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  • wave-magazine-cronica-celina-penteado-amor-anonimo
    Feb 5 2026
    O café estava demorando e por isso ficou difícil não descansar o olhar em você.

    Sua atenção ao celular, a baguete por cima da pasta, o desalinho de roupas cansadas de um dia de trabalho.

    Mas achou, e acredito, chamou quem procurava. E como seu rosto se iluminou. Puxou um pedaço do pão e o levou à boca deixando uma migalha esquecida na barba.

    Imaginei que seria uma namorada, talvez recente na sua vida. Como saber? Continuou falando por mais um pequeno tempo e seus olhos me viram. Nem tentei disfarçar e recebi um sorriso acompanhado de uma oferta daquela baguete despedaçada.

    Voltei minha atenção para o café atrasado e antes mesmo de pagar a conta, sua pessoa chegou tão feliz como a imaginara. Seguiram abraçados e lamentei ter perdido aquele momento...

    Retomando meu caminho entendi que momentos genuínos assim, não devem ser capturados, pois são únicos e pertencem aos apaixonados!
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    1 min
  • Personagem anônima
    Jan 30 2026
    Poderia ser 1964, maio. Mas era setembro, 2025.

    Foi um encontro casual, pois eu precisava da cadeira em que havia deixado suas bolsas. Gentilmente me cedeu o lugar e sorrindo voltou os olhos para o telefone.

    Sentei e agradeci, mas meu francês denunciou uma origem desconhecida. Mistério desfeito, gentilezas trocadas e junto com o ar frio daquele fim de tarde, voltei minha atenção para o vai e vem de toda aquela gente apressada...

    Me contou entusiasmada o quanto aquele bairro havia mudado nas últimas décadas. Concordei em silêncio e a ouvi contar sobre uma tarde específica na primavera de 64. Não era sobre romance, era sobre perda.

    Ao final, se despediu, sorriu mais uma vez e seguiu andando até que meus olhos a perderam de vista. Para ela, ainda era 1964, uma jovem mulher envolvida por milhares de lembranças.

    Para mim, 2025 continuava a me surpreender!
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    1 min
  • Parisiense anônimo
    Jan 30 2026
    Era um olhar de emoção bruta. Mas você não percebeu que fora fotografado.Entrei ali para fugir da chuva, do frio do outono, dos meus pensamentos.

    Queria uma taça de tinto. Conversamos o tempo necessário para fazer o pedido e eu responder que era brasileira.

    Mais uns minutos escolhendo o vinho e soube que você viera da Argélia.

    Me surpreendeu, apresentando uma garrafa produzida numa “terra mordida pelo sol”.

    Conversamos mais um pouco e saí levando sua imagem, um sorriso de prazer pela delícia da sugestão e a felicidade em constatar que a chuva fina que molhava Paris havia parado.
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    1 min