apenas dois restaurantes que ostentam o topo do guia francês, que leva em conta a qualidade dos ingredientes, o domínio das técnicas culinárias, harmonia e equilíbrio dos sabores, a personalidade do chef e a consistência ao longo do tempo. Para conseguir o feito, o caminho é árduo e para manter a constelação, é necessário rigor e precisão absoluta. "O que eu quero muito é treinar o que você tem que aprender como profissional para ter um restaurante desse nível. O que eu vejo todo dia é muita disciplina, foco e consistência. Todos os dias, nos mínimos detalhes, são milhares de detalhes. Aqui, tudo é feito todos os dias. Nada congelado. Nada cortado antes. Nada. Tudo chega todos os dias, tudo é feito todos os dias". Conseguir uma mesa no Somni não é fácil. O restaurante, que recebe clientes do mundo inteiro, possui apenas 14 lugares e as reservas costumam se esgotar rapidamente. A clientela é confidencial, mas já passaram pelo local Selena Gomez, Kanye West e Aaron Paul, astro de Breaking Bad. A cozinha mistura raízes espanholas e catalãs com ingredientes californianos e técnicas francesas, sempre em um menu altamente criativo. Para Brenda, trabalhar nesse nível também significa cozinhar para pessoas que conhecem profundamente gastronomia e que investem muito na experiência. O sonho continua sendo brasileiro Mesmo construindo uma carreira internacional entre Canadá, Espanha e Estados Unidos, Brenda nunca deixou de pensar na cozinha brasileira. Ela já levou inspirações nacionais para restaurantes onde trabalhou anteriormente, mas ainda não teve o gostinho de trazê-las para Hollywood. Embora nunca tenha visitado o Brasil, Aitor Zabala demonstra curiosidade pela culinária do país. Ele admite à RFI que conhece apenas os pratos mais tradicionais, mas acredita que ainda há muito a descobrir. O chef conta que já conversa com Brenda sobre futuras colaborações com sabores brasileiros...
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  • Brasileiro Rodrigo Torres realiza sua primeira exposição individual na Itália
    Jun 27 2026
    A galeria italiana Rhinoceros recebe em Roma a primeira exposição individual do artista brasileiro Rodrigo Torres na Itália. Intitulada "Água Mole em Pedra Dura", a mostra é fruto de uma parceria com a galeria brasileira A Gentil Carioca e permanece em cartaz até 13 de agosto. Gina Marques, correspondente da RFI em Roma A RFI encontrou o artista em Roma, na pré-estreia da exposição. “Eu apresento um conjunto de esculturas em cerâmica com essa técnica trompe-l'oeil de imitação de papelão, de papel rasgado, de pedra. Tudo que você vê aqui não é o que parece, e eu trago também muitas referências de Roma”, conta Rodrigo Torres. Inspirado nos monumentos da Cidade Eterna e na natureza do bairro da Tijuca, no Rio de Janeiro, onde nasceu e cresceu, o artista apresenta um novo ciclo de obras. Entre as peças, estão esculturas em cerâmica, além de uma série de desenhos e pinturas em papel, nunca antes exibidos publicamente. “Todas as obras são em cerâmica, em pintura, mas quando você olha parece que é um papelão ou um papel. Algumas peças parecem pedras, porque a cor se assemelha a cor da pedra, assim como a pintura sobre papel dá a impressão de estar rasgado, mas não está, que é uma colagem, mas não é”, diz Márcio Botner, um dos fundadores e sócio da galeria A Gentil Carioca. Convergências com a natureza Na Floresta da Tijuca, árvores centenárias tombam e encostas