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  • Quanto vale a biodiversidade? COP17 na Armênia faz balanço de acordo histórico de proteção
    Oct 19 2026
    Apesar do aumento da importância da preservação da biodiversidade e dos acordos internacionais adotados nos últimos anos, a erosão das espécies não dá sinal de recuo. Nesta semana e na próxima, os quase 200 países membros da Convenção da Diversidade Biológica das Nações Unidas voltam a se reunir para a COP17 sobre o tema, em Yerevan, na Armênia. Na pauta, um primeiro balanço da implementação do histórico acordo de Kunming-Montreal, firmado em 2022. Lúcia Müzell, da RFI em Paris O tratado estabeleceu 23 objetivos a serem cumpridos até 2030 para o mundo reverter a perda da natureza, ameaçada pelo aquecimento global. Neste prazo, os países concordaram em proteger no mínimo 30% dos seus territórios marinhos e terrestres. Nos últimos 50 anos, o tamanho das populações de vertebrados selvagens no mundo diminuiu 73%, segundo recente relatório da organização Fundo Mundial para a Natureza (WWF). "Estamos chegando à metade do caminho até 2030 e, apesar de alguns avanços, inclusive no Brasil, o mundo ainda não está fazendo o suficiente para cumprir as metas do Marco Global de Biodiversidade", constata Michel Santos, gerente de políticas públicas da entidade no Brasil. "Não basta reconhecer que estamos atrasados. Precisamos de decisões concretas para acelerar a implementação, garantir financiamento adequado, fortalecer as políticas nacionais e melhorar o monitoramento dos resultados", diz ele, que acompanha a conferência na Armênia. Conectividade ecológica Para o Brasil, uma das prioridades no evento será incluir a noção da conectividade ecológica. Trata-se de melhor integrar os diferentes mecanismos de proteção – como unidades de conservação e terras indígenas, mas também a vegetação nativa nas propriedades privadas –, para beneficiar as espécies migratórias. "É uma relação de ganha-ganha, porque os serviços da natureza e as soluções baseadas na natureza dão mais estabilidade, mais segurança a todos os negócios", pontua Rita Mesquita, secretária nacional de Biodiversidade, Florestas e Direitos Animais do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima. "Não é apenas o negócio da sociobioeconomia. É também agronegócio, que é um carro-chefe do Brasil, mas que tem uma íntima dependência do funcionamento saudável dos ecossistemas", salienta. O Brasil, o país mais megadiverso do mundo, abriga entre 15 e 20% das espécies do planeta. Brasília chega a Yerevan tendo adotado uma série de políticas públicas importantes de proteção nos últimos anos, como a sua Estratégia e Plano de Ação Nacionais para a Biodiversidade (EPANB). Entretanto, a lacuna dos recursos para a implementação, estimados num total de R$ 25 bilhões por década pelo MMA, permanece aberta – não só para o Brasil, como para outros abrigos relevantes de biodiversidade, como outras nações sul-americanas, africanas e asiáticas. A meta global por ano, acordada na última COP, é de US$ 200 bilhões até 2030. "Não conseguiremos reverter a perda de biodiversidade enquanto os recursos destinados à sua conservação forem insuficientes e continuarmos financiando, em grande escala, atividades que degradam a natureza", frisa Michel Santos, da WWF Brasil. "É precisamos mobilizar mais recursos, reformar incentivos prejudiciais e garantir que os mecanismos financeiros respeitem os direitos e reconheçam o papel dos povos indígenas e das comunidades locais." Bioeconomia e créditos da biodiversidade Neste contexto, outra discussão em alta na conferência na Armênia é o cálculo do valor da biodiversidade, que inclui os debates sobre a bioeconomia. A chave é estabelecer parâmetros de sustentabilidade, com boas práticas e salvaguardas que garantam a proteção das espécies a longo prazo. Emerge também o debate sobre a formalização dos "créditos da biodiversidade", ou seja, a possibilidade de comercializar benefícios gerados à natureza ou compensar os danos causados a ela. O Brasil ainda não construiu o seu consenso interno sobre o tema, indica Rita Mesquita. "Créditos de biodiversidade, ou qualquer outro nome que deem, não vão ter um paralelo com créditos de carbono, porque a biodiversidade é insubstituível. Você tem uma biodiversidade de um lugar, você não vai compensar essa perda em outro lugar, com outra biodiversidade", explica a secretária do MMA. "Eu acho que essa é uma das razões que tem colocado um desafio para avançar a questão do conceito." A COP 17 sobre a Biodiversidade termina no dia 30 de outubro.
