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Written by: RFI Brasil
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Reportagens de nossos correspondentes em várias partes do mundo sobre fatos políticos, sociais, econômicos, científicos ou culturais, ligados à realidade local ou às relações dos países com o Brasil.

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  • Chef brasileiro lança livro de receitas que celebram os laços gastronômicos entre Brasil e Portugal
    Oct 18 2026
    O livro "Raízes", de Márcio Ricci, foi apresentado no Palácio Nacional de Queluz, nos arredores de Lisboa. A obra combina culinária, história e arte em uma viagem pelas tradições luso-brasileiras. Luciana Quaresma, de Lisboa, para a RFI O chef brasileiro Márcio Ricci lançou, na segunda-feira (12), no Palácio Nacional de Queluz, nos arredores de Lisboa, Raízes: O que nos liga à mesa. O livro traz 68 receitas que exploram as influências gastronômicas e culturais compartilhadas por Brasil e Portugal. O evento reuniu convidados brasileiros e portugueses, representantes diplomáticos, empresários e profissionais da culinária, em uma celebração marcada pela diversidade de sabores e tradições. A data acrescentou uma dimensão histórica ao lançamento. Foi no Palácio de Queluz que nasceu, em 12 de outubro de 1798, Dom Pedro I, primeiro imperador do Brasil e figura central do processo de Independência. Exatamente 228 anos depois, o mesmo cenário recebeu a apresentação de um projeto que resgata, por meio da gastronomia, parte da herança cultural construída dos dois lados do Atlântico. Natural de Miraselva, no Paraná, Ricci chegou a Portugal há 26 anos e desenvolveu uma carreira dedicada à aproximação entre as cozinhas brasileira e portuguesa. Ao longo da trajetória, cozinhou para personalidades internacionais, esteve à frente de projetos gastronômicos e ganhou espaço na televisão, primeiro com o programa Personal Chef e, mais recentemente, como protagonista do Desafio dos Chefs. Também foi responsável pela curadoria do festival Petrópolis Gourmet, no Brasil. 25 anos de carreira O livro celebra seus 25 anos de trajetória profissional, reunindo experiências, pesquisas e criações que refletem essa convivência entre diferentes tradições. “São 26 anos em Portugal e 25 dedicados a essa fusão, valorizando o que o Brasil tem de melhor, de suas raízes aos seus frutos. Depois de tantas experiências, criei as 68 receitas que deram origem ao livro”, contou à RFI. Para o chef, a culinária também permite compreender como os costumes alimentares evoluíram a partir do encontro entre os dois povos. “A família real levou o bacalhau para o Brasil, enquanto a mandioca ganhou espaço nessa troca de influências. É dessa combinação que surgem sabores tão especiais”, explicou. Construído no século XVIII e associado à monarquia portuguesa, o Palácio Nacional de Queluz foi o local de nascimento e morte de Dom Pedro I, conhecido em Portugal como Dom Pedro IV. A ligação histórica inspirou Ricci a pesquisar os hábitos alimentares da corte e recriar preparações que remetem à época. Uma delas combina ingredientes tradicionais brasileiros, como farinha de mandioca, carne de porco e torresmo, com vinho português da casta Malvasia. “Pesquisamos diversos livros sobre a culinária da família real no Brasil e descobrimos a presença frequente da farinha de mandioca, da carne de porco e do toucinho. Recriei um desses pratos acrescentando um toque de vinho português”, contou. Uma viagem pelos sabores do Brasil A diversidade da culinária brasileira foi um dos destaques da noite. Profissionais convidados apresentaram criações inspiradas nos 26 estados e no Distrito Federal, proporcionando uma viagem gastronômica por diferentes regiões do país. Entre os participantes estava a confeiteira Kelly Teixeira, mineira de Belo Horizonte e criadora da Delicier by