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  • ‘Ainda temos esperanças de encontrar pessoas com vida’, diz chefe da missão brasileira na Venezuela
    Jul 3 2026

    Missão brasileira mantém buscas por sobreviventes dos terremotos, reforça atendimento médico em La Guaira e oferece apoio ao processo de reconstrução das áreas atingidas.

    Pedro Pannunzio, correspondente da RFI em Caracas

    Nesta quinta-feira (2), um milagre aconteceu na Venezuela. Depois de oito dias debaixo dos escombros, Hernan Gil, um vigilante do estacionamento de um centro comercial em Catia La Mar, no Estado de La Guaira, foi resgatado com vida por socorristas de sete países.

    Segundo o governo da presidente Delcy Rodríguez, alvo de críticas pela demora para iniciar as buscas, equipes de 30 países atuam na Venezuela para auxiliar nas operações de resgate. Com o passar dos dias, porém, diminuem as chances de encontrar sobreviventes sob os escombros dos edifícios que desabaram após os dois terremotos que atingiram o país.

    Na Venezuela desde a sexta-feira da semana passada, a equipe brasileira mantém a procura por sobreviventes, apesar das chances reduzidas. "A gente ainda tem expectativa de encontrar pessoas com vida. O Brasil vai continuar nesse esforço por mais alguns dias, até que a gente pare de encontrar sinais de vida”, afirmou Armin Braun, chefe da missão brasileira na Venezuela.

    Braun reconheceu, no entanto, que o tempo para localizar sobreviventes está se esgotando e que os trabalhos devem começar a ser direcionados para outras frentes de atuação.

    "Como há outras demandas, como assistência à saúde, assistência humanitária e providenciar acesso à água, a gente já está conversando com a proteção civil da Venezuela para poder abrir outras frentes. Já fizemos, por exemplo, uma avaliação de hospitais, porque eles precisam voltar a funcionar rapidamente", disse. Ao menos 38 hospitais do país foram afetados pelos dois tremores de magnitude 7,2 e 7,5.

    Sobrevivente não resiste

    Nesta semana, parte da equipe brasileira, formada por agentes dos Corpos de Bombeiros de São Paulo, Minas Gerais e Paraná, além da Defesa Civil Nacional, trabalhou em conjunto com equipes de outros países na tentativa de resgatar um sobrevivente sob os escombros de um prédio de 12 andares que desabou após os terremotos.

    Cães farejadores e equipamentos de detecção de sinais vitais haviam indicado a possível presença de uma pessoa com vida, que estaria dentro de um veículo quando o edifício desabou. Após mais de 35 horas de trabalho, porém, os sinais vitais desapareceram.

    "A gente estava no caminho certo, mas infelizmente faltou um pouco mais de tempo para que a gente conseguisse chegar na vítima. A gente conseguiu chegar no carro, em dois pontos diferentes, mas, como tinha muito escombro e concreto, não conseguimos chegar a tempo", lamentou o tenente-coronel Rafael Neves Cosendey, do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais.

    Hospital de campanha

    Além das operações de resgate, o Brasil montou um hospital de campanha para atender moradores de La Guaira. Nesta quinta-feira, uma longa fila de venezuelanos aguardava atendimento, que se estende a pacientes que não foram feridos pelos terremotos.

    "Trouxemos uma estrutura médica com ortopedistas, pediatras, cirurgião, anestesista e uma série de profissionais da área de enfermagem para que a gente possa fazer o melhor atendimento aqui, não somente na parte de urgência, mas também de acolhimento e distribuição de medicação", disse a comandante Marisa Baltar, diretora da Unidade Médica Expedicionária da Marinha.

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    Na terça-feira (30), o governo brasileiro enviou o quinto voo humanitário à Venezuela com equipamentos para ampliar o hospital de campanha instalado na cidade litorânea.

    No mesmo dia, o ministro da Defesa, José Múcio, viajou ao país, onde se reuniu com a presidente interina Delcy Rodríguez. Após o encontro, ele disse que o Brasil está "à disposição" para contribuir com o processo de reconstrução das moradias na região atingida pelos terremotos da semana passada.