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  • Eleição e o 'ponto de não retorno' dos biomas: compromissos ambientais do Brasil até 2030 estão ameaçados
    Oct 9 2026
    O presidente que subir a rampa do Planalto em 1º de janeiro de 2027 assumirá o cargo em um período determinante para compromissos internacionais assumidos pelo Brasil na pasta ambiental – a começar pelo fim do desmatamento ilegal até 2030. O eventual descumprimento desses objetivos, em um momento em que os efeitos das mudanças climáticas se intensificam no planeta, coloca em risco o futuro dos biomas brasileiros, em especial a Amazônia, e suas populações. Lúcia Müzell, da RFI em Paris O professor Carlos Nobre, um dos cientistas do clima mais respeitados do Brasil e do mundo, tem alertado há anos sobre a necessidade de a devastação da Amazônia acabar antes mesmo de 2030. A redução da cobertura vegetal expõe o bioma a um colapso; um ponto a partir do qual a floresta não conseguirá mais se regenerar, e corre o risco de se transformar em uma savana. "A conexão entre o desmatamento e o aquecimento global que está colocando a Amazônia muito próxima do ponto de não retorno”, salienta. "Se não zeramos o desmatamento, a degradação, o fogo e, ao mesmo tempo, acelerarmos a restauração florestal até 2040, quatro dos nossos biomas – Amazônia, Cerrado, Pantanal e Caatinga – passarão do ponto de não retorno. Depois disso, entre 30 e 50 anos, nós vamos perder esses quatro biomas”, explica Nobre, pesquisador sênior no Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo (USP). Metas de desmatamento zero e restauração florestal No principal documento formalizado pelo Brasil junto à ONU, conhecido pela sigla de NDC (Contribuição Nacionalmente Determinada), o país se compromete a zerar a devastação das vegetações nativas e a restaurar 12 milhões de hectares de florestas no período do mandato do próximo presidente. "Essa meta não é difícil porque a maior parte do desmatamento no Brasil é ilegal. Com o governo Lula e a entrada da ministra Marina Silva, tivemos a reativação do Ibama, dos programas de combate ao desmatamento na Amazônia e no Cerrado, e isso fez com que os níveis de desmatamento ficassem em um nível historicamente baixo”, salienta Caroline Medeiros Frasson, diretora-executiva da Laclima, que reúne especialistas em Direito ambiental. "Ou seja, mostra que é muito possível." Carlos Nobre chama a atenção para o fato de que vários países amazônicos – Colômbia, Equador, Bolívia, Peru – estão sob governos de direita com tendência negacionista climática, o que pode comprometer o esforço conjunto regional de acabar com os desmatamentos. “Como são negacionistas da emergência climática, é difícil imaginar que eles vão zerar rapidamente o desmatamento, como haviam se comprometido em 2023. É um enorme risco que a Amazônia está correndo agora”, reitera o cientista. O fim da devastação é uma etapa fundamental para o Brasil atingir outro importante compromisso perante o Acordo de Paris sobre o clima: o de reduzir, até 2030, 43% das emissões de gases de efeito estufa, em relação aos índices de 2005. O corte e a queima da vegetação nativa respondem por cerca de 42% do total de emissões brasileiras, seguidos pela agricultura (29%) e o setor de energia (20%), conforme dados oficiais. Meta de redução de emissões "A gente tem uma meta de redução das emissões da nossa economia como um todo, para que a gente chegue em 2030 com 1,2 bilhão de toneladas de CO2 equivalentes. Para se ter uma ideia, só sete países hoje têm mais de 1 bilhão de toneladas emitidas por ano, e nós estamos nesse quadro dos grandes emissores mundiais”, explica Natalie Unterstell, especialista em políticas climáticas do Instituto Talanoa. "A gente está no caminho de cumprir. Por isso que esses próximos anos são fundamentais para a gente poder chegar lá." Além disso, em outros fóruns ambientais das Nações Unidas, o país também promete proteger 30% das suas áreas terrestres, costeiras e marinhas, com ênfase nas zonas prioritárias para a preservação da biodiversidade, e reabilitar 163 mil km² de terras degradadas – o equivalente a 1,9% do território brasileiro. Para alcançar esses e outros objetivos até 2030, e garantir o cumprimento da legislação ambiental em vigor, recursos financeiros e humanos para políticas públicas não poderão ser interrompidos. "Se a gente não atingir essas metas, vamos ter um aumento muito exponencial dos riscos de que os eventos extremos, como aconteceram no Rio Grande do Sul e como acontece agora quase todos os anos na Amazônia, de seca dos rios. Vai comprometer, de uma forma muito significativa, vários setores produtivos brasileiros, incluindo o nosso carro-chefe, que é a agropecuária”, ressalta Caroline Frasson. A diretora-executiva da Laclima observa ainda que as populações mais vulneráveis e de menor poder econômico são “as que mais vão sofrer” se o país descontinuar os esforços que têm sido feitos nos últimos ...
