• Brasil aposta em SIAL Paris para ampliar exportações e prevê US$ 3,5 bilhões em negócios
    Oct 21 2026
    De bebidas a carnes, passando por frutas, castanhas e produtos da agricultura familiar, o agronegócio brasileiro está reunido nos arredores de Paris para a SIAL, uma das maiores feiras profissionais do setor agroalimentar do mundo. O evento termina nesta quarta-feira (21) com a expectativa de gerar US$ 3,5 bilhões em negócios para os produtores nacionais. Maria Paula Carvalho, da RFI em Paris Ao todo, 156 empresas brasileiras ocupam mais de 2,5 mil metros quadrados de estandes para apresentar seus produtos a compradores do mundo inteiro. A participação reflete a diversidade do setor, reunindo desde grandes exportadores de proteínas animais até pequenas cooperativas da agricultura familiar. Entre as empresas presentes está a Netto Foods, de São Paulo, especializada em ovos processados. Com mais de 25 anos de mercado, a empresa destina atualmente 90% da produção ao Brasil, mas já está presente em 15 países e quer ampliar sua participação no mercado internacional. “Nós processamos atualmente mais de 5 milhões de ovos por dia em três plantas produtivas no Brasil", explica Fausto Clemente, gestor de negócios da empresa. "Nós produzimos o ovo líquido processado, o ovo líquido em pó e você também encontra o ovo separado, ou seja, a clara em pó, a clara líquida, a gema em pó e a gema líquida, que são aplicáveis para os diversos segmentos onde o mercado necessita”, completa. Segundo Clemente, entre as vantagens desse tipo de produto estão a segurança alimentar, a redução do desperdício e uma maior padronização na indústria. “Você tem alguns benefícios. A questão da segurança alimentar, que é o fator primordial, mas você consegue padronizar suas receitas. Então você consegue controlar os seus processos, controlar os seus custos e evitar desperdício”, acrescenta. A participação na SIAL também faz parte da estratégia da empresa para ganhar espaço na Europa. “O nosso plano é realmente estar aqui, olhar, ver o que está acontecendo. E o mais importante: construir o relacionamento com parceiros na União Europeia”, afirma. Carne brasileira busca ampliar presença internacional As proteínas animais ocupam um lugar de destaque entre os produtos brasileiros apresentados em Paris. O setor de carne bovina participa da feira por meio do projeto Brazilian Beef, desenvolvido pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC) em parceria com a ApexBrasil. Segundo Roberto Perosa, presidente da ABIEC, a presença continuada em eventos internacionais é importante para consolidar mercados para o produto brasileiro. “Faz 12 anos que a gente vem pra cá junto com a Apex, onde nós temos um projeto em parceria com a Apex que chama Brazilian Beef. A gente divulga a carne de boi no mundo inteiro. Em todos os continentes. E a gente exporta para 177 países. Então, por isso a importância da gente fazer essa promoção comercial contínua e continuar as vendas de carne bovina para o mundo.” Perosa também destaca o crescimento da capacidade produtiva do setor nos últimos anos. “Veja que há seis anos, em 2020, o Brasil abateu cerca de 30 milhões de animais e processou 30 milhões de bois nos frigoríficos e, no último ano, nós processamos 42,9 milhões, crescemos quase 50%. Isso mostra a capacidade da produção pecuária brasileira de aumentar a produção, mas também a capacidade da indústria de processar todo esse material”, destaca Perosa. Ao todo, a SIAL reúne 295 mil profissionais de aproximadamente 194 países. Importadores, distribuidores, varejistas, redes de supermercados, indústrias, restaurantes e hotéis circulam pela feira em busca de fornecedores, produtos e tendências para o mercado de alimentos e bebidas. Para Laudemir Müller, presidente da ApexBrasil, a dimensão do evento oferece às empresas brasileiras uma oportunidade de estabelecer contatos que podem se transformar em contratos mesmo depois do encerramento da feira. “Esperamos ter uma venda recorde em torno de 3,5 bilhões de dólares nesta feira, o que mostra a importância do Brasil e estamos muito satisfeitos não só com esse resultado que esperamos ter, mas também com o conhecimento, porque é sempre bom saber que o Brasil está aqui com consistência, que o Brasil chega cada vez com mais força e as nossas empresas, nossos produtores rurais, façam contatos e possam se engajar com compradores internacionais, porque às vezes o negócio não acontece na feira, mas acontece depois”, analisa. Agricultura familiar estreia na feira Uma das novidades da participação brasileira nesta edição é a presença de dez cooperativas da agricultura familiar. Elas apresentam produtos ligados à biodiversidade brasileira, à sustentabilidade, ao comércio justo, à bioeconomia e ao desenvolvimento regional. “Toda a indústria do agronegócio está aqui. Mas também estamos trazendo a agricultura familiar, os pequenos empreendimentos da agricultura...
