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  • Tuca Vieira: um atlas fotográfico para revelar uma Paris além dos cartões-postais
    Jul 7 2026

    Como fotografar uma das cidades mais conhecidas e mais fotografadas do mundo sem repetir as imagens que todos já conhecem? Essa é a pergunta que orienta o trabalho do fotógrafo brasileiro Tuca Vieira durante sua residência artística na Cité internationale des arts, em Paris, realizada por meio de um programa da Académie des beaux-arts.

    Fotógrafo há mais de três décadas, doutor em Arquitetura e Urbanismo pela USP e vencedor do Prêmio Jabuti de 2021 com o Atlas Fotográfico da Cidade de São Paulo, Vieira desenvolve na capital francesa o projeto Atlas Photographique de Paris. A proposta é construir um retrato da metrópole para além de seus monumentos e cartões-postais.

    "Basta pronunciar a palavra Paris e uma série de imagens já nos vem à cabeça", diz. "Mas a Paris de hoje é uma metrópole de cerca de 13 milhões de habitantes, muito mais complexa do que essa imagem cristalizada. É essa cidade que me interessa investigar."

    Em vez da Torre Eiffel ou da avenida Champs-Élysées, o fotógrafo procura registrar bairros residenciais, periferias, ruas comuns e espaços do cotidiano.

    "Eu busco a cidade do nosso cotidiano. Não me interesso muito pelo espetacular nem pelas coisas muito particulares."

    A inspiração vem, em parte, do fotógrafo francês Eugène Atget, que documentou Paris entre o final do século XIX e o início do século XX.

    "O trabalho de Atget está no centro da fotografia como linguagem. É um trabalho que transita entre o documental e o artístico."

    Fotografar devagar

    Para realizar o projeto, Vieira utiliza uma câmera apoiada sobre um tripé. O equipamento, tradicionalmente empregado na fotografia de arquitetura, exige preparação cuidadosa antes de cada imagem e permite corrigir as perspectivas dos edifícios.

    Em uma época marcada pela produção incessante de fotografias em celulares, ele vê essa escolha como uma forma de reflexão sobre o próprio ato de fotografar.

    "Eu sempre me pergunto qual é o papel do fotógrafo. Como produzir uma imagem que consiga se destacar nesse oceano de fotografias efêmeras que circulam hoje?"

    Todo o trabalho é realizado a partir do nível da rua, opção que Vieira considera também uma forma de posicionamento diante da cidade.

    "Se a gente quer fazer uma intervenção na cidade, tem que fazê-la a partir do ponto de vista de seus cidadãos."

    Um método criado em São Paulo

    O projeto parisiense dialoga diretamente com o Atlas Fotográfico da Cidade de São Paulo, publicado em 2021. Durante dois anos, Vieira dividiu a capital paulista em 203 setores, baseado em antigos guias de ruas, e percorreu cada um deles para produzir ao menos uma fotografia.

    "São Paulo era a minha cidade, mas eu não a conhecia. A fotografia acabou sendo uma desculpa para conhecer lugares onde eu jamais iria naturalmente."

    O método agora é adaptado para Paris, mantendo o mesmo objetivo: compreender a cidade por meio do deslocamento e da observação sistemática de seu território.

    A fotografia de Paraisópolis

    Foi ainda como fotógrafo da Folha de S.Paulo que Vieira produziu, em 2004, uma das imagens mais conhecidas da fotografia brasileira: a vista aérea que contrapõe os edifícios de alto padrão do bairro paulistano do Morumbi à favela de Paraisópolis.

    A fotografia foi realizada durante uma reportagem sobre os 450 anos da cidade de São Paulo.

    "Na época eu fotografei em película e nem tinha ideia da repercussão que aquela imagem teria."

    Além de ir para a primeira página da Folha, fotografia passou a ilustrar livros, pesquisas e exposições sobre urbanismo e desigualdade social em diversos países. Na França, integra livros didáticos de geografia e história.

    "Quando professores franceses viram essa fotografia, ficaram até mais indignados do que nós diante daquela desigualdade à qual, infelizmente, muitas vezes estamos acostumados."

    Hoje, além do Atlas de Paris, Vieira continua desenvolvendo a pesquisa Hipercidades, dedicada às grandes metrópoles contemporâneas. Em todos esses projetos, a fotografia funciona menos como registro e mais como uma forma de compreender o território e as transformações urbanas.

