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Written by: RFI Brasil
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Bate-papo com os correspondentes da RFI Brasil pelo mundo para analisar, com uma abordagem mais profunda, os principais assuntos da atualidade.

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  • Marcada por tensão entre Trump e aliados europeus, cúpula da Otan discute guerras no Irã e na Ucrânia
    Jul 7 2026
    Os chefes de Estado e de governo dos países da Otan se reúnem hoje e amanhã em Ancara, na Turquia, para a cúpula anual da aliança militar. Com a presença de Donald Trump confirmada, os aliados discutirão temas como o aumento dos investimentos em defesa, as consequências da guerra com o Irã, a segurança no Estreito de Ormuz e os próximos passos no conflito da Ucrânia. Artur Capuani, correspondente da RFI em Bruxelas Apesar de ser uma reunião entre aliados, a expectativa é de que a cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) seja marcada por disputas diplomáticas. Donald Trump diverge da maioria dos países-membros em praticamente todos os temas do encontro. O presidente americano já era um crítico declarado da Otan antes mesmo de voltar à Casa Branca, mas essa relação ficou ainda mais delicada após a guerra com o Irã. Durante o conflito, países da aliança se recusaram a enviar reforços ou oferecer apoio logístico aos Estados Unidos e a Israel. Os aliados negaram o uso de suas bases aéreas e demonstraram resistência em participar das operações militares para reabrir e patrulhar o Estreito de Ormuz. A expectativa é que Trump volte a pressionar pelo aumento dos investimentos em defesa. Na cúpula do ano passado, os membros da Otan chegaram a um acordo para elevar esse financiamento para 5% do Produto Interno Bruto (PIB), sendo uma parte destinada à defesa tradicional e outra à infraestrutura e capacidades relacionadas. Mas, segundo Matt Whitaker, embaixador dos Estados Unidos na Otan, muitos aliados ainda estão atrasados nesse compromisso. Na visão americana, a relação dentro da aliança não é equilibrada e a presença do contingente militar dos Estados Unidos na Europa também deve entrar nas discussões. Trump tem mencionado repetidamente a possibilidade de deixar a Otan. O governo dos EUA também fala em uma profunda transformação da aliança. O secretário de Defesa americano, Pete Hegseth, mencionou uma "OTAN 3.0", um termo que alimenta questionamentos nas capitais europeias. Em uma tentativa de preparar o terreno para a cúpula e reduzir as tensões, o secretário-geral da aliança, Mark Rutte, visitou a Casa Branca. Na ocasião, afirmou que a Otan está entrando em uma nova fase, centrada em uma maior responsabilidade europeia, mas mantendo o engajamento dos Estados Unidos. Crise inesperada entre Trump e Meloni Outro ponto de atenção nos bastidores da cúpula será o encontro entre Donald Trump e a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni. Até pouco tempo atrás, os dois líderes eram considerados próximos por causa da semelhança ideológica, e Meloni era vista como uma das principais interlocutoras europeias do governo republicano. Mas a relação se deteriorou após a decisão da Itália de negar aos Estados Unidos o uso da base aérea na Sicília como apoio durante a guerra com o Irã. Trump afirmou que Meloni tem baixa popularidade na Itália por ter recusado ajudar os Estados Unidos e chegou a dizer que a primeira-ministra teria implorado por uma foto ao lado dele. Meloni respondeu dizendo que esses ataques eram "constantes e gratuitos" e afirmou que sua proximidade com Trump certamente não ajudou sua imagem política. Uma pesquisa realizada em abril mostrou que 35% dos italianos tinham uma visão favorável da primeira-ministra, enquanto 57% tinham uma visão negativa. O encontro em Ancara será o primeiro entre os dois líderes desde o início da troca pública de críticas. Guerra com o Irã A posição de Trump é conhecida: o presidente americano queria mais apoio dos parceiros durante o conflito. Já a maioria dos países europeus avalia que Washington tentou arrastar a aliança para uma guerra que não era de interesse dos demais membros e que ainda provocou impactos econômicos globais com a alta do preço do petróleo. Por enquanto, o cessar-fogo foi restabelecido e o tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz será gradualmente retomado. O objetivo dos aliados agora busca transformar essa trégua temporária em um acordo permanente, evitando uma nova crise energética, além de debater uma estratégia para garantir a segurança da passagem pelo estreito. Trump, por outro lado, afirmou que pretende chegar a um acordo com o Irã, mas voltou a ameaçar uma ação militar ao dizer que, caso isso não aconteça, os Estados Unidos "teriam que terminar o trabalho". Ucrânia continua como um dos principais desafios A guerra na Ucrânia também estará no centro das discussões da cúpula. Existe um grupo, principalmente formado por países europeus, que pretende manter o apoio financeiro, político e logístico à Ucrânia pelo tempo que for necessário. Trump, no entanto, mantém como prioridade encerrar rapidamente o conflito. O presidente americano deve pressionar por um acordo durante o encontro bilateral que terá com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, em Ancara. Nesta semana, Trump e o presidente russo, ...