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  • Exportações disparam com acordo Mercosul-UE, mas barreiras ainda travam setores estratégicos
    Oct 28 2026
    A entrada em vigor provisória, em 1º de maio de 2026, do Acordo Comercial entre o Mercosul e a União Europeia (UE) aumentou as expectativas de produtores brasileiros que buscam ampliar sua presença no mercado europeu. Dos grandes frigoríficos aos pequenos fruticultores, empresas e cooperativas estão de olho em novos consumidores e esperam se beneficiar de tarifas mais competitivas para conquistar espaço nos países do bloco. Maria Paula Carvalho, da RFI em Paris É o caso de José Fábio Soares, de Minas Gerais, que começa a levar para a França produtos originários do Cerrado. A Cooperativa Grande Sertão acaba de entregar três toneladas de óleo de pequi a um parceiro comercial francês. Para ele, a redução dos custos de importação já começa a fazer diferença na competitividade do produto. “Com certeza essa carga de óleo de pequi que nós mandamos para cá já foi, de certa forma, beneficiada com redução dos impostos com esse acordo com o Mercosul", comemora. "Nós tivemos uma redução bastante significativa de imposto no processo de importação dos nossos parceiros aqui na França. Então, automaticamente, a gente consegue entregar um produto de nicho de mercado. Não é uma commodity. E quando tem esse benefício fiscal e tributário, com certeza a gente vai conseguir entregar ele com preço mais competitivo, um preço mais baixo e consequentemente, nós vamos conseguir ampliar um pouco mais os volumes entregues”, acredita. Rico em vitamina A, o óleo de pequi é usado na alimentação e também pela indústria de cosméticos. Para Soares, a exportação representa ainda a possibilidade de gerar renda para famílias ligadas ao extrativismo sustentável. “É a realização de um sonho. A gente está conseguindo trazer esses produtos que beneficiam de fato as famílias, que beneficiam a mulher, o jovem, as pessoas que estão no campo, que praticam extrativismo sustentável. É um trabalho, uma oportunidade, com base na agroecologia, na conservação, na proteção do meio ambiente”, analisa. Exportações em alta Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), as exportações brasileiras para a União Europeia somaram US$ 27,2 bilhões entre maio e setembro de 2026, alta de 30,6% em relação ao mesmo período de 2025. O novo ambiente comercial pode ampliar o acesso de produtos brasileiros ao mercado europeu, avalia Pedro Neto, gerente de Agronegócios da ApexBrasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos). Segundo ele, as oportunidades não se limitam às grandes empresas e podem chegar a cooperativas e pequenos produtores. “O acordo com a União Europeia abre muita oportunidade real para o cooperativismo brasileiro, para micro, pequenas empresas e para os pequenos negócios do setor rural e também da economia urbana, da economia industrial do nosso país", avalia. "No caso da apicultura, por exemplo, uma cooperativa do semiárido brasileiro de pequenos produtores começou a conseguir exportar para a Alemanha, porque agora, com o acordo, a questão tarifária ficou mais favorável frente aos nossos concorrentes. Estamos concorrendo numa igualdade de condições", completa. "Então, temos vários exemplos disso acontecendo, das oportunidades do acordo chegando lá na ponta”, destaca. O acordo entre o Mercosul e a UE prevê a redução ou eliminação progressiva de tarifas aduaneiras. Alguns produtos passam a contar com benefícios tarifários mais rapidamente, enquanto outros seguem cronogramas graduais de redução ao longo dos próximos anos. Para Pedro Neto, a legislação ambiental brasileira oferece condições para que o país responda às exigências do mercado europeu. “A gente tem no Brasil uma legislação ambiental muito restritiva, que é muito acima do que vai acontecer no mundo todo e que é, inclusive, fiscalizada por satélite. É uma coisa que qualquer um pode ver. Então, a gente tem uma legislação muito robusta. A gente está muito seguro quanto a ela. A gente está na mínima histórica de desmatamento no nosso país. É claro que o ideal é o desmatamento ilegal zero. Mas a gente consegue ver que está dando certo”, analisa. Barreiras ainda preocupam setor de carnes A abertura comercial, no entanto, não elimina os obstáculos enfrentados pelos exportadores brasileiros. Questões sanitárias e requisitos de acesso ao mercado europeu continuam no centro das preocupações de setores ligados aos produtos de origem animal. Roberto Perosa, presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC), considera contraditório que, depois de duas décadas de negociações, produtos importantes da pauta brasileira ainda encontrem restrições para entrar no mercado europeu. “O acordo do Mercosul União Europeia demorou 20 anos para sair e não é admissível que os principais produtos produzidos pelo Brasil, no dia um do acordo sejam ...