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  • Pierina Marinelli: conheça a estilista que ajudou a introduzir tecidos ecológicos na França
    Jul 9 2026
    Quando chegou à França, aos 24 anos, a paulistana Pierina Marinelli carregava um sonho difícil de realizar: tornar-se estilista em um dos países mais competitivos da moda mundial. “Vir do Brasil há mais de 30 anos e dizer ‘eu quero ser estilista’ era como ir ao Brasil e dizer ‘eu quero ser jogador de futebol’”, resume. Hoje, seu percurso reúne passagens por desfiles, prêmios, consultorias para a indústria têxtil, coleções vendidas internacionalmente e um showroom instalado em um castelo nos arredores de Paris. Em um momento em que a França endurece o combate à fast fashion e procura estimular um consumo mais consciente, o percurso de Pierina Marinelli parece estar em sintonia com as transformações em curso no setor. “Ele reflete realmente uma necessidade, um retorno a coisas mais verdadeiras”, afirma sobre seu trabalho de criação sob medida. “As pessoas estão cansadas desse esquema comercial.” A estilista acredita que existe uma demanda crescente por peças com história, identidade e durabilidade, em contraste com a lógica do consumo acelerado. Para ela, a valorização do artesanal e do trabalho personalizado responde a uma busca por autenticidade. Pioneira na moda sustentável Muito antes de a sustentabilidade se tornar palavra de ordem na indústria da moda, Pierina já participava de iniciativas consideradas pioneiras no setor. Uma delas foi o desenvolvimento de uma coleção em algodão orgânico para o grupo francês Léa Nature, referência no mercado de produtos ecológicos. Segundo ela, o projeto envolveu um investimento de longo prazo na Índia. “O que é bonito desse grupo é que eles financiaram duas cidades da Índia para a reconversão do algodão orgânico”, conta. O trabalho incluiu o acompanhamento dos agricultores durante anos e ajudou a criar uma cadeia de fornecimento que mais tarde seria utilizada por diversas marcas. Outra experiência marcante foi sua participação no lançamento de coleções produzidas com modal, fibra derivada da celulose vegetal que começava a ser apresentada como alternativa mais sustentável aos tecidos convencionais. “Ela dava um toque na malha que era maravilhoso, e que até hoje continua maravilhoso”, recorda. Encantada com as possibilidades do material, Pierina criou peças de lingerie com a nova fibra. Da renda brasileira aos prêmios franceses Foi, entretanto, uma renda inspirada no trabalho artesanal brasileiro que lhe rendeu um dos momentos decisivos da carreira. Recém-chegada à França, Pierina apresentou suas criações no Salão Internacional da Lingerie, um dos eventos mais importantes do setor. Em uma época em que jovens criadores ainda encontravam poucas oportunidades, ela chamou a atenção ao valorizar a renda renascença produzida no Brasil. “Todos os fabricantes vinham ao meu estande para ver esse trabalho que eu trouxe do Brasil”, lembra. Na mesma fase, recebeu um prêmio por uma renda de monogramas que reproduzia nomes de cidades. O material havia sido descartado por outros criadores, mas chamou sua atenção pela originalidade. “Eu lancei e fez um sucesso enorme no salão”, conta. Brasil, Itália e França Ao explicar sua identidade criativa, Pierina costuma recorrer às três culturas que marcaram sua história. “O Brasil traz alegria, perseverança e esperança”, diz. “É um povo que batalha, mas com alegria.” Da herança italiana, afirma ter herdado a ousadia. “Eu admiro os criadores italianos pela audácia com que trabalham as cores e as formas.” Já a França lhe ofereceu o refinamento estético que ela resume na expressão francesa chic parisien. “Existe realmente um estilo próprio de Paris”, afirma. Essa mistura se reflete também em sua história familiar. Quando era adolescente e anunciou à mãe que queria trabalhar com moda, ouviu um relato que mudaria sua percepção sobre a própria vocação. “Ela me contou que já existia, sete gerações antes, uma primeira Pierina Marinelli que fazia moda na Itália”, lembra. A descoberta a marcou profundamente. Anos depois, o nome da antepassada se transformaria também na marca que leva sua assinatura. Um castelo como showroom Apesar do reconhecimento conquistado, Pierina faz questão de lembrar que sua trajetória foi construída com persistência. “Todo o meu percurso foi de muita luta e muita perseverança”, diz. Uma das oportunidades surgiu de forma inesperada. Após participar de uma exposição para artesãos em um castelo na região de Chantilly, a proprietária do local se encantou com suas criações e decidiu abrir as portas para a estilista receber clientes. Hoje, Pierina mantém um showroom no Château de Pontarmé, onde desenvolve peças sob medida e recebe clientes em busca de criações exclusivas. “Tudo isso é feito com muitas pessoas que admiram o seu trabalho e te acompanham”, destaca. A técnica antes da inspiração Questionada sobre o que diria à jovem que deixou São ...