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  • Acordo entre Líbano e Israel cria expectativas, mas implementação ainda é incerta
    Jul 2 2026
    Após o acordo firmado entre Líbano e Israel para tentar encerrar anos de tensão na fronteira, ainda há dúvidas sobre como os principais compromissos assumidos pelas partes serão implementados na prática. Questões centrais, como a retirada das tropas israelenses do sul do Líbano e o desarmamento do Hezbollah, continuam cercadas de incertezas. Henry Galsky, correspondente da RFI em Israel Há um marco histórico importante neste acordo, na medida em que os dois países declaram que reconhecem o direito mútuo de viver em paz e segurança. Israel e Líbano não mantêm relações diplomáticas, mas este pode ser um passo inicial nesse sentido. O fato é que as negociações mediadas pelos Estados Unidos têm como foco resolver as questões mais urgentes, principalmente a ocupação israelense no sul do Líbano e também a demanda de segurança por parte de Israel, em especial do norte do território. Israel mantém uma presença militar no Líbano desde 2024, quando passou a ocupar cinco pontos no sul do país. Mas, após o início da guerra contra o Irã e os ataques do Hezbollah, ampliou sua presença militar no sul do Líbano. A ofensiva destruiu boa parte dos vilarejos, provocou o deslocamento interno de mais de um milhão de libaneses e resultou na criação de uma faixa de segurança que avança entre cinco e dez quilômetros pelo território. Sobre esse ponto, há duas narrativas distintas. Segundo o Hezbollah, os ataques com foguetes e drones iniciados em março deste ano são uma resposta às violações israelenses do acordo de cessar-fogo firmado em 2024. Já Israel afirma que o Hezbollah intensificou os ataques em apoio ao Irã. Na avaliação israelense, a ofensiva está ligada à guerra iniciada no fim de fevereiro por Israel e Estados Unidos, que, em um primeiro momento, tinha como objetivo provocar a queda do regime iraniano. Como o Hezbollah é um “proxy” do Irã, um grupo aliado a Teerã, a ação do Hezbollah é considerada um ato de vingança pelos ataques contra o regime de Teerã. Inclusive, internamente no Líbano, há o debate sobre até que ponto o Hezbollah tem interesse real na defesa da soberania libanesa ou se age para favorecer seu “patrão” iraniano. Dúvidas sobre a retirada israelense Israel afirma que irá permanecer no Líbano até que o Hezbollah seja desarmado. Trata-se de um processo complexo, que requer muito mais do que boa vontade entre as partes. O Hezbollah não aceita abrir mão de suas armas. Ao mesmo tempo, o Irã afirma que o Memorando de Entendimento assinado com os Estados Unidos determina o fim das hostilidades em todas as frentes, inclusive no Líbano. Para Israel, porém, o Hezbollah continua representando uma ameaça permanente às comunidades do norte do país, o que justifica a manutenção de tropas israelenses em território libanês. O acordo assinado entre Líbano e Israel prevê o estabelecimento de zonas-piloto em vilarejos atualmente ocupados pelas tropas israelenses. Dessas áreas, os soldados deverão se retirar para dar lugar ao Exército regular libanês, que passará a ter a missão de conter e desarmar o Hezbollah. Como o acordo deverá funcionar Segundo a TV pública israelense, haverá um fórum conjunto entre militares israelenses e libaneses para estabelecer os passos de forma a que este plano saia do papel. Os Estados Unidos deverão aprovar os nomes dos envolvidos, em especial do lado libanês, porque temem que as informações sejam encaminhadas ao Hezbollah. Em Israel, há a expectativa de que este mecanismo permita uma coordenação em maior nível com os libaneses. No entanto, ainda de acordo com a TV pública israelense, a avaliação de fontes do exército é que o processo de retirada das tropas vai levar mais tempo do que se imaginava inicialmente porque as autoridades do país ainda aguardam esclarecimentos de Washington sobre como os norte-americanos vão se envolver neste mecanismo. A visão israelense sobre as negociações entre Irã e Estados Unidos Segundo informações obtidas pela RFI, o temor das autoridades israelenses é de que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, seja arrastado pelos iranianos para negociações intermináveis e improdutivas. Uma das técnicas seria a burocratização do processo, com debates, avanços e recuos sobre os termos do Memorando de Entendimento assinado entre EUA e Irã em 17 de junho. Os serviços de inteligência de Israel não acreditam que o Irã esteja realmente interessado em chegar a um acordo final com os EUA. Ou seja, um acordo ao final do prazo de 60 dias de negociações inicialmente estabelecido pelo Memorando de Entendimento. Na visão israelense, o objetivo do regime iraniano seria o de liberar os ativos financeiros congelados pelas sanções norte-americanas – ou parte desses ativos –, impedir a continuidade da guerra aberta com os EUA e Israel, cujo cessar-fogo foi declarado em 7 de abril, garantir a consolidação do ...
