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Estado da Arte

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Três especialistas apresentam e discutem temas de importância atemporal das humanidades, das artes e das ciências, expondo o melhor e mais atual estágio de conhecimento sobre cada assunto. Philosophy Science Social Sciences World
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  • Dom Quixote
    Jan 28 2026
    Ouça o podcast: Spotify | Deezer | Apple Podcasts Existem livros que são como cidades antigas: habitados por gerações, percorridos por caminhos óbvios e veredas secretas. E há os que são como caravelas em oceanos desconhecidos, onde cada leitor é simultaneamente navegante e vento, rasgando rotas que não deixam vestígios. Dom Quixote é as duas coisas. Uma história clara e fresca – acessível até às crianças – e, ao mesmo tempo, inesgotável como as grandes criações humanas. Paradoxalmente, a força de sua mensagem nasce da leveza de sua execução. Nela, se agitam forças contraditórias: a sátira e o lirismo; o impulso de desconstrução e o desejo de transcendência; o sublime e o ridículo. Nascido de uma vida temperada por batalhas, cativeiro, sonhos de grandeza e frustrações ainda maiores, o livro absorveu a irreverência das novelas picarescas, a observação psicológica da filosofia humanista e a crítica social do teatro para sintetizar a alma do Século de Ouro espanhol, suspensa entre a glória imperial e a melancolia da decadência, entre o canto de cisne do cavalheirismo medieval e o alvorecer da civilização burguesa. Mas mais do que retrato de seu tempo, Cervantes forjou um espelho da condição humana. Dom Quixote e Sancho Pança não encarnam apenas opostos, mas se complementam numa totalidade simbólica – um, a encarnação do idealismo que se choca com o real; o outro, a do realismo que humaniza o ideal. Sua jornada é uma peregrinação às raízes da existência, o diálogo interminável da alma consigo mesma: a poesia do sonho e a prosa da realidade; a ânsia do absoluto e o peso do corpo; o céu estrelado e a estrada poeirenta. Cervantes ri da fantasia sem zombar da esperança; critica a vida, mas abraça sua dignidade, mostrando que, quando há paixão moral, mesmo o delírio pode esconder verdades profundas, e, quando não há, a lucidez pode ser a maior das cegueiras. O riso que desmonta ilusões, é o mesmo que nos liberta para amarmos o mundo. Não é à toa que esta é a ficção mais popular de todos os tempos e o quarto livro mais vendido do planeta, atrás apenas de obras confessionais – a Bíblia, o Corão, o Livro Vermelho de Mao Tsé-Tung. Não há uma única vida que se queira humana sem trazer em si algo de uma aventura quixotesca; um só coração que não se recuse a reduzir a vida apenas ao que é visível. Com seu Cavaleiro da Triste Figura, Cervantes deu carne ao arquétipo universal do homem que luta pelo impossível, e cravou no coração da humanidade uma interrogação que jamais será calada – o que é mais louco: sonhar um mundo melhor ou se conformar ao mundo como ele é? Convidados Erivelto Carvalho: Professor de Literatura Espanhola da Universidade de Brasília e co-autor de Os Ibéricos: História, Liberdade e Literatura. José Luis Martinez Amaro: Professor de Literatura Espanhola da Universidade de Brasília e coordenador do grupo de pesquisa “Retórica e historiografia na literatura hispânica”. Maria Augusta da Costa Vieira: Professora de Literatura Espanhola da Universidade de São Paulo e autora de Dom Quixote: A Letra e os Caminhos. Referências Dom Quixote: A Letra e os Caminhos; Cervantes Plural; e A narrativa Engenhosa de Miguel de Cervantes: Estudos Cervantinos e Recepção do Quixote no Brasil, de Maria Augusta da Costa Vieira. Vida de Dom Quixote e Sancho (Vida de Don Quijote y Sancho), de Miguel de Unamuno.“Miguel de Cervantes” em O Cânone Ocidental (The Western Canon), de Harold Bloom. Lições sobre Dom Quixote (Lectures on Don Quixote), de Vladimir Nabokov.“Dulcineia Encantada”, em Mimesis de Erich Auerbach. Cervantes em “Antibarroco”, Capítulo VI, do Volume II da História da Literatura Ocidental, de Otto Maria Carpeaux. El Pensamiento de Cervantes, de Américo Castro. Don Quichotte, de Paul Hazard.Cervantes o la crítica de la lectura, de Carlos Fuentes. The Man Who Invented Fiction: How Cervantes Ushered in the Modern World, de William Egginton.Aproximación al Quijote, de Martín de Riquer. Cervantes’ Don Quixote: A Casebook, ed. por Roberto González Echevarría. Cervantes y su época, de R. León Máinez.Miguel de Cervantes Saavedra, de J. Fitzmaurice-Kelly. Cervantes y su obra, de A. Bonilla y San Martín.Don Quijote als Wortkunstwerk, de H. Hatzfeld.Sobre la génesis del Don Quijote, de J. Millé Jiménez.La invención del Don Quijote em de M. Azaña.Cervantes, de R. Rojas.Cervantes, de A.F.G. Bell.Sentido y forma del Don Quijote, de J. Casalduero.Intención y silencio en el Quijote, de R. Aguilera.“Dom Quixote”. Episódio do programa Literatura Universal com Maria Augusta da Costa Vieira. “Don Quixote”, episódio do programa In Our Time, da Radio BBC 4. Don Quijote y Cervantes em RNE, coleção de produções radiofônicas da RNE espanhola. “Cervantes y la leyenda de Don Quijote”, documentário da RTVE. “Un ...