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  • Escândalos na campanha ofuscam debate sobre melhora da economia e futuro do Brasil
    Sep 30 2026
    A sequência quase diária de escândalos financeiros e institucionais no Brasil tomou conta da campanha eleitoral, deixando de lado o debate aprofundado de temas fundamentais para o futuro do país, a começar pela economia. As pesquisas mostram que o custo de vida é uma das principais preocupações dos eleitores. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chega ao fim do mandato com bons indicadores, como o baixo desemprego, os juros em trajetória de queda e a inflação relativamente sob controle, em um contexto de forte pressão internacional devido ao aumento global dos preços da energia. Entretanto, o alto endividamento das famílias e o custo elevado do crédito pesam no orçamento dos brasileiros. A redução das perspectivas de crescimento econômico, que agora é de 2% em 2026, conforme o governo, reflete essa conjuntura sob tensão. “O que as estatísticas mostram é que a economia vai bem”, salienta o economista e sociólogo Gilson Schwartz, professor da USP. “Mas por que a melhora de indicadores tão importantes – renda, crescimento – não se transforma, pelo menos na mesma proporção, em um indicador de satisfação com a economia? Mesmo quando existe esse aumento de satisfação, nem sempre isso se converte em voto no governo. Existem outras dimensões que acabam afetando a expectativa política”, complementa. Violência no topo, à frente de corrupção, saúde e economia A violência é o principal problema do Brasil para cerca de 30% dos eleitores, indicam as pesquisas. Na sequência, três tópicos costumam se alternar, com em torno de 14% cada: corrupção, saúde e economia. No último levantamento da Quaest, em setembro, a situação econômica disparou entre as principais preocupações, sendo mencionada por 19% dos interrogados. “A inflação está sob controle, mas os preços já vêm, há algum tempo, em um patamar bastante elevado. O nosso problema é como aumentar a renda”, analisa Carlos Melo, cientista político do Insper. “Por decreto, aumentando o salário mínimo? Se você fizer só isso, você só vai criar inflação e não vai resolver nada. Você precisa aumentar renda pelo aumento de produtividade – e nós não temos tido isso há muito tempo.” No plano econômico, os dois principais candidatos no pleito, Lula e o senador Flávio Bolsonaro, oferecem projetos antagônicos ao país. Enquanto o petista representa a continuidade das políticas focadas no combate às desigualdades, o candidato do PL quer revisar a Reforma Tributária e promover um amplo corte de despesas públicas, a começar pelo funcionalismo, a exemplo do vizinho argentino Javier Milei ou o americano Donald Trump. Já Lula mantém o foco no arcabouço fiscal em vigor. O petista busca equilibrar as contas públicas pela arrecadação, e não pela diminuição dos gastos. A dívida pública ultrapassa os 82% do PIB brasileiro, a maior taxa em cinco anos. Receita para equilibrar as contas públicas – e das famílias O ajuste fiscal também se reflete nas famílias. Quase um terço da população brasileira – ou mais da metade dos adultos – está endividada. A espiral negativa é causada por fatores como acesso fácil a crédito a juros altos, apostas online e aumento dos custos de vida. O programa Desenrola, de apoio à regularização financeira, e o aperto contra as bets ainda não surtiram os resultados esperados por muitos eleitores. “Acho que o eleitor médio não tem informação suficiente sobre quais são os indicadores relevantes. É um tema muito aberto a debate e, em geral, ele cai em enunciados mais populistas, do tipo ‘vou gastar tudo’ ou ‘vou gastar nada’”, salienta Schwartz. “A realidade é mais complexa. É uma combinação de variáveis como juros, taxa de câmbio, taxa de crescimento, dívida pública e déficit público. Nem o Flávio, nem o Lula têm essa proposta”, constata o economista da USP, ao observar a ausência de um debate sobre um modelo de desenvolvimento a ser adotado no Brasil. Projeto de futuro Quanto à política externa, a guerra comercial e a diversificação de parceiros, o impacto dos conflitos internacionais nas cadeias globais de abastecimento e atração de investimentos em setores em que o Brasil tem forte potencial, como minerais críticos, são temas praticamente ausentes das campanhas, nota Carlos Melo. “Se discute muito o presente, mas não o futuro”, reitera o cientista político do Insper. “Qual é o papel do Brasil no novo concerto das nações, numa sociedade altamente tecnológica, com inteligência artificial? Qual o papel do Brasil num mundo novamente dividido do ponto de vista da geopolítica e de grupos de países poderosos hegemônicos nas suas regiões? Seria muito importante que a eleição trouxesse essa agenda, mas isso simplesmente não aparece.”