cedem sob a ação do vento e da água. Em Roma, Rodrigo Torres encontrou a situação inversa: rachaduras são reparadas, superfícies estabilizadas e estruturas reforçadas para adiar o colapso. Dessa observação surgiu uma série de esculturas com efeito de colagem, evocando a possibilidade iminente de uma ruptura. Da presença constante da água nas inúmeras fontanas de Roma nasce a obra Por um Fio de Água, uma fonte apoiada sobre pedras. A fonte em cerâmica criada pelo artista brasileiro dá a impressão que é feita de tubos de papelão pintados amarrados por barbantes. “Eu já trabalho há algum tempo fazendo fontes de água. Aqui, eu pensei nela como agente de erosão e como isso se combina com os materiais e toda a cultura de Roma”, esclarece Rodrigo Torres. A Cidade Eterna é fonte de inspiração e de descoberta de novos materiais, destaca Márcio Botner. “Em Roma, Rodrigo descobre ainda mais elementos, a força da questão histórica com a conexão da natureza. Aqui ele descobre um barro para fazer a cerâmica que é diferente do Brasil, que tem uma cor muito similar ao tufo, que é essa pedra vulcânica.” Projeto O projeto das galerias é expor a criação de artistas estrangeiros depois de residirem em Roma por um breve período. Em 2023 a Rhinoceros teve a ideia de colaborar com outras galerias internacionais que não têm uma sede em Roma. A colaboração com A Gentil Carioca começou em março deste ano, inaugurando a mostra “O Tempo Mora em Mim” de Miguel Afa, o primeiro artista brasileiro a expor individualmente nesta galeria romana. “Esse projeto com a Rhinoceros nasce do convite para realizar uma parceria. A ideia foi trazer dois artistas. O primeiro (Miguel Afa) residiu aqui na capital italiana por quase três meses, realizando suas obras em Roma”, conta o fundador da A Gentil Carioca. “Essa experiência do artista de poder se aprofundar na cidade de Roma traz trabalhos inéditos. Roma é uma cidade que a cada esquina você descobre um pouco, uma nova página da história, e isso os artistas trouxeram intensamente dentro de cada obra”, salienta Botner. A Rhinoceros Gallery “O artista vive em Roma e imprime sua própria alma, o próprio espírito, seu olhar sobre a beleza de Roma, e de alguma forma isso transparece nas obras em exposição. Portanto, é uma ponte de comunicação.” afirma Alessia Caruso Fendi, fundadora da galeria Rhinoceros, à RFI. Para ela, o projeto com o Brasil representa o dinamismo do espaço artístico. "É um momento importante para nós também.” A galeria já apresentou exposições de grande impacto, incluindo uma da Galeria François Ghebaly, seguida por uma exposição individual do designer francês Ronan Bouroullec e a exposição coletiva Profili e Gesti, com obras de outros designers importantes, ambas com curadoria da Galerie kreo. Mais recentemente, também acolheu a galeria parisiense Nathalie Obadia e a trilogia de exposições da Galeria Bigaignon. As galerias convidadas podem trazer a sua própria identidade e curadoria para o espaço ou desenvolver projetos concebidos para Roma, por vezes produzindo obras diretamente na cidade. Experiência em Roma Depois de morar quase três meses na Cidade Eterna, Rodrigo Torres descreve esta experiência nas suas criações: “Em Roma eu andei por aí, fiz vários desenhos, busquei referências em materiais como os mármores”, indica. “Esta é uma edição realmente especial para Roma, onde você vê aqui obras que provavelmente eu não vou produzir novamente, ...