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  • Estados Unidos comemoram 250 anos de Independência com programação fragmentada por polêmicas
    Jul 3 2026
    Neste sábado (4), os Estados Unidos comemoram os 250 anos da independência do país. A data será marcada por uma série de eventos em todo o território americano, com desfiles, shows, cerimônias cívicas e as tradicionais queimas de fogos. Luciana Rosa, correspondente da RFI em Nova York O aniversário histórico também acontece em meio a um cenário de forte polarização política, com críticas de opositores ao presidente Donald Trump sobre a forma como as celebrações estão sendo conduzidas. As comemorações oficiais terão dois eventos principais, com perfis bastante diferentes. Em Washington, Donald Trump participa de uma grande celebração no National Mall, que ele próprio tem promovido como um grande ato patriótico. Já em Los Angeles, uma programação organizada por outro comitê reúne artistas como Queen Latifah, Chris Stapleton, Chaka Khan e a banda Smashing Pumpkins, em um evento com foco na diversidade cultural e na música. A existência de duas celebrações nacionais, organizadas por grupos diferentes e com pouca coordenação entre si, acabou chamando atenção porque reflete a polarização vivida nos Estados Unidos. Planos iniciais previam uma programação unificada, com desfiles, festivais culturais e apresentações em várias partes do país, mas o formato acabou sendo alterado ao longo dos últimos meses. O cenário é bem diferente do imaginado anos atrás, quando o Congresso começou a planejar as comemorações dos 250 anos da Independência. Os planos originais da comissão America250 para o 4 de Julho em Washington davam muito menos protagonismo ao presidente. A proposta previa um grande desfile pelas ruas da capital com carros alegóricos representando diferentes comunidades, bandas marciais, um festival cultural organizado pelo Smithsonian Institute no National Mall e diversos shows realizados em várias regiões do país para celebrar a diversidade cultural americana. Queima de fogos de 40 minutos iluminarão a capital americana Como acontece todos os anos, o céu dos Estados Unidos será tomado por espetáculos de fogos de artifício no Dia da Independência. Em Washington, o tradicional show realizado pelo Serviço Nacional de Parques (National Park Service) terá, neste ano, uma dimensão inédita. O espetáculo deve durar cerca de 40 minutos – mais que o dobro do tempo de uma queima tradicional – e utilizar mais de 860 mil fogos de artifício. Segundo o jornal USA Today, a única orientação dada à empresa Pyrotecnico, responsável pelo espetáculo, foi tentar superar o recorde mundial estabelecido nas Filipinas, em 2016, para a maior exibição de fogos de artifício da história. Em Nova York, o tradicional espetáculo de fogos da Macy's completa 50 anos e será realizado com lançamentos a partir da Ponte do Brooklyn, do East River e do Rio Hudson. A cidade disponibilizou 100 mil ingressos por meio de uma loteria pública para quem quiser assistir à apresentação em áreas reservadas. Bola de cristal na Times Square Outra novidade será na Times Square. Pela primeira vez, a famosa bola de cristal não será baixada apenas uma vez, como ocorre no Réveillon, mas oito vezes ao longo de quase 24 horas, representando cada um dos fusos horários dos Estados Unidos e de seus territórios. A primeira descida acontece às 10h deste dia 3 de julho, marcando a meia-noite em Guam e nas Ilhas Marianas do Norte. A última será às 7h do dia 5 de julho, em referência à Samoa Americana. Nova York também receberá um desfile de grandes veleiros históricos e embarcações militares que navegarão pelo porto da cidade, passando pela Estátua da Liberdade, como aconteceu durante a celebração do bicentenário, em 1976. Na Filadélfia, considerada o berço da independência americana, será enterrada uma cápsula do tempo com contribuições dos 50 estados americanos. Ela permanecerá lacrada por 250 anos e só será aberta em 2276. Além disso, outras dezenas de cidades americanas, como Milwaukee, em Wisconsin, organizaram festas de rua, desfiles e eventos comunitários para celebrar o marco histórico. Polêmicas envolvendo a organização A organização da celebração ficou marcada por uma série de polêmicas. A principal envolve a politização da festa: a programação da Great American State Fair, em Washington, previa uma série de shows, mas artistas como Martina McBride, The Commodores, Young MC e Bret Michaels desistiram de participar após descobrirem a ligação do evento com a Freedom 250, organização criada por Donald Trump para comandar parte das celebrações. Depois das desistências, Trump cancelou os shows e anunciou que faria o que chamou de "o maior comício da história". Outra iniciativa que gerou repercussão foi a realização de um evento do UFC (Ultimate Fighting Championship) nos jardins da Casa Branca como parte das comemorações dos 250 anos – e do aniversário do presidente Donald Trump...
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