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  • Lia Rodrigues conduz jovens artistas em formação e amplia escuta pela diversidade em Avignon
    Jul 13 2026
    A coreógrafa brasileira Lia Rodrigues assume, durante a edição 2026 do Festival de Avignon, a coordenação artística da Transmissão Impossível, programa de formação cocriado pelo Festival e pela Fundação Hermès. Com quase cinco décadas de trajetória entre criação, pedagogia e trabalho comunitário, Lia orienta 55 jovens artistas de diferentes nacionalidades, trazendo ao laboratório a experiência da Escola Livre de Dança da Maré e sua “pedagogia mutante”. Márcia Bechara, enviada especial a Avignon A chegada de Lia Rodrigues à coordenação do Transmissão Impossível sinaliza uma inflexão importante na política de formação do Festival de Avignon. O programa, cocriado com a Fundação Hermès, consolidou-se como laboratório de verão dedicado a jovens artistas do mundo inteiro. Em 2026, o festival confia essa função a uma coreógrafa brasileira cuja trajetória combina rigor estético, engajamento comunitário e uma visão de mundo construída entre o palco e a favela da Maré. Logo no início da conversa, Lia desmonta a ideia de futuro homogêneo com uma fala que oferece pistas para esta terceira edição do projeto:. “Eu acho que é impossível pensar no futuro sem pensar nos diferentes futuros que atingem diferentemente partes do planeta. Não é a mesma coisa o futuro de um jovem na França que o futuro de um jovem no Brasil, que são as realidades que eu conheço bastante aqui na Europa. Ou o futuro de um jovem que mora no continente africano, ou que mora na Austrália, um jovem negro, um jovem indígena, um jovem trans, um jovem hétero, cis. Então, não dá para falar de um futuro. São futuros.” A multiplicidade é o ponto de partida do laboratório, que reúne 55 jovens artistas de diferentes nacionalidades, entre eles 12 estudantes da Escola Livre de Dança da Maré. Para lidar com esse conjunto heterogêneo, Lia montou um time de confiança: Silvia Soter, Cristina Moura, Dani Lima e Calixto Neto. “Eu tenho uma equipe que eu confio muito, artisticamente, pedagogicamente, e juntos a gente consegue organizar essa diferença.” Leia tambémCoreógrafa Lia Rodrigues dedica prêmio francês “aos artistas brasileiros que estão sendo atacados” A sucessão da francesa Mathilde Monnier, que coordenou as edições anteriores, não é apenas institucional. Lia e Monnier compartilham uma história de colaboração e afinidade pedagógica. “Eu conheço muito a Mathilde como artista, mas também nós trabalhamos juntas porque ela é uma grande pedagoga. Ela criou um programa de master em Montpellier, dirigiu o Centro Coreográfico de Montpellier, dirigiu o CND (Centro Nacional da Dança de Paris)... Ela foi para o Brasil conhecer a nossa escola, a gente fez vários projetos juntos”, conta. Por isso, assumir o programa tem peso simbólico: “Para mim é uma honra ter sido convidada também por ela, de ela pensar que eu poderia trazer alguma novidade”, considera. É na pedagogia que Lia desloca o eixo da formação. Ela faz questão de situar sua trajetória antes da Maré, mas reconhece que o Brasil impõe condições específicas ao trabalho artístico. “Eu sinto que eu sou reconhecida no Brasil, mas é muito difícil ainda contar com recursos do governo brasileiro para o meu trabalho.” A comparação com a França é inevitável: “Ser artista no Brasil tem zero a ver com ser artista na França. Sobreviver tantos anos como artista e ver tantos governos passarem… eu tenho mais ou menos 50 anos de carreira”, lembra. Escola Livre de Dança da Maré Lia chegou à Maré em 2004, em uma experiência inicialmente marcada pela escuta. “Eu cheguei para aprender primeiro, não para trazer alguma coisa.” Com a Redes da Maré, ela ajudou a criar um centro de artes: “Nós encontramos um galpão sem teto, destruído… e muito pouco a pouco ele se transformou.” Só em 2011, com apoio da Fundação Hermès, nasceu a Escola Livre de Dança da Maré. “Nós temos 320 alunos, entre 8 e 80 anos, e um grupo de jovens que recebe uma bolsa mensal. A questão da nossa escola não é virar artista, é ser cidadão. A pedagogia mutante vem de uma coisa muito simples, sabe o quê? Dinheiro”. Leia tambémWagner Moura estreia em maior encontro de artes cênicas do mundo ao lado de destaques da cena brasileira Quando o tema é corpo e política, Lia recusa qualquer separação entre vida e criação. “A política está na nossa vida. É impossível estar vivo sem ser político.” Ela enumera escolhas cotidianas: “Qualquer escolha que a gente faz, em quem a gente vota, em quem a gente não vota, se a gente se abstém de votar… tudo é político.” E amplia o conceito: “A política também é a política do sensível. O que é política? É muito vasto esse tema.” A consciência do próprio lugar aparece sem rodeios durante a entrevista. “Você vê uma mulher branca… no caso, eu sou velha, tenho 70 anos e sou muito privilegiada no Brasil. Eu ...