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  • Pela primeira vez, Salão do Automóvel de Paris tem número equivalente de marcas chinesas e europeias
    Oct 12 2026
    A entrada dos veículos elétricos chineses no mercado europeu atingiu uma marca simbólica: no Salão do Automóvel de Paris, aberto nesta segunda-feira (12), o número de fabricantes chinesas iguala o de europeias. A participação de marcas do país asiático dobrou em relação à última feira, em 2022, com um total de 20 montadoras. Não é preciso andar muito para constatar essa “invasão” chinesa: já no primeiro pavilhão, nomes ainda pouco conhecidos no continente, como a Li Auto, buscam ganhar espaço no mercado europeu. “Essa é a nossa primeira vez no Salão de Paris e também na Europa. Estamos muito empolgados. Trouxemos os nossos melhores modelos”, celebra Jaffy Xiao, porta-voz da montadora. “Este aqui, o i6, foi especialmente pensado nos nossos clientes europeus, e todo o chassi, a experiência dinâmica e a parte de software são daqui.” Depois do fechamento do mercado norte-americano, o continente virou uma prioridade para a expansão das marcas chinesas de carros elétricos. As exportações de veículos híbridos para a UE triplicaram no primeiro semestre do ano, atingindo US$ 7,5 bilhões. Focada na gama premium para famílias e na condução autônoma, a Li Auto é a número 1 dos carros elétricos e híbridos de luxo na China – que ainda têm pouca penetração na clientela europeia. “Nós entendemos esse tipo de estereótipo, mas vamos provar a nossa capacidade com os nossos produtos”, diz Jaffy Xiao. Grandes estandes Marcas com presença mais consolidada, como SAIC, Chery e a BYD, que dominam 90% das vendas de veículos chineses no bloco europeu, chegam ao Salão do Automóvel com grandes estandes e uma dezena de modelos cada. Lionel French Keogh, diretor operacional do Grupo Chery na França, nota que os preços mais competitivos, apesar das tarifas de importação impostas pela União Europeia, levam os carros da China a conquistarem cada vez mais espaço. “Teremos meio milhão de pessoas passando aqui e vai ser uma oportunidade para mostrarmos os nossos produtos e as nossas tecnologias, para que os clientes franceses compreendam que hoje os carros chineses são, pelo menos, tão bons quanto as montadoras tradicionais com as quais eles estão acostumados”, afirma. “Chegamos aqui com todos os carros eletrificados, muito seguros e com tabelas de preços mais acessíveis que as dos fabricantes europeus tradicionais. Isso dá às pessoas a chance de comprar um veículo bom e novo, algo que muitos clientes não conseguiam mais”, sublinha Keogh. Os carros chineses já representam 10% das vendas de veículos na Europa. A estratégia de penetração na região passa por fabricar uma parte crescente dos carros no próprio continente, mas também inclui prazos longos de garantia (sete anos no caso da Chery), ampla rede de assistência técnica e estoques de peças. Avanço da Geely Além disso, a Geely promoveu uma ambiciosa campanha de aquisição ou associação a marcas tradicionais europeias, como Volvo, Aston Martin e Smart. No ano passado, o grupo chinês comprou 26% da Renault do Brasil – o terceiro mercado mais importante da marca francesa. “Nós, como Renault no Brasil, temos acesso à tecnologia da Geely. Estamos produzindo a nova plataforma e no ano que vem vamos ter um carro Renault em cima de uma plataforma da Geely: um carro totalmente Renault, com a cara Renault, com design Renault e utilizando uma tecnologia híbrida disponível da marca Geely. É realmente um ganha-ganha para o consumidor brasileiro”, justifica Caique Ferreira, diretor de comunicação da fabricante no país. “O objetivo é produzir no Brasil. Podemos completar a gama com carros importados, mas estamos caminhando para nacionalizar o máximo, produzir no Brasil, gerar empregos no Brasil, gerar impostos no Brasil. Aqui na Europa, a Renault segue sozinha e aberta a algumas parcerias, mas sempre com a Renault liderando a parte de tecnologia”, complementa. Acordo para limitar importação Na Europa, onde a indústria automotiva tem maior peso na economia, o avanço chinês é visto com preocupação. Bruxelas acaba de finalizar um acordo com Pequim que inclui um limite de 350 mil unidades híbridas e híbridas plug-in importadas da China por ano. Nos pavilhões do salão nesta segunda-feira, o presidente francês, Emmanuel Macron, defendeu a medida como “uma forma de proteger” a indústria do bloco “da concorrência desleal". “A concorrência faz parte do jogo. O importante sempre é ter regras claras”, observa Caique Ferreira. “Já tivemos concorrência no passado, a chegada dos americanos, dos japoneses e dos coreanos. Agora, é dos chineses.”
