• ‘Ainda temos esperanças de encontrar pessoas com vida’, diz chefe da missão brasileira na Venezuela
    Jul 3 2026

    Missão brasileira mantém buscas por sobreviventes dos terremotos, reforça atendimento médico em La Guaira e oferece apoio ao processo de reconstrução das áreas atingidas.

    Pedro Pannunzio, correspondente da RFI em Caracas

    Nesta quinta-feira (2), um milagre aconteceu na Venezuela. Depois de oito dias debaixo dos escombros, Hernan Gil, um vigilante do estacionamento de um centro comercial em Catia La Mar, no Estado de La Guaira, foi resgatado com vida por socorristas de sete países.

    Segundo o governo da presidente Delcy Rodríguez, alvo de críticas pela demora para iniciar as buscas, equipes de 30 países atuam na Venezuela para auxiliar nas operações de resgate. Com o passar dos dias, porém, diminuem as chances de encontrar sobreviventes sob os escombros dos edifícios que desabaram após os dois terremotos que atingiram o país.

    Na Venezuela desde a sexta-feira da semana passada, a equipe brasileira mantém a procura por sobreviventes, apesar das chances reduzidas. "A gente ainda tem expectativa de encontrar pessoas com vida. O Brasil vai continuar nesse esforço por mais alguns dias, até que a gente pare de encontrar sinais de vida”, afirmou Armin Braun, chefe da missão brasileira na Venezuela.

    Braun reconheceu, no entanto, que o tempo para localizar sobreviventes está se esgotando e que os trabalhos devem começar a ser direcionados para outras frentes de atuação.

    "Como há outras demandas, como assistência à saúde, assistência humanitária e providenciar acesso à água, a gente já está conversando com a proteção civil da Venezuela para poder abrir outras frentes. Já fizemos, por exemplo, uma avaliação de hospitais, porque eles precisam voltar a funcionar rapidamente", disse. Ao menos 38 hospitais do país foram afetados pelos dois tremores de magnitude 7,2 e 7,5.

    Sobrevivente não resiste

    Nesta semana, parte da equipe brasileira, formada por agentes dos Corpos de Bombeiros de São Paulo, Minas Gerais e Paraná, além da Defesa Civil Nacional, trabalhou em conjunto com equipes de outros países na tentativa de resgatar um sobrevivente sob os escombros de um prédio de 12 andares que desabou após os terremotos.

    Cães farejadores e equipamentos de detecção de sinais vitais haviam indicado a possível presença de uma pessoa com vida, que estaria dentro de um veículo quando o edifício desabou. Após mais de 35 horas de trabalho, porém, os sinais vitais desapareceram.

    "A gente estava no caminho certo, mas infelizmente faltou um pouco mais de tempo para que a gente conseguisse chegar na vítima. A gente conseguiu chegar no carro, em dois pontos diferentes, mas, como tinha muito escombro e concreto, não conseguimos chegar a tempo", lamentou o tenente-coronel Rafael Neves Cosendey, do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais.

    Hospital de campanha

    Além das operações de resgate, o Brasil montou um hospital de campanha para atender moradores de La Guaira. Nesta quinta-feira, uma longa fila de venezuelanos aguardava atendimento, que se estende a pacientes que não foram feridos pelos terremotos.

    "Trouxemos uma estrutura médica com ortopedistas, pediatras, cirurgião, anestesista e uma série de profissionais da área de enfermagem para que a gente possa fazer o melhor atendimento aqui, não somente na parte de urgência, mas também de acolhimento e distribuição de medicação", disse a comandante Marisa Baltar, diretora da Unidade Médica Expedicionária da Marinha.

    Leia tambémTerremotos na Venezuela: NASA aponta quase 60 mil edifícios danificados ou destruídos

    Na terça-feira (30), o governo brasileiro enviou o quinto voo humanitário à Venezuela com equipamentos para ampliar o hospital de campanha instalado na cidade litorânea.

    No mesmo dia, o ministro da Defesa, José Múcio, viajou ao país, onde se reuniu com a presidente interina Delcy Rodríguez. Após o encontro, ele disse que o Brasil está "à disposição" para contribuir com o processo de reconstrução das moradias na região atingida pelos terremotos da semana passada.