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    59 mins
  • Os Jogos Olímpicos na Grécia Antiga
    Nov 1 2025
    Ouça o podcast: Spotify | Deezer | Apple Podcasts Seja qual for a sua espiritualidade, imagine o ritual que mais eleva o seu coração. Pense também na celebração cívica que mais excita suas paixões patrióticas. Agora, imagine uma cúpula geopolítica – com chefes de Estado, embaixadores e suas delegações. Um festival cultural – com arquitetura monumental, galerias de esculturas, récitas de poetas e filósofos, música, dança, truques de mágica. Acrescente uma feira de mercadores e inventores. Agora, coloque tudo isso sob o mesmo sol, e, bem no centro, atletas nus em competições de alta performance. Pronto, agora você tem um vislumbre do que eram os jogos olímpicos na Grécia Antiga. A disputa foi a quintessência da vida grega, o combustível de sua cultura. As cidades competiam entre si em leis e instituições; os poetas, em versos; os filósofos, em argumentos. Hesíodo desafiou Homero. Ésquilo e Sófocles concorriam nos festivais teatrais de Dionísio. Xenófanes contestava os poetas; Sócrates, os sofistas; os estoicos, epicuristas e céticos contestavam uns aos outros. A historiografia de Heródoto nasceu da guerra contra os persas e a de Tucídides da guerra entre Esparta e Atenas. A democracia era uma arena onde cidadãos disputavam o poder pela força da palavra. Os espaços de treino e disputas físicas foram sublimados e hoje consagram os nomes de nossas instituições culturais e educacionais: as palestras, a academia, os liceus, o ginásio. Mas se o espírito agônico dos helênicos foi destruição criativa, foi também criação destrutiva, que os impediu de forjarem uma nação, os mergulhou em guerras fratricidas e levou à sua capitulação sob potências estrangeiras. A política dividia as cidades gregas, a religião fracassou em uni-las – mas o esporte conseguiu. Nos jogos, o conflito se transformava em espetáculo e a rivalidade em celebração. Guerras eram suspensas pela trégua sacrossanta; caravanas atravessavam mares e montanhas; e a Grécia, eternamente dilacerada, conhecia por instantes a comunhão. Sob o calor e a poeira de Olímpia, sacrifícios e procissões conviviam com o ruído das corridas, o brilho das armaduras, o sangue e o suor das lutas. Menandro resumiu a cena em cinco palavras: “multidão, feira, acrobatas, entretenimento, ladrões”. Os jogos foram um microcosmo da cultura helênica e também sua apoteose; o ponto de fusão entre arte, política e fé, onde a Grécia não só reverenciava os deuses, mas celebrava o vigor humano. O atleta grego era uma encarnação do equilíbrio cósmico, um sacerdote do corpo. A coroa de oliveira, rústica e efêmera, valia mais que qualquer tesouro, porque simbolizava a consagração do indivíduo diante da eternidade – e a santificação da alegria coletiva. Os gregos humanizaram os deuses para divinizar os homens. E os jogos os treinavam nessa pedagogia da glória, ensinando-os a vencer sem soberba e a perder com dignidade, e os imergiam numa teologia do júbilo, unindo a religião e o prazer, a guerra e a dança, o esforço e a graça, a beleza e o bem – o corpo esculpido pelo exercício e a alma disciplinada pela virtude. Convidados Delfim Leão: Professor de Estudos Clássicos da Universidade de Coimbra. Gilberto da Silva Francisco: Professor de História Antiga na Universidade Federal da São Paulo. Nuno Simões Rodrigues: Professor de Letras Clássicas da Universidade de Lisboa. Referências O Espírito Olímpico no Novo Milênio, coordenação de Francisco Oliveira.A Brief History of the Olympic Games, de David C. YoungOlympia. Robin Waterfield. Los Juegos Olimpicos y el Deporte em GreciaI, de Fernando García Romero. The Olympic Games. The First Thousand Years, de M.I. Finley e H.W. Pleket.Olympia. The Classical Hellenic City-State Culture, de Thomas Heine Nielsen.“A ascensão da Grécia”, em A História da Civilização. V. II. A Vida da Grécia, de Will Durant.“Ancient Olympics”. Documentário do History Channel.“Olimpíadas”, no podcast História em Meia Hora. “The Olympic Games”, em The Games Odyssey Podcast. “Origins of the Olympics”, no podcast The Ancients. O post Os Jogos Olímpicos na Grécia Antiga apareceu primeiro em Estado da Arte.