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  • Minerais raros: apesar de potencial único, Brasil arrisca repetir modelo de exportador de commodities
    Sep 9 2026
    Dono das segundas maiores reservas mundiais de minerais críticos, o Brasil acaba de aprovar no Congresso um projeto de lei que cria a política nacional de desenvolvimento do setor. O potencial da exploração desses recursos, cobiçados por potências como os Estados Unidos e a Europa, é estimado em centenas de bilhões de reais. Entretanto, o país ainda tem lacunas importantes a superar para se tornar uma liderança global. Lúcia Müzell, da RFI em Paris O projeto de lei, que seguiu para sanção presidencial, visa liberar investimentos de longo prazo, de até R$ 7 bilhões em incentivos governamentais e contribuições privadas para impulsionar projetos de exploração dessas riquezas. "Sem dúvida, o projeto é um avanço, principalmente porque o Brasil finalmente começa a tratar minerais críticos como uma política de Estado. Agora, quando nós estamos falando de futuro, precisamos discutir se os instrumentos criados por ele serão suficientes para mudar a nossa posição na cadeia de produção, ou apenas ampliar a nossa capacidade de produzir”, pondera Jaques Paes, executivo da indústria minerária, pesquisador e professor em MBAs de Sustentabilidade e Estratégia na Fundação Getúlio Vargas (FGV). "A partir do momento em que nós fornecemos o recurso, o retorno de curto prazo pode reduzir o incentivo para construir um retorno industrial de longo prazo." Uma vez adotada a lei, virá a etapa crucial da regulamentação, com o detalhamento de prioridades, procedimentos e controles da atuação das empresas. Um dos principais objetivos é desenvolver a cadeia de refino no próprio Brasil, na esperança de romper com a dinâmica histórica de o país ser apenas exportador de matérias-primas. Avançar no processamento e industrialização "É aí que eu acho que o Brasil tem que mirar. Ele tem que ter como alvo a industrialização e usar a etapa de processamento para ir ganhando espaço no mercado internacional, e conhecimento para chegar na parte de industrialização”, ressalta Rosana Santos, diretora-executiva do Instituto E+ Transição Energética. "Temos um parque incipiente, mas temos as condições de absorção de um parque mais complexo." O projeto de lei (PL) enquadra a atuação de empresas ou governos estrangeiros no país e cria um conselho, controlado pelo Estado, para homologar mudanças no controle societário de empresas do setor – o que pode acabar sendo um freio para os investidores, à mercê das mudanças no Planalto. A segurança jurídica é crucial para atrair os investimentos que a cadeia carece. O escopo do texto é amplo, ao incluir não apenas terras raras e os minerais críticos, com baixa disponibilidade no mundo, mas também os minerais estratégicos, importantes particularmente para o Brasil e sua balança comercial, como o minério de ferro. O risco do modelo minério de ferro Hoje, a China é, de longe, a maior potência global em produção e exportação desses elementos, com reservas estimadas em 44 milhões de toneladas. O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) aponta que o Brasil possui cerca de 23% das terras raras mapeadas no planeta, com 21 milhões de toneladas, concentradas principalmente nos estados de Minas Gerais, Goiás, Amazonas, Bahia e Sergipe. No entanto, o país produz menos de 1% do consumo global desses materiais, fundamentais para as indústrias de tecnologia, de defesa e a transição energética. Leia tambémOCDE vê oportunidade para Brasil e América Latina com demanda mundial por terras raras O Brasil, afirma Paes, está "muito distante” de conseguir explorar o potencial que os minerais raros representam. A capacidade instalada de processamento e refino no país é quase nula. "Nós temos um processo muito importante e muito bem avançado na lavra, que é a primeira parte. Só que na mineração, quanto mais distante nós vamos ficando da lavra, maior é o valor agregado que nós temos. Pegue o exemplo do minério de ferro: nós exportamos minério e importamos aço”, salienta o executivo. "Para mim, essa é uma das lacunas que o PL poderia explorar mais: as parcerias públicas e privadas. As empresas que estão aqui no Brasil têm competência para isso, só que elas precisam de uma segurança para fazer”, reitera. PL não direciona para política industrial clara Os dois analistas ouvidos pela RFI avaliam que o projeto de lei falhou ao não determinar as condições para incentivar uma política industrial para o setor, em meio a uma acirrada concorrência internacional. A mineradora americana USA Rare Earth acaba de concluir a aquisição da Serra Verde, a única produtora de terras raras no Brasil, em Minaçu (Goiás). "Na criação do fundo, não se diferenciou o dinheiro que vai para exploração, o que vai para o beneficiamento ou para industrialização. Se isso não for especificado na regulamentação, eventualmente essa alocação de dinheiro vai ficar toda na fase de ...