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  • Lula e Flávio querem aumentar exploração de petróleo e minerais, mas visões de futuro divergem
    Oct 1 2026
    O meio ambiente está quase ausente da campanha eleitoral no Brasil. Para a maioria dos presidenciáveis, o tema é sinônimo de uma oportunidade econômica, por meio da exploração dos recursos naturais do país. E se há um consenso entre os principais candidatos que concorrem ao Planalto, é o de que o Brasil deve apostar suas fichas na produção de dois valiosos patrimônios que repousam em seus subsolos: o petróleo e os minerais críticos. Ao longo do atual mandato do presidente Lula, o assunto causou embates internos no governo e arranhou a liderança climática global que o petista busca assumir. A produção e o consumo de combustíveis fósseis são a principal causa do aquecimento anormal do planeta. Agora, o candidato Lula, que concorre à reeleição, apresenta um programa de governo prevendo aumento dos investimentos na extração de petróleo e gás, mas também visa a transição energética como impulso para a industrialização. O Brasil prometeu apresentar este ano o seu "mapa do caminho" para o afastamento dos fósseis. Essa é a principal diferença entre a abordagem de Lula e a do candidato Flávio Bolsonaro, do PL, os favoritos para chegarem ao segundo turno do pleito, conforme antecipam as pesquisas. "Ele sempre entende a questão do petróleo como algo que, em algum momento não muito distante no tempo, a transição para as renováveis irá ocorrer", observa Roberto Schaeffer, professor de Economia da Energia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), integrante da Academia Brasileira de Ciências e ex-membro do IPCC, o painel de especialistas da ONU sobre as mudanças climáticas. "O discurso é muito alinhado a uma janela de oportunidade que se abre para o Brasil agora, enquanto ainda há uma demanda por petróleo no mundo e onde o Brasil pode oferecer esse petróleo", porém sempre chamando a atenção de que a transição energética é importante", complementa. Diferença de abordagem Flávio Bolsonaro, o principal candidato da direita, tem planos bem diferentes: não apenas é favorável ao aumento da produção de petróleo no Brasil, incluindo na margem equatorial, como quer liberar a controversa prática do fracking, proibida em vários países para a extração de gás não convencional. "Com o candidato Flávio, os detalhes nunca são fornecidos. A questão de mudança climática nunca é mencionada, e inclusive a gente vê nas entrelinhas uma postura meio negacionista em relação ao problema", frisa o professor da UFRJ. O especialista reconhece que a exploração do óleo pode ser uma oportunidade econômica para o Brasil, na medida em que a demanda global de petróleo ainda será alta nas próximas décadas. Entretanto, ao contrário do que afirmam os dois candidatos, o Brasil, um dos maiores exportadores do produto, "não precisa" aumentar o volume produzido hoje para garantir a sua própria segurança energética. Sem garantias sociambientais Schaeffer pontua que, independentemente de quem sair vencedor na eleição, essa nova frente de exploração, no norte do país, acarreta riscos socioambientais que hoje não estão descartados. "A história do mundo é que a riqueza advinda dessa exploração normalmente não reverteu em benefício das populações que sofreram os grandes impactos. Essa questão não é bem discutida por nenhum deles, dos possíveis impactos ambientais de acidentes que podem ocorrer e, mais importante ainda, os impactos econômicos e sociais para aquelas regiões", avalia. Outro argumento que o especialista desmonta é que os recursos do petróleo poderiam financiar a transição energética no país, incluindo os investimentos na eletrificação. Como a Petrobras não é uma estatal, a maior parte dos lucros vai para agentes privados, e não para o governo – embora a atividade aumente a arrecadação de impostos e gere royalties. "Não é exatamente esse dinheiro que irá financiar a transição energética no Brasil", salienta Schaeffer. Regulamentação da extração de minerais críticos Os dois principais candidatos também planejam ampliar a produção de minerais críticos e terras raras. Nos solos brasileiros, estima-se que estejam as segundas maiores reservas mundiais dessas matérias-primas, essenciais para a fabricação de produtos de alta tecnologia e a transição energética das economias para baixo carbono. O país acaba de aprovar um marco legal para o setor, primeiro passo para a definição das regras de criação da cadeia. Na próxima etapa, a cargo do futuro presidente, serão detalhadas as prioridades, procedimentos e controles da atuação das empresas, incluindo salvaguardas socioambientais e avaliação de impactos. É neste ponto que residem os riscos. "Para você fazer isso, tem que ser uma coisa bem pensada, porque é uma atividade capital intensiva e ambientalmente muito danosa", adverte o professor. "Não é uma tradição brasileira de planejar as ...