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  • Christiane Jatahy leva Ibsen ao tribunal de Avignon em debate sobre verdade ao lado de Wagner Moura
    Jul 14 2026
    A premiada diretora brasileira Christiane Jatahy estreou no Festival de Avignon de 2026 a peça Um Julgamento – depois de O Inimigo do Povo, criada com Wagner Moura e Lucas Paraizo. Inspirada no clássico de Henrik Ibsen, a peça transforma o palco em tribunal popular e entrega ao público o papel de júri, debatendo democracia, verdade e responsabilidade coletiva num Brasil ficcional que ecoa urgências globais. Márcia Bechara, enviada especial da RFI a Avignon A peça Um Julgamento – depois de O Inimigo do Povo, que após a temporada brasileira e em alguns teatros europeus estreou na cena principal do Festival de Avignon, no sul da França, marca a primeira colaboração entre Christiane Jatahy, Wagner Moura e Lucas Paraizo. Coproduzido pelo Festival Avignon, pelo Holland Festival e o Edinburgh International Festival, o espetáculo discute democracia, verdade, fake news, ecologia e responsabilidade coletiva, em três línguas, a partir de uma comunidade brasileira ficcional. A proposta nasceu de uma pergunta simples: o que teria acontecido depois do fim da peça de Ibsen? Segundo Jatahy, a resposta não estava em adaptar o texto original, mas em avançar sobre ele. “Wagner [Moura] sempre foi muito apaixonado por esse texto. A gente pensou muitas possibilidades, e, para mim, não fazia sentido montar o texto como ele é, apesar de que é bastante visionário. Me interessava perguntar sobre o que seria essa questão hoje.” Leia tambémWagner Moura, 'Inimigo do Povo'? Ator fala sobre estreia que revisita clássico de Ibsen em Avignon Cancelamento X verdade A diretora propôs imaginar um futuro possível para o protagonista. “E se Thomas Stockmann tivesse a possibilidade de, diante de um público neutro, não da sua própria comunidade, portanto num público de teatro, defender as suas ideias e, eventualmente, reverter o seu cancelamento que sofreu?” A partir dessa hipótese, nasceu uma dramaturgia nova, que dialoga com Ibsen sem se limitar ao texto original. “De fato, é um novo texto. A gente tem poucas coisas que são realmente do texto original, mas muitas referências. É realmente uma possível continuação.” O espetáculo, apresentado no Gymnase du Lycée Aubanel, em Avignon, transforma o palco em tribunal popular. O público é chamado a julgar Stockmann – agora interpretado por Wagner Moura – e decidir se ele continua sendo “inimigo do povo”. A estrutura responde ao interesse de Jatahy pelo presente. “Meu trabalho é sempre sobre como é que a gente lida com a questão do momento presente, do lugar que a gente está. A questão das línguas é um desafio e ao mesmo tempo muito interessante, porque abre outras perspectivas.” Em Amsterdã, Moura improvisou em inglês; em Avignon, sua filha Petra (interpretada por Julia Bernat) traduz para o francês. A peça articula temas centrais da obra de Ibsen – verdade, maioria, democracia – com urgências contemporâneas. Jatahy explica: “A discussão política não é externa às relações íntimas. Ela está muito conectada às nossas proximidades, às nossas famílias.” Ela lembra um Brasil não muito longe de 2026: “Quando houve a eleição do Bolsonaro, quantas famílias romperam… impossível continuar dialogando.” Para ela, a democracia exige a reativação desse diálogo. “A democracia existe onde o diálogo é permitido.” Leia tambémWagner Moura estreia em maior encontro de artes cênicas do mundo ao lado de destaques da cena brasileira Reconstruir a escuta A diretora identifica o risco atual da polarização. “O extremismo e a impossibilidade de dialogar impedem que a gente avance em questões democráticas.” A diretora relaciona o contexto à crise da verdade. “Quando a gente, no início da peça, diz que a verdade acabou, que tudo se transformaria em versões, é exatamente sobre isso. As pessoas acreditam nas suas narrativas e isso vira um fato. Sem nenhuma possibilidade de dissenso. Isso vai minando a democracia.” Jatahy lembra, no entanto, que consensos democráticos já produziram tragédias. “A gente sabe quanto, em outros momentos históricos, quando Hitler ascendeu ao poder, foi através de um consenso democrático.” A peça sublinha a urgência de reconstruir a escuta. “Como é que a gente volta a escutar o outro, com todas as diferenças que algumas vezes são insuportáveis, mas que podem reconstruir uma ideia coletiva? É preciso proteger as minorias. A maioria das pessoas estão nas categorias que se intitulam minorias.” O teatro, para ela, ainda é capaz de produzir essa escuta. “Se eu não acreditasse, eu nem faria mais teatro”, aponta. A ficção, diz, abre espaço para esta sensibilidade. “O teatro acessa lugares em que às vezes a gente não está tão aberto.” A peça radicaliza essa ideia ao entregar ao público o papel de júri. Leia tambémFestival de Avignon chega aos 80 anos com Wagner Moura, Nobel coreana e perguntas sobre o futuro Jatahy ...