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  • Crise ‘mais do que crítica’ na Volkswagen coloca filiais sob pressão, mas Brasil vê oportunidade
    Aug 26 2026
    A situação “mais do que crítica” da Volkswagen, nas palavras do próprio CEO de uma das montadoras mais tradicionais do mundo, coloca sob pressão as filiais espalhadas pelo globo. A reestruturação em curso poderá atingir cerca de 100 mil empregos, com foco na Alemanha. O grupo tem mais de 630 mil funcionários, principalmente na Europa e na China, mas também em países como México e Brasil. Nesta semana, a direção realiza uma série de reuniões na Alemanha para tentar avançar no plano de cortes de custos – um primeiro plano de 50 mil demissões já está em curso. O presidente do Grupo Volkswagen, Oliver Blume, disse que a empresa e a indústria automotiva alemã como um todo enfrentam “a maior turbulência de sua história”, em meio a um cenário econômico global desfavorável e à concorrência da China. Além disso, os custos da produção na Europa estariam mais de 30% acima dos concorrentes. Blume reconheceu que “não vê como as fábricas de Emden, Hannover, Zwickau e Neckarsulm poderão permanecer lucrativas na próxima década”. “A gente não pode falar que a Volkswagen é uma empresa que semana que vem vai fechar. Volkswagen está vendendo muito. A questão é o que está sobrando para reinvestimento. Esse é o grande problema”, resume Milad Kalume Neto, experiente analista do mercado automobilístico e diretor-executivo da K-Lume Consultoria. “Não é um cartão vermelho. É um sinal de atenção do presidente: ‘a gente precisa agir porque, no longo prazo, vai ter problema. No longo prazo, as nossas operações aqui estão sob risco’.” Diante do avanço dos modelos elétricos chineses, a maior fabricante de veículos da Europa enfrenta o desafio do excesso de produção, com um excedente anual de 500 mil unidades no continente. As margens atuais da Volkswagen, de em torno de 4%, são insuficientes para financiar os investimentos em novas tecnologias, produtos e fábricas. Plantas como a de Osnabrück poderão migrar para outros setores industriais, como a defesa. Choque chinês e guerra comercial “Uma empresa chinesa pensa assim: em processos produtivos de estamparia, ferramentaria, pintura, eu faço como vocês todos, Volkswagen, empresas alemãs, italianas, coreanas. O que vocês têm de diferente? Eu tenho eletrificação, conectividade e tenho itens de segurança de baixo custo. E vocês, o que têm para mostrar ao mundo?”, explica Kalume Neto. “Essa é a grande briga entre os dois modelos industriais. O problema não está na Alemanha, está na indústria tradicional. A indústria alemã já era de alta escala, mas quando a gente vê o modelo chinês, é de muito mais alta escala”, afirma. O mercado chinês, pilar da rentabilidade da marca alemã por décadas, desmoronou: no segundo trimestre, as vendas da Volkswagen no país caíram 31% no período de um ano. Para piorar, a guerra comercial dos Estados Unidos impacta ainda mais na conta, em especial sobre a Porsche e a Audi, controladas pela Volkswagen. As tarifas americanas pesam cerca de € 5 bilhões anuais para o grupo. Neste contexto delicado, as negociações com os sindicatos de trabalhadores e governos estaduais na Alemanha – o da Baixa Saxônia é um grande acionista do grupo – ocorrem sob tensão. O poderoso sindicato IG Metall alertou que não aceitará o fechamento de fábricas. Brasil bem posicionado Milad avalia que cortes mais drásticos de custos serão inevitáveis e permitirão ao grupo atuar de forma mais globalizada. “Pode ser uma oportunidade para a Volkswagen do Brasil, que tem zero problemas. Não vejo nenhum tipo de risco. Tem uma rede de concessionários gigante, uma das maiores que a gente tem aqui, uma marca muito forte e um histórico consolidado”, salienta. “Isso significa dizer que a Volkswagen Alemanha vai trazer a produção dela para cá? Não, não vejo isso. Mas vejo como um potencial contributivo para a Volkswagen como um todo.” O especialista menciona a expertise na fabricação de veículos de pequeno e médio porte e a tecnologia do etanol como diferenciais do grupo no país, que poderiam ser levados a outros mercados. Essa também é a aposta do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC paulista, onde estão situadas três das quatro unidades da marca alemã no Brasil. “O que nós vamos ser cobrados é para fazer algum tipo de pequenas estruturações ou reduções de custos. A empresa sempre coloca isso, não é uma novidade para nós”, indica o presidente do sindicato, Wellington Messias Damasceno, funcionário da Volkswagen há 25 anos. A operação brasileira representa um alívio no contexto turbulento: a empresa registrou o maior crescimento de vendas na região (+10,6%) no primeiro semestre de 2026, tornando-se o terceiro maior mercado global do grupo. Os planos de investimento de R$ 20 bilhões até 2028 estão mantidos. "As quatro fábricas estão equalizadas. Elas produzem com sua capacidade máxima, em dois turnos”, observa ...