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  • 'Mutirão' na Amazônia tenta salvar botos de nova seca com chegada do El Niño
    Sep 10 2026
    Foi uma das imagens mais marcantes da seca recorde na Amazônia, em 2023 e 2024: centenas de botos não sobreviveram à última ocorrência do fenômeno climático El Niño, que, associado ao aumento das temperaturas no planeta, levou à morte em massa de um dos animais mais simbólicos do bioma. Agora, com o fenômeno voltando a se configurar com uma intensidade ainda maior, instituições, governos e comunidades locais se mobilizam para que a tragédia ambiental não se repita. Da última vez, mais de 300 botos não resistiram a uma temperatura que chegou quase aos 41 ºC nos lagos Tefé e Coari, no Amazonas. O caso, com repercussão internacional, ilustrou um drama que se multiplicou em diversos outros lagos amazônicos, mais vulneráveis à alta dos termômetros, à seca e à redução dos níveis de oxigênio na água. Milhões de peixes morreram, com impacto nos ecossistemas e também na alimentação e na economia locais, à base da pesca. "Os lagos são o ambiente mais vulnerável a esses eventos de seca, porque o rio tem um fluxo muito contínuo. Ele é fundo, não vai secar completamente. O rio, por ter essa turbulência, em uma velocidade alta, não esquenta da mesma maneira”, explica o pesquisador Ayan Fleischmann, engenheiro ambiental do Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, em Tefé. Os alertas da Organização Meteorológica Mundial (OMM), ligada à ONU, sobre a chegada de um novo El Niño, desta vez “muito forte”, ampliaram a vigilância na região, em um contexto em que os recordes de calor continuam a ser batidos. A entidade antecipa que, nessas condições, pelo menos um ano entre 2026 e 2030 será o mais quente jamais registrado – marca que hoje é de 2024. Outros fatores do aquecimento "Não é só o El Niño que justificou isso. A gente teve outros elementos importantes na origem dessa seca, como o aquecimento de parte do Oceano Atlântico Tropical Norte, diferente do El Niño, que aquece parte do Pacífico”, acrescenta Fleischmann. "Tudo indica que agora vai ser um El Niño muito forte, mas que tende a afetar mais a seca do ano que vem [na Amazônia]. A gente está na expectativa de que não gere uma seca tão forte nesse período de seca de 26, entre setembro, outubro e novembro.” O pesquisador coordena o projeto Lagos Sentinela da Amazônia, lançado em 2025 para a prevenção de uma nova catástrofe ambiental em cinco principais lagos dos rios Solimões e Amazonas. O programa conta com a participação ativa de cerca de 50 comunidades locais nos estados do Amazonas e Pará, que atuam na troca de informações – como alterações no comportamento dos animais – e na resposta imediata a eventuais anomalias. O objetivo é identificar com antecedência quando a situação se aproximar de um estado crítico e coordenar a reação para proteger os ecossistemas e populações. O acesso à água potável é uma das consequências mais dramáticas para ribeirinhos e moradores de áreas de várzea em períodos de seca extrema. Monitoramento intenso da água e do clima Por enquanto, os níveis da água, da temperatura e da oxigenação estão normais, indica Fleischmann, depois de um ano em que as cheias até superaram os números habituais. "A gente tem em dois pontos do lago sensores automáticos de temperatura da água, oxigênio dissolvido, que medem esses parâmetros de dez em dez minutos em várias profundidades do lago. Depois, em cinco comunidades, a gente tem temperatura de água sendo monitorada junto com as escolas das comunidades e também com sensores automáticos”, detalha. "Temos duas estações meteorológicas, que medem, de cinco em cinco minutos, o vento, a velocidade do vento, direção do vento, a chuva, a temperatura do ar, a umidade do ar. A gente ainda tem seis pontos do lago que a gente monitora mensalmente, e aí já são mais de 30 parâmetros físico-químicos e biológicos. Ou seja, a gente chega nessa nova seca com uma análise bastante avançada de como é o estado do lago, a normalidade dele”, complementa. Medidas de emergência O pesquisador sublinha que é impossível impedir uma nova mortalidade de botos, peixes e outros animais, uma vez que o aquecimento dos lagos não pode ser contido. Entretanto, medidas como o redirecionamento das espécies para áreas menos afetadas se mostraram eficazes no último episódio de seca – algo que poderá se repetir, com o apoio técnico do Instituto Chico Mendes de Biodiversidade (ICMBio), habilitado para este tipo de operação. "Essa imprevisibilidade do clima é um fator presente agora. Isso traz, por um lado, muito medo, mas, por outro, traz uma certa tendência de mobilização em direção a uma adaptação maior”, salienta.