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  • Xenia França destaca força da música brasileira em festival de jazz de Marselha e prepara novo disco
    Jul 17 2026
    A cantora Xenia França vive um momento de expansão internacional da carreira. Após apresentar seu projeto Em Nome da Estrela no Festival de Jazz de Marselha, no sul da França, a artista falou à RFI sobre a recepção de seu trabalho pelo público europeu, a trajetória construída como artista independente, a conquista do Grammy Latino em 2023 e o processo de gestação de seu terceiro álbum. Ansiosa antes de subir ao palco em Marselha, Xenia contou que a participação no festival representou um marco em sua trajetória. Embora reconheça a forte presença do jazz em seu universo musical, ela ressalta que sua obra não se enquadra no gênero de forma tradicional. “Oficialmente, acho que esse foi o meu primeiro festival de jazz. Na verdade, meu trabalho não é um trabalho de jazz tradicional, mas obviamente o jazz influencia a minha música por causa das escolhas artísticas e musicais que eu faço”, afirmou. O convite para o festival francês nasceu de uma apresentação realizada em 2023 no Jazz Ahead, em Bremen, evento voltado para curadores e programadores de festivais. “Provavelmente o convite para o Marseille Jazz veio dessa apresentação e eu fiquei super feliz. Foi uma experiência maravilhosa”, conta. Música brasileira atravessa fronteiras Depois de apresentações em diferentes países, incluindo Portugal e Japão, Xenia diz observar com surpresa o alcance internacional de seu trabalho. Para ela, esse reconhecimento também é resultado do legado deixado por grandes nomes da música brasileira. “Existem artistas magníficos no nosso país. Caetano, Gil, Djavan, Milton, Gal Costa, Elza Soares. Tanta gente maravilhosa que nos ensinou a gostar de música e ajudou a construir uma linguagem da música brasileira para o mundo.” A artista acredita que sua produção dialoga com influências nacionais e internacionais, reunindo referências que vão de Michael Jackson a Sarah Vaughan, passando por Herbie Hancock e Ella Fitzgerald. “Eu fico muito orgulhosa de que meu trabalho possa abrir esse portal para o mundo, porque eu amo o mundo.” Da indicação ao Grammy Latino à conquista do prêmio Natural de Candeias, na Bahia, e radicada em São Paulo, Xenia aponta o lançamento de seu primeiro álbum, em 2017, como o início de uma sequência de acontecimentos decisivos para sua carreira. O disco lhe rendeu duas indicações ao Grammy Latino e abriu portas para apresentações internacionais. “Seis meses depois de lançar esse disco, eu já estava fazendo meu primeiro show no Central Park”, lembra. Artista independente, ela destaca que cada conquista ganha uma dimensão ainda maior pela ausência de uma grande estrutura por trás do trabalho. “O artista independente está sempre montando um quebra-cabeças de duas mil peças com pecinhas bem pequenas.” A consagração veio em 2023, quando conquistou o Grammy Latino com o álbum "Em Nome da Estrela". Para a cantora, a premiação teve um significado comparável a uma grande façanha esportiva. “Se eu fosse uma atleta ou uma montanhista, a sensação seria a de ter subido o Everest.” Ela avalia a conquista como um reconhecimento coletivo e um sinal de que sua trajetória segue na direção certa. “Ganhar é uma coisa meio surrealista. Ao mesmo tempo, honra todas as pessoas que trabalharam nesse projeto e acende um farol de que, de alguma forma, o universo está dizendo que eu estou no caminho certo.” O amor como força transformadora Durante sua passagem pela França, Xenia apresentou o espetáculo Tudo Sobre o Amor, inspirado na obra da escritora e ativista norte-americana Bell Hooks. Mais do que um show, ela define o projeto como uma performance em que música e reflexão caminham juntas. “Eu tento criar uma trilha sonora baseada em músicas que fazem sentido para mim, do cancioneiro brasileiro, de algumas referências internacionais e também do meu próprio repertório”, explica. A artista afirma que a leitura da autora ampliou reflexões que já faziam parte de seu processo de amadurecimento pessoal e artístico. Em um contexto marcado por polarizações e relações cada vez mais mediadas pela tecnologia, ela defende o amor como uma ferramenta essencial de transformação. “Eu sinto que a grande tecnologia humana é amar.” Segundo Xenia, essa visão vai além do amor romântico e se relaciona com a capacidade humana de criar vínculos, produzir conhecimento e transformar a realidade. “O amor é essa cola, essa coisa que cria e ao mesmo tempo amalgama tudo o que existe.” Terceiro álbum está em gestação Questionada sobre o próximo trabalho de estúdio, Xenia confirma que tem sido cobrada para o aguardado terceiro álbum, que já começou a tomar forma, embora ainda esteja em fase inicial. Ela afirma resistir às pressões do mercado digital e prefere respeitar o tempo necessário para a criação artística. “É preciso que as coisas façam sentido para mim. É um trabalho feito à mão, ...