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  • Calor extremo derruba produção agrícola na Europa e expõe riscos de modelo intensivo
    Jul 30 2026
    As ondas sucessivas de calor que atingem a Europa anunciam um ano dramático para a agricultura no bloco. Os números, ainda provisórios, colocam o setor em alerta e aceleram a necessidade de adaptação às mudanças do clima, com a ampliação de técnicas de cultivo mais resilientes ao aumento das temperaturas e períodos de seca. Diversos cultivos antecipam graves prejuízos em 2026, como hortaliças, frutas, cereais, leite e frango. Uma análise da Energy and Climate Intelligence Unit revelou que as ondas de calor recorde de junho, que ocorreram no momento crítico do enchimento dos grãos de cereais, cortaram pelo menos 9 milhões de toneladas da safra na Europa. A estimativa de prejuízo, ainda provisória, é de € 2 bilhões, com o milho representando a metade desta cifra. Entre os países mais atingidos, a França está em primeiro lugar, seguida da Hungria, Espanha, Alemanha e Áustria. Na França, o setor do leite também “desmoronou” até 30%, conforme a região, indicou a ministra da Agricultura, Annie Genevard, em um balanço nesta segunda-feira (27). A produtora Amandine Yverneau, na região parisiense, relata à RFI o que viveu. “Tivemos uma queda de cerca de 5 quilos por animal na produção de leite, ao longo de uma semana, o que representa uma perda de cerca de € 2 mil”, lamenta. “A temperatura ideal para as vacas fica entre 2°C e 15°C. É nessa faixa que elas se sentem mais confortáveis”. Durante a segunda onda de calor excepcional que atingiu o país, no fim de junho, Amandine correu para instalar um sistema de ventilação na propriedade e evitar prejuízos ainda maiores. Valor do investimento: € 30 mil, para atender a 200 vacas leiteiras. “É um custo que beneficia os animais, mas assumir esse investimento não é fácil. É preciso ter fluxo de caixa à disposição”, disse. “Seria bom se pudéssemos contar com subsídios para financiar esses ventiladores. Muitas pequenas propriedades não têm esse dinheiro sobrando”. Impacto no ritmo de trabalho Além da queda da produção, as altas temperaturas representam uma ameaça real à vida dos animais. O governo francês contabilizou mais de 9,1 mil toneladas de animais mortos em todo o país após a onda de calor de junho, principalmente aves. As condições climáticas extremas e a ameaça de incêndios florestais também prejudicam o ritmo de trabalho nas fazendas. Dezenas de prefeituras proibiram a colheita das 14h às 19h, para evitar o risco de fogo em meio à seca extrema, gerando custos adicionais para os agricultores. Outras atividades paralelas também são afetadas, com um efeito dominó na economia. O governo francês diminuiu a previsão de crescimento do PIB de 0,9% para 0,7% em 2026. “Tem um problema de produtividade, que nós compreendemos. Estão todos aguentando essa situação”, afirma Didier Massy, presidente da Confederação de Pequenas e Médias Empresas de Nouvelle-Aquitaine, uma das regiões mais afetadas pelo fogo. “Seria interessante poder ter um regime de desemprego parcial, porque, mesmo se a gente começar às 6h, continuar até depois do meio-dia é arriscado e perigoso”. Agricultura regenerativa e agroflorestal Especialistas do Instituto Nacional de Pesquisas para a Agricultura, a Alimentação e o Meio Ambiente (Inrae) chamam a atenção para a urgência de práticas agrícolas que favoreçam os estoques de água nos solos, como a regenerativa e a agroflorestal. O cultivo intensivo, advertem, contribui para o empobrecimento da terra, deixando-a mais sensível às secas. Entretanto, em um país profundamente apegado às tradições agrícolas históricas de cada região, a ideia de diversificação da produção gera tensões. As temperaturas 3°C acima da média histórica no continente são uma amostra do que está por vir pela frente, afirmam climatologistas. Ignorar este alerta levará os prejuízos a se tornarem cada vez maiores, ressalta o economista Frédéric Bizard, à RFI. “Precisamos integrar tudo isso num plano de saúde pública, que nos falta absurdamente. Senão, a cada onda de calor, teremos uma crise”, frisa. “Isso precisa ser integrado na gestão normal do mundo do trabalho, afinal as altas temperaturas não são mais surpresas, e sim são cada vez mais algo para o qual podemos nos programar”.