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  • Em ano de recordes climáticos, pauta ambiental desaparece da campanha eleitoral no Brasil
    Sep 17 2026
    As eleições de 2026 no Brasil ocorrem em um ano marcado por enchentes e ciclones no sul e sudeste do país, enquanto o risco de uma nova seca extrema ameaça o norte. No mundo, recordes sem precedentes de temperaturas foram registradas no hemisfério norte e os desastres climáticos, como as enchentes no Nepal e no Tibete, dão mais uma amostra da desregulação do clima. Mesmo assim, a pauta ambiental desapareceu da campanha eleitoral, a poucas semanas do encontro dos eleitores brasileiros com as urnas. Lúcia Müzell, da RFI em Paris O vazio é reflexo dos próprios programas de governo apresentados pelos candidatos. Dos seis principais nomes, apenas o atual mandatário, Luiz Inácio Lula da Silva (coligação da esquerda liderada pelo PT), traz uma proposta à altura do desafio climático. Para os demais cinco aspirantes a presidente – Flávio Bolsonaro, Augusto Cury, Renan Santos, Ronaldo Caiado e Romeu Zema –, a questão é colocada de forma vaga, sem detalhes sobre aspectos importantes como a redução de emissões de gases de efeito estufa. A campanha eleitoral ocorre em meio à maior crise institucional envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF), que monopoliza as atenções da imprensa no país. Mas isso não significa que o eleitor brasileiro menospreze a importância do combate às mudanças climáticas. Pesquisas acadêmicas já demonstraram que os fenômenos extremos influenciam o voto. “Eu acho que o que está faltando para aumentar a convicção do voto ‘verde' é esse candidato que incorporou a questão colocar a discussão no cotidiano das pessoas. As chuvas, os eventos extremos, etc., fazem parte do nosso cotidiano das pessoas e isso tem que estar na boca dos candidatos a presidente do Brasil”, pontua Leila da Costa Ferreira, professora de sociologia ambiental da Unicamp. "Quando se fala disso, fica uma coisa que parece estratosférica, parece que é em outro planeta. Não é: é aqui no seu quintal, na sua cidade e no seu estado, no seu país – e é global”, afirma. Eleitor se importa com a crise climática Um levantamento realizado pelo instituto Ipsos a pedido do Observatório do Clima – rede de quase 200 organizações socioambientais – acaba de mostrar que 91% dos brasileiros consideram “importante” que os candidatos façam propostas para enfrentar as mudanças climáticas; para 62%, essa é uma questão “muito importante”. “Com todas as crises políticas que nós tivemos, e também as atuais, houve um desvio da preocupação do eleitor em relação a essa questão. Só que esse desvio é péssimo, porque essa discussão é política, é social e tem a ver com as questões da nossa vivência contemporânea”, frisa Ferreira. O Observatório do Clima passou um pente fino nos programas de governo dos principais candidatos e na atuação parlamentar dos que já exerceram no Legislativo. O resultado é que não apenas a pauta ambiental é quase inexistente, como a maioria dos presidenciáveis trabalha no sentido contrário, de negar ou rejeitar a importância do assunto. “Eu acho que a explicação para isso é que a maioria das candidaturas são ligadas ao campo da direita ou da extrema direita. Você tem muitos candidatos que acham que a crise climática, o furacão, a seca, a enchente, é uma questão ideológica, que eles podem negar e que, ao negar, não vai acontecer”, sublinha o secretário-executivo do OC, Márcio Astrini. “Quando o presidente da República vira as costas para a realidade, ele não trata do assunto. Ele não toma medidas para proteger a população, que fica totalmente entregue às circunstâncias.” Risco para o meio ambiente e a Amazônia O principal opositor de Lula no pleito, o senador Flávio Bolsonaro, nem mesmo reconhece a existência de uma crise do clima, e menciona sete propostas “antiambientais”, como ampliar a infraestrutura de petróleo e liberar a controversa técnica do fracking para a extração do óleo. Em sua participação na série de entrevistas com os candidatos no Jornal Nacional, da TV Globo, o filho do ex-presidente minimizou a ação humana como causadora dos “eventos climáticos extremos”, como preferiu se referir às mudanças do clima. Entretanto, a pesquisa Ipsos revelou que 87% dos eleitores concordam que a crise climática está provocando secas, chuvas intensas e ondas de calor. Para 79%, o tema deve ser uma prioridade do próximo governo, “mesmo que implique custos econômicos”. A narrativa de Flávio Bolsonaro antecipa um eventual governo focado em desregulamentações ambientais para facilitar atividades como agricultura, pecuária e mineração – muitas vezes em detrimento do meio ambiente e das populações locais. “Não me surpreenderia se ele seguisse os passos do pai e que o Brasil amanhã se veja fora do Acordo de Paris, virando as costas para qualquer agenda de clima”, diz Astrini. “É extremamente preocupante: refazer o que o ...