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  • João Paulo Lorenzon revisita Nietzsche para questionar violência, empatia e animalidade em Avignon
    Jul 21 2026
    Onze anos depois de sua passagem pelo Festival Off de Avignon com Nijinsky, o ator, diretor e performer brasileiro João Paulo Lorenzon retorna à cidade francesa com Nietzsche, do cavalo nada sabemos. Inspirado no episódio em que Friedrich Nietzsche abraçou um cavalo espancado nas ruas de Turim, pouco antes de mergulhar definitivamente na loucura, o espetáculo transforma uma das imagens mais enigmáticas da história da filosofia em uma dramaturgia física e sensorial sobre violência e empatia. Há imagens que atravessam o tempo porque resistem a ser explicadas. Uma delas ocorreu em janeiro de 1889, em Turim, quando Friedrich Nietzsche teria visto um cocheiro espancar um cavalo na rua. Segundo os relatos que cercam os últimos dias de lucidez do filósofo alemão, ele correu até o animal, abraçou-o e caiu em prantos. Pouco depois, mergulharia em um colapso mental do qual jamais se recuperaria. É desse instante carregado de mistério que nasce Nietzsche, do cavalo nada sabemos, novo espetáculo do ator, diretor e performer brasileiro João Paulo Lorenzon, em cartaz no Festival Off de Avignon. Onze anos após apresentar na cidade francesa Nijinsky – Minha Loucura é o Amor pela Humanidade, o artista volta a uma figura histórica que viveu nos limites da criação, da ruptura e da vertigem. Curiosamente, a obra não surgiu de um mergulho inicial na filosofia nietzschiana. “Eu não conhecia esse capítulo do Nietzsche”, conta Lorenzon. “Já tinha escutado falar muito da filosofia dele, tinha lido aqui e ali, mas eu não conhecia esse fato dele ter visto um cavalo sendo espancado, ter abraçado o cavalo para salvar o cavalo da violência e ter enlouquecido depois.” Leia tambémTeatro: Tiago Rodrigues projeta os próximos 80 anos de Avignon e convida o Brasil ao debate O que o capturou foi justamente a contraposição entre o pensamento de Nietzsche e o gesto desesperado diante da brutalidade. “Um filósofo que acreditava na potência humana de liberdade, de amor, de encontro, de dança, de arte, de criação, se vê encurralado pela potência da violência”, afirma. “Como se ele desistisse de acreditar que o ser humano é capaz de algo que não fosse a violência, como se a violência tivesse tomado conta de tudo.” Lorenzon se refere ao fato de que, após o episódio, Nietzsche escreveu as últimas mensagens conhecidas antes de seu colapso. “Ele enlouquece depois desse fato, e vive por mais dez anos sem produzir nada.” Mais do que reconstruir uma passagem biográfica, o espetáculo parte dessa imagem para formular perguntas contemporâneas. “Essa possibilidade dele ter se rendido a essa violência que vai tomando conta eu acho um ponto de partida muito rico para perguntar o que a gente faz com essa violência e como que a gente pode encontrar a ternura”, diz. “Como é que a gente pode encontrar outras ações que não a violência?” Lógica de dominação Ao mesmo tempo, a montagem desloca o olhar para uma questão ainda mais ampla: a fronteira entre humanidade e animalidade. Num momento em que os debates ambientais, éticos e filosóficos recolocam em discussão a posição dos seres humanos no mundo, Lorenzon utiliza o próprio título da obra como provocação. “Que cavalo é esse?”, pergunta. “Do cavalo nada sabemos. O próprio título já traz um pouco essa discussão. O humano que só sabe de si mesmo e que não sabe, não quer saber do outro.” Na leitura do artista, a relação estabelecida pela cultura ocidental com os outros seres vivos ainda é marcada por uma lógica de dominação.“O ser humano coloca o planeta Terra, o cavalo, enfim, as coisas todas como acessórios da sua existência”, afirma. A peça procura justamente inquirir sobre essa posição de superioridade. “Uma das questões do espetáculo é discutir esse lugar excepcional que o homem se coloca. Como que a gente pode viver com os animais? Como que a gente pode viver com o outro, seja humano, seja animal, seja o planeta Terra?” Leia tambémTeatro: Carolina Bianchi consagra trilogia Cadela Força com maratona de 10 horas na Ópera de Avignon Para Lorenzon, o trabalho se constrói em torno da tentativa de romper divisões consideradas naturais. “É um espetáculo que tenta discutir essa cisão natureza e cultura, essa cisão homem-animal, e se pergunta se não existe uma outra maneira de viver junto.” Se o pensamento filosófico fornece o impulso inicial, é o corpo que ocupa o centro da cena. Como em trabalhos anteriores, Lorenzon transforma a fisicalidade em instrumento de elaboração dramatúrgica.