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    1 hr and 5 mins
  • Hamlet
    Oct 9 2025
    Ouça o podcast: Spotify | Deezer | Apple Podcasts Responda rápido: qual peça de Shakespeare lhe vem primeiro à cabeça? Ou qual citação: “Ser ou não ser”? “Há mais coisas entre o céu e a terra do que sonha a nossa vã filosofia”? “O resto é silêncio”? Ou qual a primeira cena: um jovem de preto interpelando uma caveira? Será coincidência que por trás de tudo isso repouse um único nome? Hamlet é, de todas as obras do teatro moderno, a que exerce o fascínio mais persistente – e implacável. A tragédia do príncipe dilacerado entre a reflexão e a ação atravessa os séculos como um espelho oblíquo, turvo, fissurado da condição humana, onde cada época descobre suas próprias inquietações e conjura seus próprios fantasmas. A peça desafia toda classificação. É, a um tempo, drama familiar, meditação existencial, thriller político, crítica social e uma reflexão sobre o teatro e o próprio ato de representar. É intriga de corte, mas também metafísica do ser. É paralisia excruciante numa espiral de choques e rupturas. No coração do drama pulsa não só um vingador hesitante, mas um palco povoado por máscaras, danças macabras, jogos de aparência e silêncios perturbadores. Entre o espectro do pai assassinado, a mãe desposada pelo assassino, um amor despedaçado, amizades fraudulentas e uma carnificina apoteótica, o príncipe da Dinamarca – soturno, sardônico, sagaz – se move num labirinto de espelhos como um ator de si mesmo – ensaiando ações, testando palavras, pensando alto diante do abismo e transmutando a dúvida em imagens líricas de alta voltagem. Com sua tapeçaria de temas – a loucura e a razão, a justiça e o crime, a fantasia e a verdade, a corrupção do poder e a fragilidade da vida –, nenhum outro drama entrelaça com tanta densidade a inquietação filosófica e a paixão poética. Entre os solilóquios torturantes e o sarcasmo dos bobos, não só transbordam os dilemas do herói, mas a consciência moderna em ebulição. De Montaigne a Nietzsche, de Freud a Camus, Hamlet antecipa temas arquetípicos de nossa cultura: o “gênio melancólico” do romantismo, a “angústia da escolha” existencialista, os “complexos neuróticos” da psicanálise. Se Hamlet é um enigma, é também um espelho – e uma ferida. O que nele hesita, pensa. O que nele pensa, sangra. E o que sangra, pergunta. Pergunta como só a poesia sabe perguntar: sem esperar resposta – mas com a estranha esperança de que o ato de falar ainda possa nos redimir. Convidados José Francisco Hillal Botelho: escritor, poeta, crítico e tradutor de Shakespeare. Fernanda Medeiros: professora de Literatura Inglesa da Universidade do Estado do Rio de Janeiro e co-organizadora de O que você precisa saber sobre Shakespeare antes que o mundo acabe. Liana Leão: professora de Literatura Inglesa da Universidade Federal do Paraná e co-organizadora de O que você precisa saber sobre Shakespeare antes que o mundo acabe. Referências O que você precisa saber sobre Shakespeare antes que o mundo acabe, org. F. Medeiros e L. Leão. Shakespearean Tragedy (Tragédia Shakespeariana), de A.C. BradleyHamlet in Purgatory, de Stephen Greenblatt.Shakespeare: The Invention of the Human (Shakespeare: A Invenção do Humano) e Hamlet: Poem Unlimited (Hamlet: Poema Ilimitado), de Harold Bloom.Shakespeare Our Contemporary (Shakespeare, Nosso Contemporâneo), de Jan Kott Methuen.Hamlet and Oedipus (Hamlet e o Complexo de Édipo), de Ernest Jones.What Happens in Hamlet, de J. Dover Wilson.“Hamlet and His Problems”, em The Sacred Wood, de T.S. Eliot.The Cambridge Companion to Shakespeare (Guia Cambridge de Shakespeare), ed. por Emma Smith. “Hamlet”, entrevista para o programa In Our Time da rádio BBC 4.Discovering Hamlet, documentário de Lyndy Saville. Falando de Shakespeare e Shakespeare: o que as obras contam, de Barbara Heliodora. “Hamlet”, The Play Podcast.“Hamlet”, podcast Shakespeare for All.Hamlet e a filosofia, de Pedro Süssekind. Ilustração: gerada por IA. O post Hamlet apareceu primeiro em Estado da Arte.
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    1 hr
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