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  • Tarifas dos EUA empurraram Brasil para outros parceiros comerciais, mas dependência chinesa preocupa
    Jul 15 2026
    A instabilidade do comércio com os Estados Unidos desde a volta de Donald Trump à Casa Branca reduziu a fatia das exportações brasileiras para o país ao menor patamar em 200 anos, mas impulsionou a diversificação de parceiros. O choque provocado por Trump também serviu de alerta para os riscos da dependência de um número limitado de grandes compradores – a começar pela China, destino de 31,5% dos produtos vendidos pelo Brasil. Lúcia Müzell, da RFI em Paris O impacto do vai e vem das tarifas de importação impostas pelos Estados Unidos ainda está sendo assimilado pelos setores não beneficiados por isenções. Muitos haviam estruturado suas cadeias produtivas em torno do mercado americano, como o de metais, da madeira e de diversas manufaturas. "No setor de café solúvel, 50% da exportação brasileira ia para os Estados Unidos. Eles aumentaram as vendas para outros destinos, mas mesmo assim a participação era muito grande. A mesma coisa ocorre com aço, alumínio e cobre", explica Welber Barral, especialista em comércio internacional com vasta experiência na pasta. "Os Estados Unidos eram um grande comprador há muitas décadas, então você não consegue diversificar imediatamente. Para os calçados, por exemplo, os EUA não são um grande destino para o setor como um todo, mas algumas empresas em particular dependiam muito do mercado americano", observa. As barreiras comerciais prejudicam também os importadores. Grandes empresas como Coca-Cola e Tesla sinalizaram que não é tão simples substituir o café, o suco de laranja e os metais raros que costumavam comprar do Brasil com tarifas baixas. O consumidor americano acaba pagando essa conta. A confiança abalada acelera o afastamento Do lado dos parceiros do país, a confiança sai abalada. “No caso do Brasil, a consequência imediata é apressar um divórcio ou um processo de decoupling que já está sendo feito nos últimos 20 anos. É claro que a conjuntura afeta, mas é a continuação de uma tendência de um país que era o maior parceiro comercial brasileiro em muitas décadas, e que deixou de ser e vem em queda constante”, salienta Carlos Frederico Coelho, professor de comércio internacional da PUC Rio. "O tarifaço não inaugurou esse movimento, mas ele certamente o acelera.” Os anúncios intempestivos de Trump amplificaram no mundo um movimento de abertura de novas parcerias e intensificação das existentes. Desde 2025, junto com o Mercosul, cinco frentes avançaram para o Brasil: os acordos comerciais com a União Europeia, o EFTA (Noruega, Suíça, Liechtenstein e Islândia) e Singapura foram fechados, além da abertura de negociações com o Japão e a reativação diplomática para a conclusão das tratativas com Emirados Árabes Unidos, Canadá, Índia, Vietnã e Indonésia. O resultado é que, até 2024, apenas 12% das exportações brasileiras eram cobertas por acordos comerciais, e a parcela subiu para 31%. No ano passado, os números do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) confirmam a diversificação, com recordes de exportações para 42 países. A Alemanha, por exemplo, se consolidou como a quarta maior parceira e pretende dobrar as trocas com o Brasil nos próximos cinco anos. “Um efeito indireto e provavelmente não desejado por Trump foi o aumento desses acordos do Brasil e de vários outros países, para tentar diversificar do mercado americano. E não é só o Mercosul”, sublinha Welber Barral, ex-secretário brasileiro de Comércio Exterior. “Se você olhar, países como Indonésia avançaram muito em novos acordos. A própria União Europeia avançou no acordo com a Índia”, aponta. O risco chinês A queda de 6,6% nas importações do Brasil pelos Estados Unidos foi compensada pelo aumento equivalente para a China e a Argentina, respectivamente o primeiro e o terceiro principais parceiros comerciais do Brasil. Hoje, Pequim absorve quase um terço das exportações brasileiras. "Diversificar é um pouco mais complexo do que se fala. O que preocupa nas trocas comerciais com a China é que, quando você analisa essa pauta, quase 90% está concentrado em quatro produtos: carnes, minério, soja e petróleo”, adverte Coelho. "Isso deveria nos assustar, porque se a China desacelerar, o Brasil vai sofrer imensamente. Não é desejável, para países tão distantes, que o Brasil tenha 30% das exportações indo para um só país." Barral concorda com os riscos dessa nova dependência, mas pondera que as trocas com os países asiáticos em geral também estão em alta, a exemplo da Índia, Indonésia e Vietnã. "Outros países asiáticos também podem se tornar grandes importadores no futuro, principalmente de commodities agrícolas”, afirma.
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