“Em geral, nos meus trabalhos eu começo pela palavra”, explica. “Eu acho um fragmento, alguma coisa que me encanta. E aí, a partir da palavra, o corpo vai ganhando espaço.” Mas o movimento não é unilateral. “O corpo vai agindo e vai também modificando a palavra. Ele em ação, ele em dor, ele em torção, ele em agitação, vai mudando a palavra. Tem uma dança ...
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  • Castelo medieval no interior da França vira palco para festival de música brasileira
    Jul 22 2026
    O que poderia parecer improvável se tornou realidade pelas mãos do francês Louis de Survilliers: juntar música brasileira a um castelo medieval do século 13 no interior da França. O Festival Quat'Sos Bossa & Jam mistura bossa nova, MPB e jazz em um ambiente medieval e intimista com vinhos da região de Bordeaux nos dias 24 e 25 de julho em La Réole, cidadezinha de cerca de 5 mil habitantes. O idealizador do evento é um músico francês de 33 anos, que passou parte da infância no Brasil, experiência que deixou marcas profundas em sua formação e ajudou a moldar o projeto. O cenário escolhido para o festival também tem um significado especial: o Château des Quat'Sos pertence à sua família e foi recuperado pelos pais há alguns anos. "Eu sempre sonhei em montar um festival em volta da música brasileira", conta Louis de Survilliers. Para ele, o encontro entre um monumento histórico e a música brasileira cria uma identidade única. "É a parte interessante do festival. Essa mistura da Idade Média com a música brasileira faz surgir um evento com uma identidade peculiar". A programação da terceira edição reflete justamente essa ideia de encontro entre culturas. Louis, que também se apresenta no festival com o projeto Louis na Bossa, explica que a maioria dos artistas convidados faz parte da cena musical que frequenta em Paris. Festival reúne diferentes gerações da MPB O resultado é um cartaz que reúne diferentes gerações e estilos da música brasileira. Na sexta-feira, sobem ao palco Louison Camio, a cantora paulistana Nanná Milano e o músico brasileiro Sidney Rodrigues, violonista radicado na França há mais de duas décadas e conhecido por seu trabalho entre a MPB, a bossa nova e o jazz. No sábado, a programação continua com Louis na Bossa, seguido pelo trio franco-brasileiro Nácar, que explora a fusão entre tradições afro-indígenas do Nordeste brasileiro e música eletrônica contemporânea. As duas noites terminam com uma jam session, proposta que ocupa um lugar central na filosofia do festival. "A ideia sempre foi dar uma visão global do Brasil, mostrar a cultura brasileira na sua diversidade", explica o organizador. "As jam sessions permitem que artistas de universos diferentes se encontrem, toquem juntos e criem justamente essa mistura." Relação com a música brasileira A relação de Louis com a música brasileira vem da infância. Filho de uma família ligada à música clássica, ele cresceu ouvindo os sons descobertos pelos pais durante os anos vividos no Brasil. “Eu venho de uma família de músicos clássicos. A minha tia é pianista, eu fiz conservatório, canto lírico. Quando meus pais descobriram a música brasileira, foi uma revelação para eles. Essa relação com a música brasileira vem desde quando eu era menininho”, conta Louis. “Sempre escutei música brasileira. É algo que faz parte de mim e procuro transmitir ao público, por meio da minha arte, a minha visão da música brasileira", diz. Para o músico, a força da música brasileira está justamente na capacidade de reunir características aparentemente contraditórias. "A música brasileira é uma mistura de sofisticação com simplicidade, talvez, porque a música brasileira consegue ser simples ao mesmo e, ao mesmo tempo, super complexa. É uma música muito alegre, mas que é triste também porque tem aquela coisa da saudade. A música brasileira não é só do gosto dos franceses, é uma música universal”, destaca. Leia também‘A música brasileira tem essa coisa que todo mundo gosta’: Festival de Choro reúne mestres em Roterdã Além dos concertos, o público poderá aproveitar vinhos da região de Bordeaux, food trucks e uma atmosfera intimista que diferencia o evento dos grandes festivais de verão. O Quat'Sos Bossa & Jam acontece nos dias 24 e 25 de julho, com abertura dos portões às 19h e início dos concertos às 20h, no Château des Quat'Sos, em La Réole. Os ingressos custam € 15 para um dia e € 20 para os dois dias do festival e podem ser encontrados nas redes sociais do Château des Quat'Sos.