Kelly, que recebeu um desafio especial: representar o Mato Grosso do Sul. A inspiração veio da gabiroba, fruta nativa do Cerrado, que ela decidiu homenagear em um brigadeiro preparado com aguardente de cana e goiabada. “Sou mineira, mas fui convidada a representar o Mato Grosso do Sul. Descobri a gabiroba, fruta símbolo do estado, e busquei reproduzir seu sabor combinando aguardente de cana com goiabada cascão”, explicou. Para Kelly, participar do lançamento representou uma oportunidade de apresentar sua criatividade a um público ligado à alta gastronomia. “Foi um marco na minha trajetória. Estar em um ambiente tão especial, apresentar uma criação própria e receber o reconhecimento de profissionais da gastronomia, abre novas perspectivas para o meu trabalho”, afirmou. A brasilidade também ganhou espaço nos coquetéis A experiência gastronômica se estendeu à coquetelaria. A premiada bartender brasileira Flavi Andrade com curadoria da Casa Cachaça, desenvolveu com sua equipe uma seleção de bebidas especialmente criadas para harmonizar com o cardápio. Cachaça, cupuaçu, caju, jambu e água de coco foram combinados com ingredientes portugueses, como vinho e licor de ginja, em receitas que procuravam traduzir a mesma aproximação cultural presente no livro. “Mais do que criar bebidas, pensamos em um conceito que traduzisse essa conexão luso-brasileira. Afinal, falar de raízes é também celebrar nossas origens e os ingredientes que fazem parte da identidade do Brasil”, ...
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    6 mins
  • Atriz brasileira é presa pelo ICE no aeroporto de Los Angeles e está detida há mais de um mês
    Oct 3 2026
    O que deveria ser uma viagem em família para comemorar o aniversário da mãe terminou em uma prisão que mudou completamente a vida da atriz brasileira Renata Alves Mietto, de 26 anos. Ela foi detida no aeroporto de Los Angeles no dia 27 de agosto, quando se preparava para embarcar para o Havaí. Cleide Klock, correspondente da RFI em Los Angeles Segundo Márcia Rilda Alves dos Reis, a filha passou normalmente pela segurança e pelo raio-X, entrou com o passaporte e, quando já estava no portão de embarque, foi abordada e presa por agentes do ICE que estavam à paisana. “Nós achávamos que, nessa questão de pegar voo, eles só estavam pegando quem tivesse algum tipo de crime. Mas a gente não sabia que eles estavam prendendo qualquer pessoa. Quando você passa na segurança, eles têm essa ligação direta com o ICE, essa impressão que a gente tem", contou Márcia. Renata chegou aos Estados Unidos em 2016, aos 16 anos. No país, ela concluiu o ensino médio e estudou Artes Cênicas na Utah Valley University. Há pouco mais de três anos, vive em Los Angeles, onde também construiu sua carreira profissional. Como atriz, participou de produções como The Cool Kids e, paralelamente, tornou-se proprietária de uma empresa de limpeza que hoje emprega mais de 20 pessoas. Segundo a mãe da jovem, Márcia, o grande sonho de Renata é ser atriz de cinema. A mãe explica que a filha perdeu o status de permanência nos Estados Unidos há cerca de dois anos, após receber uma orientação jurídica equivocada. Transferida algemada da Califórnia para o Texas Após ser presa no aeroporto, Renata foi inicialmente levada para um centro de detenção em Los Angeles e, posteriormente, transferida para Adelanto, na Califórnia, onde permaneceu por mais de 20 dias. Enquanto isso, sua família tentava acompanhar o processo à distância com advogados para encontrar uma forma de tirá-la da prisão. No dia 18 de setembro, Renata participou de uma audiência. A defesa pediu que ela pudesse responder ao processo em liberdade, mas o pedido foi negado sob o argumento de que ela representaria um risco. Segundo a mãe, Renata nunca cometeu nenhum crime e estaria detida exclusivamente por estar sem status migratório regular. Para