Neste episódio, damos um passo além da lógica clássica de “prever para controlar” e entramos no território dos Cisnes Vermelhos – dinâmicas que não apenas escapam às probabilidades, mas que questionam o próprio modelo mental com que organizações, governos e executivos enxergam riscos, oportunidades e futuro.
Em um mundo hiperconectado, tecnologia, clima, economia, geopolítica e comportamento social deixam de ser caixas separadas e formam um único tabuleiro de interdependências. Em vez de riscos isolados, lidamos com rupturas sistêmicas que reconfiguram mercados, cadeias de valor, instituições e a própria produção de conhecimento.
A partir do e-book sobre Cisnes Vermelhos e da perspectiva da t-Risk, exploramos como três grandes forças globais – inteligência artificial, crise climática e fragmentação geopolítica – atuam como motores de transformação profunda e pressionam a governança de riscos corporativa. IA torna-se infraestrutura cognitiva; o clima deixa de ser “variável externa” para se tornar condicionante estratégico; a geopolítica passa a interferir diretamente em energia, dados, alimentos e minerais críticos.
Trazemos esse debate para o contexto brasileiro: o Brasil como superpotência verde, detentor de ativos ambientais, energéticos e agrícolas estratégicos, inserido em disputas globais por recursos, transição energética e cadeias produtivas. Um laboratório de contradições, no qual risco sistêmico e oportunidade convivem: Amazônia, agro-digital, bioeconomia, minerais críticos e desigualdades estruturais.
Conectamos esse cenário à nova arte da estratégia em gestão de riscos, ancorada em três pilares centrais:
· Lógica paraconsistente na decisão: Em vez de negar contradições, aprendemos a operá-las: eficiência e vulnerabilidade, legado e disrupção, risco e oportunidade podem coexistir no mesmo fenômeno.
· Protocolo AVOIDING e navegação em incerteza radical: Uma abordagem orientada à antecipação, opções reais, experimentação controlada, redundâncias inteligentes e vigilância de sinais fracos. Menos obsessão por “acertar o cenário”, mais desenho de portfólios adaptativos de resposta.
· Organizações meta-adaptativas: Estruturas que revisam continuamente a forma como conhecem o mundo: métricas, apetite a risco, materialidade, incentivos, fluxos de informação e o papel do board diante de rupturas, não apenas de variações incrementais.
Fazemos conexões pontuais com o Capítulo 16, que apresentou o Relatório de Riscos 2026 e Além da t-Risk, mostrando como o conceito de Cisnes Vermelhos aprofunda a visão de portfólios de risco interdependentes. A mensagem é direta: não basta atualizar o mapa de riscos; é preciso atualizar a ontologia de risco da organização.
Dialogamos ainda com frameworks como ISO 31000, ISO 31050 e estruturas de governança e risco da OCDE, indicando onde seguem válidos, onde precisam ser reinterpretados e onde encontram limites diante das rupturas sistêmicas em curso.
Este capítulo é especialmente relevante para:
· conselhos de administração e comitês de riscos e auditoria;
· executivos de estratégia, inovação, sustentabilidade e transformação digital;
· líderes de segurança corporativa, segurança da informação e continuidade de negócios;
· gestores públicos e formuladores de políticas em contextos complexos.
Ao final, o convite é claro: ampliar o horizonte com que sua organização enxerga riscos hoje. Menos retrovisor, mais capacidade de navegar um futuro em que Cisnes Vermelhos deixam de ser exceção e passam a compor o novo contexto estrutural da tomada de decisão.