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  • Na COP da Desertificação, Brasil apresenta metas e EUA lideram oposição a novo marco global
    Aug 27 2026
    A 17ª Conferência da ONU de Combate à Desertificação, na Mongólia, chega à reta final em um impasse sobre a adoção de um instrumento internacional que envolva os países nesta pauta após 2030. Apesar da seca e ondas de calor recordes que afetam o hemisfério norte, os países desenvolvidos, com os Estados Unidos à frente, se opõem a um acordo diplomático à altura do problema. Lúcia Müzell, da RFI em Paris Realizada a cada dois anos, a COP da Desertificação dá destaque para as regiões mais esquecidas do sul do globo – a conferência chegou a ter o apelido de “COP dos pobres”. Entretanto, as mudanças do clima estão ameaçando os solos e levando seca a muitos outros lugares, o que acabou por reforçar a importância da reunião. O próprio Brasil, que costumava participar timidamente do evento, desta vez desembarcou em Ulaanbaatar com uma delegação recorde de cerca de 100 pessoas, incluindo representantes do Ministério da Agricultura. As áreas de clima semiárido aumentaram, em média, cerca de 75 mil km² por década no país, conforme dados do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden). O processo de aridez é mais avançado na Caatinga e em partes do Cerrado. “Me parece que alguns setores e países passam a olhar para essa conferência com um olhar um pouco mais de atenção, porque sabem que, se a gente seguir nessa rota de perda da capacidade produtiva, avançando na degradação da terra e no processo de desertificação, também haverá um prejuízo do ponto de vista das economias globais, da segurança alimentar, da disponibilidade de água”, constata Alexandre Pires, diretor do Departamento de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima. Ameaça de retrocesso Com grandes áreas ameaçadas pelos efeitos da seca, os Estados Unidos participam da conferência. Trata-se da única das três grandes convenções ambientais da ONU da qual Washington não se retirou. No entanto, os americanos mantêm uma postura de bloqueio que ameaça uma das principais expectativas do evento na Mongólia: adotar um marco global para o enfrentamento da seca, a exemplo dos que existem para as mudanças climáticas e a biodiversidade. “Tem um contexto geopolítico que está alterando as decisões do multilateralismo de um modo geral. Eu tenho muita dúvida se nós vamos conseguir construir um instrumento vinculante”, lamenta Pires. “A diplomacia do Brasil segue com o cuidado de não perder aquilo que nós já avançamos na COP16, em Riad, na Arábia Saudita. O que nós estamos buscando é não retroceder ao que já foi decidido pelas partes.” A discussão sobre o financiamento das medidas de combate à desertificação, em especial nos países pobres, é um dos principais focos de atrito nas negociações. Enquanto as nações africanas têm pressa por soluções, as desenvolvidas alegam que já disponibilizam bilhões em recursos para a descarbonização das economias. O Brasil tem defendido um melhor equilíbrio nos investimentos internacionais, de modo que as verbas também beneficiem a conservação e regeneração dos solos. A COP17 da Desertificação se encerra nesta sexta-feira (28), ao fim de duas semanas de reuniões entre os 197 países participantes. Brasil apresenta metas O governo brasileiro formalizou no evento as metas do país para a pasta, mais de 10 anos depois da adoção do primeiro compromisso global sobre o tema. O objetivo será beneficiar 367 milhões de hectares de terras com políticas de preservação ou neutralização do processo de degradação. Entre as medidas, estão a demarcação de territórios indígenas e de unidades de conservação, além de programas de combate a incêndios e de promoção da agricultura sustentável. Um dos primeiros desafios para a implementação será a captação de recursos, aponta Carlos Magno de Moraes (Brasil), coordenador executivo do Centro de Desenvolvimento Agroecológico Sabiá, na Caatinga, e observador da COP17. “O Brasil coloca uma meta bastante ambiciosa, ficou entre os top 20 de mais ambição. Tem alguns recursos alocados, e é importante também puxar os bancos para essa conversa, só que a gente não tem um fundo que destine recursos para a degradação. É algo que a gente tem sugerido”, aponta Moraes. “Mesmo assim, eu tendo a acreditar que o Brasil, que está entre as 10 economias do mundo, tem a obrigação de destinar recursos nacionais para isso.” De acordo com dados oficiais, cerca de 28% do território brasileiro apresentam algum nível de degradação e mais de 55 milhões de hectares já apresentam tendência à deterioração, com impacto na vida de 39 milhões de pessoas no país.