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  • Decepção e início de um novo ciclo: torcida e jogadores lamentam eliminação do Brasil
    Jul 6 2026
    Na saída do MetLife Stadium, os torcedores brasileiros, maioria entre os mais de 80 mil presentes no local, deixaram o estádio profundamente decepcionados com a derrota da Seleção Brasileira neste domingo (5). Elcio Ramalho, enviado especial da RFI a Nova Jersey, Tanto os brasileiros que vivem nos Estados Unidos quanto aqueles que vieram do Brasil na esperança de ver a equipe avançar às quartas de final retornam para casa com críticas ao desempenho da seleção. “Faltou intensidade. Quando a gente vê outras equipes jogando, fica evidente que falta intensidade nessa seleção”, diz o torcedor Rubens. O mineiro Marcos também não gostou da postura dos jogadores em campo. “Eles deveriam ter jogado mais. O sentimento é de decepção. A gente esperava mais. O Ancelotti deveria pegar mais no pé dos jogadores”, opina. Para Andrei Trestivo, brasileiro que mora no estado do Missouri, Carlo Ancelotti, que tem contrato até 2030, deve permanecer no cargo para dar uma nova oportunidade às novas gerações de atletas. “Se ele tiver mais tempo, vai desenvolver uma seleção imbatível”, acredita. Carol não escondeu a decepção, mas manteve a esperança que se renova a cada Copa. “Daqui a quatro anos vamos voltar de novo com a expectativa. A gente achava que o hexa viria, é muita frustração. Mas faz parte, e daqui a quatro anos estaremos de volta.” “Momento de muita dor” A frustração da torcida potencializou o sentimento de tristeza que tomou conta dos jogadores. Cenas de muita desolação no gramado se seguiram até a saída do estádio. O atacante Matheus Cunha revelou que o momento é de grande dor. “É uma frustração e uma dor muito grandes, porque emocionalmente é difícil imaginar o quanto seria bonita e orgulhosa a festa. Do fundo do coração, é o que mais dói.” Matheus Cunha foi o atacante derrubado na área no lance que resultou no pênalti para a Seleção Brasileira ainda no início do primeiro tempo. Bruno Guimarães, escolhido por Ancelotti para a cobrança, desperdiçou a oportunidade ao bater fraco, facilitando a defesa do goleiro Nyland, um dos heróis da classificação norueguesa. Muito abatido por ter desperdiçado a melhor chance do Brasil na partida, Bruno Guimarães falou sobre o lance. “Fui infeliz no pênalti. Tinha estudado muito o goleiro deles e achei que deveria bater no canto, mas ele pegou. Todo mundo está muito triste, é uma dor muito forte. Ninguém estava esperando por isso”, declarou. O lateral Danilo também ressaltou a tristeza com a eliminação, mas não quis comentar o ciclo conturbado vivido pela seleção até a Copa, marcado por sucessivas trocas de treinadores antes da chegada de Carlo Ancelotti, há pouco mais de um ano. “É claro que, quando um trabalho é desenvolvido por mais tempo, isso ajuda bastante em todos os sentidos. Agora, o que me cabe é ser um apoiador máximo, porque precisamos olhar para a frente e construir um futuro melhor. Temos muitos jogadores de qualidade. O desejo é que eles consigam fazer aquilo que nós não conseguimos.” Apoio à nova geração A Seleção Brasileira teve apenas 35% de posse de bola, um número raro para uma equipe tradicionalmente conhecida pelo talento e pela capacidade ofensiva. A estratégia adotada não funcionou, e o Brasil pagou caro por conceder espaços ao gigante Haaland, que decidiu a partida com um gol de cabeça e outro em chute cruzado. Neymar descontou de pênalti, mas tarde demais para uma reação. Capitão da equipe, Marquinhos reconheceu as falhas, lamentou a falta de eficiência nas oportunidades criadas e pediu paciência da torcida com os jogadores que iniciarão o novo ciclo da seleção. “A gente sabe que o futebol hoje está muito equilibrado. Eu, como capitão, e os mais velhos temos que assumir a responsabilidade para que as próximas gerações tenham tranquilidade para trabalhar”, disse ele. “Um novo ciclo começa a partir de agora. Não sabemos o que vai acontecer, mas peço paciência com os mais jovens e o apoio da torcida desde já, para que eles possam conquistar grandes coisas na próxima Copa.” Em entrevista coletiva, Carlo Ancelotti afirmou que o Brasil não merecia a derrota. Para o treinador, a seleção criou oportunidades suficientes e tinha potencial para chegar à final do torneio. “Saímos tristes porque a equipe não fez um Mundial espetacular, mas fez um bom Mundial. No jogo de hoje, merecíamos ganhar. Em um momento assim, é preciso entender que uma derrota pode representar o começo de uma nova aventura.” O técnico defendeu que a tristeza pela eliminação precoce deve servir de combustível para a reconstrução da equipe em um novo ciclo, que seguirá sob seu comando até a Copa do Mundo de 2030. “Temos que continuar trabalhando, evoluindo e encontrando novas ideias. Não é o fim. Essa derrota é o início de um novo ciclo”, afirmou.
