Poderia ser 1964, maio. Mas era setembro, 2025.
Foi um encontro casual, pois eu precisava da cadeira em que havia deixado suas bolsas. Gentilmente me cedeu o lugar e sorrindo voltou os olhos para o telefone.
Sentei e agradeci, mas meu francês denunciou uma origem desconhecida. Mistério desfeito, gentilezas trocadas e junto com o ar frio daquele fim de tarde, voltei minha atenção para o vai e vem de toda aquela gente apressada...
Me contou entusiasmada o quanto aquele bairro havia mudado nas últimas décadas. Concordei em silêncio e a ouvi contar sobre uma tarde específica na primavera de 64. Não era sobre romance, era sobre perda.
Ao final, se despediu, sorriu mais uma vez e seguiu andando até que meus olhos a perderam de vista. Para ela, ainda era 1964, uma jovem mulher envolvida por milhares de lembranças.
Para mim, 2025 continuava a me surpreender!
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