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  • COP da Desertificação na Mongólia: seca pode atingir 75% da população mundial e desafia também o Brasil
    Aug 17 2026
    Mudanças climáticas, desmatamento, práticas agrícolas inadequadas e expansão das monoculturas estão acelerando a degradação dos solos em diversas regiões do planeta. Para discutir soluções para essa crise ambiental crescente, representantes de governos, cientistas, organizações da sociedade civil e do setor privado participam da COP17 da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD), aberta nesta segunda-feira (17) e que acontece até 28 de agosto em Ulan Bator, na Mongólia. Menos conhecida do que as grandes conferências internacionais sobre clima e biodiversidade, a COP da Desertificação busca chamar atenção para um problema que afeta diretamente a segurança alimentar, a disponibilidade de água e os meios de subsistência de bilhões de pessoas. A desertificação não é o avanço do deserto, como explica Jean-Luc Chotte, pesquisador emérito do Instituto Francês de Pesquisa para o Desenvolvimento (IRD) e especialista em solos. "É a degradação dos solos, a deterioração de suas propriedades físicas, químicas e biológicas, observada em áreas de climas áridos, semiáridos e subúmidos secos. Mas estes lugares não estão desertos: ali vivem agricultores, pastores, muita gente. O termo desertificação é, portanto, complicado", completa. Sob o lema "Restaurar as terras, restaurar a esperança", a conferência ocorre em um contexto alarmante. Cerca de 40% das áreas terrestres do planeta apresentam algum grau de degradação, afetando diretamente 3,2 bilhões de pessoas. A cada ano, aproximadamente 100 milhões de hectares de terras saudáveis e produtivas são perdidos, com prejuízos econômicos estimados em US$ 880 bilhões. As projeções também preocupam. Segundo dados apresentados no âmbito da Convenção, até 2050 a seca poderá atingir três quartos da população mundial. Já a partir de 2030, cerca de 700 milhões de pessoas poderão ser deslocadas em consequência dos efeitos da escassez de água e da degradação dos ecossistemas. Para Tamsir Mbaye, pesquisador do Instituto Senegalês de Pesquisa Agrícola, o evento da Mongólia acontece em um momento decisivo. "A COP17 acontece num momento em que a degradação das terras se tornou uma ameaça global, com consequências diretas para a segurança alimentar, a disponibilidade de água e os meios de subsistência de milhões de pessoas." Após uma COP16 que terminou sem grandes avanços em Riad, na Arábia Saudita, há dois anos, Mbaye considera que chegou o momento de transformar compromissos em ações concretas. Segundo ele, a degradação dos solos assume características diferentes conforme o nível de desenvolvimento dos países. Nas economias mais ricas, ela é frequentemente mascarada pelo uso intensivo de fertilizantes e outros insumos agrícolas. Já nos países mais pobres, especialmente na África Subsaariana, a baixa produtividade e o difícil acesso a esses recursos aumentam a vulnerabilidade das populações rurais. Apesar do cenário preocupante, o pesquisador destaca que existem soluções comprovadas. A Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação estima em cerca de US$ 1 bilhão por dia os investimentos necessários para restaurar os solos degradados no mundo. "Será preciso restaurar as árvores, os solos e os sistemas agrícolas. Se olharmos para o exemplo do Senegal, temos experiências promissoras. Os resultados mostram que, ao associar a pesquisa, o poder público e outros atores, como as ONGs, é possível restaurar os solos e melhorar a renda das populações", afirma. "Restaurar os solos não é apenas proteger o meio ambiente. É investir na paz, na resiliência e no desenvolvimento." A avaliação é compartilhada por Sandra Rulliere, vice-responsável pela Divisão de Agricultura, Desenvolvimento Rural e Biodiversidade da Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD). Segundo ela, os custos da restauração são elevados, mas os retornos econômicos justificam amplamente os investimentos. "Os investimentos necessários são enormes, mas têm retorno econômico. Dados da Convenção de Combate à Desertificação indicam que cada dólar investido na restauração de terras degradadas gera entre sete e trinta dólares em benefícios." Para a especialista, recuperar áreas degradadas significa responder simultaneamente a vários desafios globais. "Investir na saúde dos solos é investir na segurança alimentar; é investir no clima, porque os solos armazenam carbono; e é investir na nossa capacidade de adaptação às mudanças climáticas. Uma terra saudável resiste melhor aos eventos climáticos extremos", analisa. Ela destaca ainda o papel dos solos na retenção de água. "Quando um solo consegue captar e conservar água por ser rico em matéria orgânica, essa água pode ser devolvida às plantas, aumentando sua capacidade de crescimento e produção." Brasil leva experiência do Semiárido para a COP17 O Brasil participa da ...