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  • Copa do Mundo impulsiona estreia da LiveModeTV em Portugal com Cristiano Ronaldo como sócio
    Jun 21 2026
    A Copa do Mundo de 2026 está servindo de palco para a primeira expansão internacional da LiveModeTV. A empresa brasileira criada por executivos responsáveis pelo antigo Esporte Interativo e pelo sucesso da CazéTV no Brasil escolheu Portugal para lançar sua operação fora do país e, poucos dias após o início do Mundial, já acumula números históricos. O projeto ganhou ainda mais dimensão com a entrada de Cristiano Ronaldo como investidor e sócio estratégico. Luciana Quaresma, correspondente da RFI em Lisboa Nos primeiros dias da competição, a LiveModeTV alcançou mais de 1,26 milhão de dispositivos únicos nas transmissões realizadas pelo YouTube, o equivalente a cerca de 30,5% dos lares portugueses. A partida entre Brasil e Marrocos tornou-se, segundo dados da plataforma Playboard, a maior transmissão ao vivo da história do YouTube em Portugal, com mais de 302 mil dispositivos conectados em simultâneo. A emissão também entrou para o Top 10 das maiores lives do mundo naquele dia. Segundo dados da própria empresa, 71,4% da audiência está concentrada na faixa entre 18 e 44 anos, justamente o público que a LiveModeTV pretende aproximar do esporte por meio das plataformas digitais. Por trás do projeto estão executivos que acompanham a transformação do consumo esportivo há mais de uma década. Para Fábio Medeiros, Diretor de Conteúdos da LiveMode TV, a história começou ainda nos tempos do Esporte Interativo, quando o grupo iniciou as primeiras experiências com transmissões digitais. “Naquela época, as pessoas estranhavam. Depois, passaram a esperar. Foi ali que começamos a perceber que existia uma mudança de comportamento”, afirma. Segundo Medeiros, a empresa nunca teve a pretensão de alterar os hábitos do público. “A gente nunca nem se sentiu capaz de mudar o comportamento de ninguém. A gente entendeu que ele já estava mudando e que existia uma demanda por esse tipo de conteúdo no lugar onde as pessoas já estavam. O jovem já estava no YouTube. Então, se você leva o conteúdo para onde ele já está, você aumenta muito as possibilidades de sucesso.” Mais do que uma empresa de transmissões esportivas, a LiveModeTV foi construída em torno da ideia de comunidade. “A sensação de comunidade é diferente de simplesmente assistir. A pessoa sente que faz parte do projeto”, explica. Essa participação influencia diretamente o conteúdo das transmissões. “O chat muda o nosso roteiro. É como uma conversa entre amigos. Você pode até ter alguns assuntos preparados, mas alguém traz um tema novo e a conversa segue outro caminho.” Essa relação com a audiência vem desde os tempos do Esporte Interativo e foi sendo aperfeiçoada ao longo dos anos, destaca Medeiros. “A sensação de ser parte do projeto é diferente de apenas assistir a um projeto. Quando a pessoa sente que aquilo está sendo valorizado, ela tem mais prazer em participar.” Outro elemento central da estratégia é a escolha dos criadores de conteúdo. “O direito por si só gera uma conexão superficial. Você precisa das pessoas aqui no meio, que se conectam com o fã do outro lado.” A expansão para Portugal, segundo o executivo, exigiu a construção de uma equipe local. “Não adianta trazer um influenciador do Brasil com milhões de seguidores. A gente precisava de pessoas que já tivessem essa linguagem orgânica com o público português.” Por isso, a LiveModeTV apostou em criadores portugueses vindos do universo digital, além de narradores com forte ligação com o esporte. “A gente precisava de uma equipe que tivesse conhecimento, informação, mas também linguagem. Porque, senão, você perde a conexão com quem está do outro lado.” Portugal como primeiro capítulo da expansão internacional Depois do sucesso da CazéTV no Brasil, a internacionalização tornou-se um passo natural. “Portugal não é um teste. É o primeiro capítulo de um projeto internacional”, resume Medeiros. Nascido nos Açores e criado em Portugal até os 10 anos, antes de se mudar com a família para o Brasil, o executivo sempre manteve uma forte ligação com o país e admite que a chegada da LiveMode ao mercado português também representa a realização de um projeto pessoal. Para João Mesquita, diretor geral da LiveModeTV, as razões que explicaram o sucesso do modelo brasileiro não estavam restritas ao Brasil. “À medida que fomos desenvolvendo e entendendo as razões do sucesso do projeto no Brasil, percebemos que elas não eram exclusivas daquele mercado. O crescimento do consumo de vídeo no ambiente digital, a influência dos criadores de conteúdo, a importância das comunidades e da participação são tendências globais.” Segundo Mesquita, o desafio nunca foi reproduzir a experiência brasileira. “Não tentamos copiar o que foi feito no Brasil. Procuramos adaptar a mesma filosofia ao contexto português e ao comportamento da juventude em Portugal.” ...
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