Márcia, a situação é difícil de compreender e ainda mais difícil de suportar. “Para mim, como mãe, é um desespero tão grande ver a minha filha passar por isso. Porque ela não cometeu nenhum crime. Ela não tem motivo algum para estar presa só pelo fato de estar sem status. Isso não significa que eles podem fazer essa covardia, e não é só com ela, mas com tantas outras pessoas ali dentro. Ali tem mães, pessoas que estão presas sem motivo. Eles estão pegando todo mundo e fazendo essa covardia. Eu quero tirar minha filha dali, urgente”, conta Márcia aos prantos. No dia seguinte à audiência, 19 de setembro, a situação ficou ainda mais angustiante para a família. Renata foi transferida para El Paso, no Texas. A transferência, segundo o relato da mãe, foi marcada por horas de espera e restrições físicas. “Eu sei que ela ficou muito tempo, ficou horas dentro de uma van sem poder fazer xixi, sem poder tomar água, algemada nos pés, na cintura, nas mãos, sentada por horas até entrar no voo. Chegando lá, ficou das 21h até o dia seguinte às 17h sentada, quando ela foi colocada em um quarto”, relata a mãe, reforçando que a filha permaneceu algemada a todo o momento. “Durante todas essas horas, a noite inteira, com frio. Ela pediu para poder usar o suéter dela que estava na mala. Mas sumiram com a bolsa de mão dela, com os documentos, com o cartão de crédito, com joias. Até hoje, a mala não apareceu”, conta. Segundo Márcia, Renata também teria apresentado inchaço nas pernas e nos pés e dor de garganta depois de passar tantas horas sentada em um banco pequeno e em um ambiente gelado. A família tenta agora autorização para visitá-la, mas, até o momento, não conseguiu agendar com o centro de detenção. Do lado de fora da prisão, familiares e advogados tentam encontrar uma saída para o caso. “Ela queria pelo menos voltar na casa dela” Renata não gostaria de deixar os Estados Unidos. Segundo Márcia, a filha está seguindo o aconselhamento jurídico e solicita a saída voluntária do país. Mesmo sendo contra a vontade da filha, a mãe acredita que essa seria a solução. “Ela queria pelo menos voltar na casa dela, pegar as coisas dela. Ela tem um coelho que já tem seis anos. É tanta coisa, sabe? Emocionalmente. É tanto sentimento de injustiça. Apesar de ela ter ficado esse tempo fora de status, não é ilegal, é fora de status. Ela é uma menina que entrou aqui com 16 anos, estudou aqui. Eu pagava todos os estudos dela. Paguei muito caro para ela estudar. Então, ela fez faculdade. E, infelizmente, a gente teve uma orientação errada de um advogado. Ela está emocionalmente devastada, descontrolada”, descreve Márcia. Situação...
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    9 mins
  • Diretor de 'Kardec' e 'Nosso Lar' faz estreia mundial de 'As Irmãs Fox' em Hollywood
    Sep 6 2026
    Wagner de Assis é conhecido por transformar em cinema histórias que questionam os limites entre o que podemos ver e o que escolhemos acreditar. Responsável por levar multidões às salas brasileiras com os sucessos da franquia "Nosso Lar" e a cinebiografia "Kardec", o cineasta agora atravessa fronteiras para estrear seu projeto mais ambicioso, o primeiro totalmente em língua inglesa. Cleide Klock, correspondente da RFI em Los Angeles O lançamento mundial de "As Irmãs Fox", coprodução com os Estados Unidos, aconteceu no North Hollywood CineFest e traz a fascinante e conturbada trajetória de Leah, Kate e Maggie Fox, jovens norte-americanas, que, em meados do século XIX, se transformaram nas figuras centrais de um movimento que se espalhou dos Estados Unidos para diferentes partes do mundo. Se em trabalhos anteriores o diretor carioca buscou a consolidação doutrinária ou a jornada após a morte, esse novo longa combina drama histórico, suspense, elementos sobrenaturais e desperta debates sobre ciência, crença e os limites entre o mundo