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  • Universidade de Coimbra reforça presença no Brasil e aposta em inovação com empresas e Fiocruz
    Jul 24 2026
    A Universidade de Coimbra vai ampliar sua atuação no Brasil com a abertura de uma representação própria em São Paulo, prevista para os próximos meses. Mais do que reforçar a captação de estudantes brasileiros, a instituição portuguesa pretende aproximar sua produção científica do setor empresarial e ampliar projetos de inovação e transferência de conhecimento, a exemplo da parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Luiza Ramos, da RFI em Paris O vice-reitor para Inovação, Relação com Empresas e Empregabilidade da Universidade de Coimbra, Nuno Mendonça, afirmou à RFI que a iniciativa representa uma nova etapa da presença da universidade no país, voltada para o setor industrial e empresarial do Brasil. “Já temos um centro de estudos superiores instalado na Casa de Portugal, em São Paulo, desde 2024 (...) Agora estamos realizando um reposicionamento. Na Casa de Portugal, estamos mais direcionados aos alunos e à parte formativa, mas a partir de setembro vamos trabalhar mais a parte da inovação e do ecossistema empresarial brasileiro”, disse o vice-reitor. Para Mendonça, o Brasil oferece um ambiente estratégico para essa aproximação. “É uma evolução dessa presença em um mercado que é suficientemente grande e dinâmico”, pontua, “o termo correto é ampliação, um incremento daquilo que é a oferta da Universidade de Coimbra para o brasileiro como um todo”. O acadêmico explica que o objetivo é colocar a pesquisa e os pesquisadores da Universidade de Coimbra em contato com empresas brasileiras. Parcerias em saúde, agronegócio e tecnologia O vice-reitor também destacou que a universidade quer aprofundar cooperações já existentes com instituições brasileiras em diferentes áreas econômicas. “Seja com a Fiocruz na área da saúde, seja com a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) na área das petroquímicas, seja com o agronegócio, com o turismo ou com a economia azul”, enumerou. A parceria com a Fundação Oswaldo Cruz é uma das mais antigas. Segundo Mendonça, a colaboração tem sido revitalizada nos últimos anos e envolve iniciativas concretas de pesquisa e inovação. “Trabalhamos em formação conjunta, na introdução do medicamento antimalária produzido pela Farmanguinhos no mercado europeu por meio de Portugal, e avaliamos parcerias na área da radiofarmácia para uma oferta ao SUS (Sistema Único de Saúde)”, destacou. Ele acrescenta que a experiência na área da saúde poderá servir de modelo para novas cooperações em outros setores da economia brasileira. Troca de conhecimento em duas direções Embora Coimbra seja tradicionalmente associada à formação de estudantes brasileiros, Mendonça destaca que a relação vai além da mobilidade acadêmica. “O Brasil tem aqui um ecossistema singular que pode ser útil a toda a comunidade de países de língua portuguesa”, afirmou. Segundo ele, o dinamismo econômico brasileiro e a experiência de empresas nacionais em inovação devido à proximidade com o mercado americano, também representam oportunidades de aprendizado para Portugal. “Nós podemos nos beneficiar e aprender novos desafios e novas fronteiras de conhecimento que nos ajudem a desenvolver novas linhas de pesquisa”, disse. “A maior universidade brasileira fora do Brasil” Atualmente, cerca de 5 mil estudantes brasileiros frequentam a Universidade de Coimbra, uma das mais antigas da Europa. O vice-reitor acredita que a nova estrutura em São Paulo poderá fortalecer ainda mais essa ligação histórica, sobretudo ao aproximar a universidade do setor produtivo brasileiro. “Costumamos brincar que somos a maior universidade brasileira fora do Brasil. Existe uma ligação histórica muito forte entre Coimbra e o Brasil. Durante séculos, Coimbra foi a única universidade em todo o espaço lusófono. Sabemos que há um mercado em grande crescimento, com uma população jovem expressiva, o que pode nos ajudar a ampliar ainda mais o número de estudantes brasileiros”. Para Mendonça, o crescimento da população jovem brasileira e o fortalecimento das parcerias acadêmicas e empresariais podem ampliar ainda mais a presença de estudantes brasileiros na instituição. “Se trabalhamos com empresas do agronegócio que precisam de pesquisa, e se tivermos pesquisadores ou alunos de doutorado brasileiros que possam aprender conosco e levar esse conhecimento de volta para o Brasil, isso será uma contribuição importante para o desenvolvimento econômico”, concluiu.
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