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  • O cheiro também polui: livro francês evidencia impacto de poluições sensoriais nos ecossistemas
    Jul 30 2026
    Os excessos de luz e sons artificiais, mas também de odores estranhos à natureza, têm ganhado espaço no balanço de impacto ambiental das atividades humanas. Os sons e cheiros podem ter consequências tão nefastas aos ecossistemas quanto a iluminação noturna, estudada há mais tempo pela ciência. Os danos de uma atividade ou empreendimento vão muito além dos efeitos físicos e diretos no ambiente, como a derrubada de árvores e a contaminação de rios. É o que mostra o ecólogo francês Romain Sordello, autor de pesquisas que se transformaram no livro "Poluições sensoriais: face oculta da nossa pegada ecológica?". “Se pegamos o exemplo de uma estrada, vemos que existe um rastro físico associado ao asfalto, que é claramente definido. Mas há também uma marca sensorial ainda mais extensa, envolvendo a iluminação pública, os faróis dos carros, o ruído dos motores, os odores como os gases de escapamento dos veículos”, explica. “Todos esses fenômenos se propagam pelo ambiente e pela paisagem, irradiando-se a partir da fonte emissora por ondas ou partículas. Esse impacto pode se estender por centenas de metros, ou até mesmo quilômetros de distância da fonte”, complementa. Vaga-lumes ameaçados Já faz mais de 10 anos que o pesquisador do Museu de História Natural de Paris estuda a poluição luminosa, cujo efeito é fatal para alguns tipos de insetos — mas ainda é pouco levado em conta nas decisões de iluminação dos espaços públicos, principalmente nas cidades. “As mariposas ficam ‘presas’ pela luz dos postes: elas voam em círculos em volta da luz a noite toda e morrem de exaustão, pelo superaquecimento das lâmpadas, por se chocarem contra elas”, indica. No Brasil, uma das principais vítimas são os vaga-lumes: a luz artificial afeta a comunicação e a reprodução destes besouros bioluminescentes, que correm risco de extinção em 30 anos, alertam pesquisadores. Os impactos negativos da iluminação nas cidades são conhecidos há mais de um século – e foram apontados pela primeira vez por astrônomos, cujo trabalho de observação do espaço é diretamente afetado. “O problema é como você utiliza a luz artificial. A gente usa de modo excessivo e sempre muito mal instalado. A luz acaba indo para cima da linha do horizonte e para além das áreas para as quais ela foi planejada, e aí ocorre o efeito de apagamento das estrelas”, detalha Tânia Dominici, doutora em Astronomia e pesquisadora do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). “Além disso, como a gente vem descobrindo nas últimas décadas, tem um impacto muito grande na biodiversidade e na saúde humana”. Sensibilidades de espécies são distintas das de humanos O mais grave, salienta Romain Sordello, é que as poluições sensoriais só são levadas a sério pelos decisores quando afetam os humanos — enquanto plantas e animais têm sensibilidades diferentes das nossas à luz, aos sons e aos odores. A luz desempenha papel fundamental no desenvolvimento dos vegetais. Junto com os sons, serve de guia para milhões de espécies se localizarem, se comunicarem, se alimentarem ou se protegerem, durante o dia como à noite. Para outras, é o olfato o sentido mais importante, que acaba perturbado por odores dispersados no ambiente pelos humanos, como agrotóxicos, lixo e indústrias. O óxido de nitrogênio, por exemplo, altera os aromas florais e prejudica a polinização pelos insetos. Mas a poluição olfativa começa antes mesmo da dispersão de novos odores, explica o pesquisador: ela se inicia no momento da intervenção humana em um ambiente, que interfere na produção natural de odores pelas plantas e os solos. A simples modificação de uma paisagem enfraquece os seus cheiros originais, importantes para os seres vivos que nela habitam. Noção de ‘sobriedade’ minimiza impactos O ecólogo salienta que não apenas os ecossistemas terrestres são atingidos, mas também os aquáticos e aéreos. Algumas espécies terão mais facilidade para se adaptar, enquanto outras entrarão em declínio e até em risco de vida. “Para mim, o principal é o conceito de sobriedade, moderação: tentar minimizar o nosso impacto, agir com sensatez quanto à forma como utilizamos os recursos. Iluminar as áreas o mínimo possível e apenas quando necessário, quando alguém passa pelo local”, sublinha o pesquisador francês. “Quanto a ruídos e odores, estamos falando dos processos industriais, do planejamento do uso do solo e da nossa mobilidade, incluindo o uso de automóveis. Essa reflexão pode nos levar a desafiar práticas, hábitos e comportamentos em uma ampla gama de setores, da agricultura à indústria”. O autor nota que, por enquanto, nenhum país é referência na dimensão transversal das poluições sensoriais, que podem ter maior potencial de dispersão no ambiente do que a poluição física. O combate às perturbações luminosas avançou bastante, ...
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