material e o espiritual. Segundo Assis, a trama funciona quase como uma reparação histórica. Para ele, trazê-la, principalmente, ao público norte-americano é expor um capítulo negligenciado da própria cultura local. "Essas mulheres eram as mais famosas da América no século XIX e a minha maior surpresa foi descobrir que foram quase apagadas da história. As poucas coisas registradas sobre elas dizem que eram uma fraude, que eram mentira e isso não é verdade. Quando eu entendi que esse tipo de história merecia ser contada, comecei a descobrir o quanto essa América inteira do século XIX tinha desaparecido", contou o diretor à RFI. Para fazer a produção e o roteiro, também assinados por ele, foram cerca de 10 anos de pesquisas e imersão em arquivos históricos. "Eu conhecia a história delas de uma maneira muito enciclopédica. Quando eu decidi fazer o filme, percebi a quantidade de livros que existiam naquela época. Pelo menos duas biografias, um livro da Leah Fox, que a gente menciona no próprio filme. Jornais, artigos, elas chegaram a frequentar a Casa Branca para ajudar como médiuns. Eu fui para lugares impensáveis. A costa leste norte-americana tinha mais de 70 jornais espiritualistas", detalha. "Eu tinha feito a biografia do Kardec e falei: 'Acho que é bom fechar o ciclo.' Começa com elas, o que o Arthur Conan Doyle chamou de uma 'invasão organizada dos espíritos'. Porque quando explode o movimento, explode para o mundo inteiro e depois chega a Kardec, eu achei que seria válido entender essa realidade e colocar na tela", explica Assis. O Brasil como cenário A história se passa totalmente nos Estados Unidos; é uma produção de época, mas a maioria das filmagens foi no interior de casarões históricos no Rio de Janeiro, com algumas cenas no país norte-americano. “Olhar para o passado é muito fácil. Julgar o passado é muito fácil e distorcer o passado é muito fácil também. Mas talvez tirar um pouco desse julgamento, pular lá para trás e tentar respirar aquela época e deixar essa época funcionar é um desafio de produção enorme. A gente precisava de um desenho de produção potente e de interpretações que absolutamente estão à altura", avalia Assis. Mas foram as filmagens no próprio país onde aconteceu a história que flertaram com o extraordinário. Nas locações no estado de Connecticut, a equipe precisava de paisagens cobertas pela neve para retratar com autenticidade passagens cruciais do roteiro. "E eu queria muito que tivesse neve, porque naquele dia 31 de março de 1848, tinha um relato de que nevou muito na área. Quando a gente começou a ver a previsão do tempo, as pessoas diziam assim: ‘não há a menor condição de ter neve’ porque não neva há quatro anos. E eu falei: 'claro, se não tiver neve, vou ter que colocar neve digital. Mas bem que podia ter neve'. Eu falei só isso. E no dia em que a gente ia filmar o exterior, que precisaria filmar com neve, caíram 10, 15 centímetros de neve pesada, e depois não nevou mais. Falei: 'Gente, é quase uma bênção'. Sei que é só um fenômeno da natureza, mas gosto de falar que a natureza ajudou a arte", lembra o diretor. O elenco reúne talentos dos Estados Unidos e do Brasil. As irmãs Fox são interpretadas pelas norte-americanas Sionne Elise, Jamie Hughes e Marie McHugh (essa última também com cidadania brasileira). No papel de Margareth Fox, mãe das três, está a atriz paulista Daniela Galli. "A família Fox tem uma linhagem de mulheres fortes para a época em que viveram. Pesquisando sobre a minha personagem, soube que ela cresceu no Canadá, em uma família de imigrantes russos e mudou para os Estados Unidos porque se casou com um norte-americano", explica a atriz. "O marido enveredou pelo alcoolismo, ela decidiu se separar e criou a primeira filha sozinha num país que não era o dela no início do século 19. Então, as ...
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