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  • 'Agora não tem ninguém', diz venezuelana após saída de equipes internacionais de resgate
    Jul 10 2026
    Duas semanas após os terremotos, equipes internacionais deixam a Venezuela e familiares voltam a assumir as buscas por milhares de desaparecidos sob os escombros. Pedro Pannunzio, correspondente em Caracas Passadas mais de duas semanas desde o duplo terremoto que destruiu o Estado de La Guaira, no litoral venezuelano, a possibilidade de encontrar sobreviventes sob os escombros praticamente inexiste. Por isso, nesta nova etapa da tragédia, as buscas se concentram principalmente na recuperação dos corpos das vítimas. Na tarde desta quinta-feira, Scarly Rojas, de 32 anos, buscava, no que restou de um prédio que tinha cinco andares, por sua mãe, uma das milhares de desaparecidas não computadas pelos dados oficiais divulgados diariamente pelo governo venezuelano. Ela havia se mudado ao prédio desde a operação dos Estados Unidos que resultou no sequestro do então presidente Nicolás Maduro. Mas, no dia 24 de junho, quando os tremores atingiram o país, a jovem estava em Caracas. “Com tudo que aconteceu no país, eu decidi morar com minha mãe, porque ela morava aqui e eu morava lá em Caracas. Estávamos distantes, então decidimos nos unir e voltar a morar juntas”, conta. Mãe e filha dividiam um apartamento no primeiro andar de um apartamento na região de Praia Grande, uma das áreas em La Guaira mais atingidas pelos terremotos de magnitudes 7,2 e 7,5. Outros familiares de desaparecidos também buscam por parentes que viviam no edifício. Contra todas as probabilidades, alguns deles ainda mantêm a esperança de encontrar sobreviventes. Rojas, no entanto, não alimenta o mesmo otimismo. “Desde o primeiro dia, quando cheguei e vi a maneira como o prédio caiu, como nosso apartamento foi afetado, achei quase impossível que ela tivesse sobrevivido.” Críticas contra lentidão do governo O governo venezuelano é alvo de críticas pela demora no início do resgate de possíveis sobreviventes da tragédia. Rojas diz que, nos primeiros dois dias, cruciais para o resgate de pessoas com vida, eram os próprios familiares que realizavam os trabalhos de buscas – situação que só mudou, segundo seu relato, a partir do terceiro dia, com a chegada das primeiras equipes internacionais de socorristas. Com a janela para encontrar sobreviventes praticamente fechada, quase todas as equipes já deixaram o país. Os familiares, que haviam conduzido as buscas nos primeiros dias, voltaram aos escombros – desta vez, para procurar os corpos de seus parentes. “Foi no terceiro, ou quarto dia, que as equipes estiveram aqui para fazer as buscas, mas depois de uma semana, a ajuda parou. Agora não tem ninguém”, lamenta Rojas, que, diariamente vai ao local onde morava com a mãe para, junto com outros voluntários, procurar o que as equipes de resgate não encontraram. Retorno da missão brasileira Nesta sexta-feira (10), parte da missão brasileira, uma das últimas a permanecer no país, voltará para casa. A previsão é que o voo com as equipes de resgate desembarque em Brasília às 17h no horário local. Inicialmente, a previsão era de permanência até o dia 13, próxima segunda-feira. O hospital de campanha montado em La Guaira pela Marinha, porém, permanecerá na Venezuela por prazo indeterminado. Ontem, equipes de buscas da Argentina, que devem ficar na Venezuela até sábado, ainda procuravam por sobreviventes. “É verdade que, a esta altura, com os dias que já se passaram, as possibilidades de encontrar alguém com vida diminuem muito. Mas, bem, esse é o trabalho que fazemos. Vamos tentar até o último momento”, disse María Florencia Pizarro, chefe das operações de busca da Brigada ARG 10, durante uma breve pausa nos trabalhos, enquanto esperava uma retroescavadeira remover alguns blocos de concreto para que as buscas pudessem continuar. Respeito pelos mortos Mesmo quando as chances de encontrar sobreviventes se esgotam, Pizarro diz que as operações não perdem a importância. “Talvez não consigamos resgatar alguém com vida, mas também é importante devolver às famílias seus entes queridos, para que possam se despedir e realizar os rituais que cada povo tem para se despedir de seus mortos.” Apesar da saída de boa parte dos socorristas internacionais, nesta quinta-feira, o Comando Sul dos Estados Unidos anunciou a chegada do USS San Antonio, navio de transporte anfíbio da Marinha norte-americana, que atracou no Porto de La Guaira, para “apoiar as operações de ajuda humanitária.” No início do mês, o comandante da estrutura militar norte-americana responsável pelas operações na América Latina e no Caribe, general Francis Donovan, havia informado que cerca de dois mil militares dos Estados Unidos tinham desembarcado na Venezuela.
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