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  • Decepção e início de um novo ciclo: torcida e jogadores lamentam eliminação do Brasil
    Jul 6 2026
    Na saída do MetLife Stadium, os torcedores brasileiros, maioria entre os mais de 80 mil presentes no local, deixaram o estádio profundamente decepcionados com a derrota da Seleção Brasileira neste domingo (5). Elcio Ramalho, enviado especial da RFI a Nova Jersey, Tanto os brasileiros que vivem nos Estados Unidos quanto aqueles que vieram do Brasil na esperança de ver a equipe avançar às quartas de final retornam para casa com críticas ao desempenho da seleção. “Faltou intensidade. Quando a gente vê outras equipes jogando, fica evidente que falta intensidade nessa seleção”, diz o torcedor Rubens. O mineiro Marcos também não gostou da postura dos jogadores em campo. “Eles deveriam ter jogado mais. O sentimento é de decepção. A gente esperava mais. O Ancelotti deveria pegar mais no pé dos jogadores”, opina. Para Andrei Trestivo, brasileiro que mora no estado do Missouri, Carlo Ancelotti, que tem contrato até 2030, deve permanecer no cargo para dar uma nova oportunidade às novas gerações de atletas. “Se ele tiver mais tempo, vai desenvolver uma seleção imbatível”, acredita. Carol não escondeu a decepção, mas manteve a esperança que se renova a cada Copa. “Daqui a quatro anos vamos voltar de novo com a expectativa. A gente achava que o hexa viria, é muita frustração. Mas faz parte, e daqui a quatro anos estaremos de volta.” “Momento de muita dor” A frustração da torcida potencializou o sentimento de tristeza que tomou conta dos jogadores. Cenas de muita desolação no gramado se seguiram até a saída do estádio. O atacante Matheus Cunha revelou que o momento é de grande dor. “É uma frustração e uma dor muito grandes, porque emocionalmente é difícil imaginar o quanto seria bonita e orgulhosa a festa. Do fundo do coração, é o que mais dói.” Matheus Cunha foi o atacante derrubado na área no lance que resultou no pênalti para a Seleção Brasileira ainda no início do primeiro tempo. Bruno Guimarães, escolhido por Ancelotti para a cobrança, desperdiçou a oportunidade ao bater fraco, facilitando a defesa do goleiro Nyland, um dos heróis da classificação norueguesa. Muito abatido por ter desperdiçado a melhor chance do Brasil na partida, Bruno Guimarães falou sobre o lance. “Fui infeliz no pênalti. Tinha estudado muito o goleiro deles e achei que deveria bater no canto, mas ele pegou. Todo mundo está muito triste, é uma dor muito forte. Ninguém estava esperando por isso”, declarou. O lateral Danilo também ressaltou a tristeza com a eliminação, mas não quis comentar o ciclo conturbado vivido pela seleção até a Copa, marcado por sucessivas trocas de treinadores antes da chegada de Carlo Ancelotti, há pouco mais de um ano. “É claro que, quando um trabalho é desenvolvido por mais tempo, isso ajuda bastante em todos os sentidos. Agora, o que me cabe é ser um apoiador máximo, porque precisamos olhar para a frente e construir um futuro melhor. Temos muitos jogadores de qualidade. O desejo é que eles consigam fazer aquilo que nós não conseguimos.” Apoio à nova geração A Seleção Brasileira teve apenas 35% de posse de bola, um número raro para uma equipe tradicionalmente conhecida pelo talento e pela capacidade ofensiva. A estratégia adotada não funcionou, e o Brasil pagou caro por conceder espaços ao gigante Haaland, que decidiu a partida com um gol de cabeça e outro em chute cruzado. Neymar descontou de pênalti, mas tarde demais para uma reação. Capitão da equipe, Marquinhos reconheceu as falhas, lamentou a falta de eficiência nas oportunidades criadas e pediu paciência da torcida com os jogadores que iniciarão o novo ciclo da seleção. “A gente sabe que o futebol hoje está muito equilibrado. Eu, como capitão, e os mais velhos temos que assumir a responsabilidade para que as próximas gerações tenham tranquilidade para trabalhar”, disse ele. “Um novo ciclo começa a partir de agora. Não sabemos o que vai acontecer, mas peço paciência com os mais jovens e o apoio da torcida desde já, para que eles possam conquistar grandes coisas na próxima Copa.” Em entrevista coletiva, Carlo Ancelotti afirmou que o Brasil não merecia a derrota. Para o treinador, a seleção criou oportunidades suficientes e tinha potencial para chegar à final do torneio. “Saímos tristes porque a equipe não fez um Mundial espetacular, mas fez um bom Mundial. No jogo de hoje, merecíamos ganhar. Em um momento assim, é preciso entender que uma derrota pode representar o começo de uma nova aventura.” O técnico defendeu que a tristeza pela eliminação precoce deve servir de combustível para a reconstrução da equipe em um novo ciclo, que seguirá sob seu comando até a Copa do Mundo de 2030. “Temos que continuar trabalhando, evoluindo e encontrando novas ideias. Não é o fim. Essa derrota é o início de um novo ciclo”, afirmou.
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  • 'Agora não tem ninguém', diz venezuelana após saída de equipes internacionais de resgate
    Jul 10 2026
    Duas semanas após os terremotos, equipes internacionais deixam a Venezuela e familiares voltam a assumir as buscas por milhares de desaparecidos sob os escombros. Pedro Pannunzio, correspondente em Caracas Passadas mais de duas semanas desde o duplo terremoto que destruiu o Estado de La Guaira, no litoral venezuelano, a possibilidade de encontrar sobreviventes sob os escombros praticamente inexiste. Por isso, nesta nova etapa da tragédia, as buscas se concentram principalmente na recuperação dos corpos das vítimas. Na tarde desta quinta-feira, Scarly Rojas, de 32 anos, buscava, no que restou de um prédio que tinha cinco andares, por sua mãe, uma das milhares de desaparecidas não computadas pelos dados oficiais divulgados diariamente pelo governo venezuelano. Ela havia se mudado ao prédio desde a operação dos Estados Unidos que resultou no sequestro do então presidente Nicolás Maduro. Mas, no dia 24 de junho, quando os tremores atingiram o país, a jovem estava em Caracas. “Com tudo que aconteceu no país, eu decidi morar com minha mãe, porque ela morava aqui e eu morava lá em Caracas. Estávamos distantes, então decidimos nos unir e voltar a morar juntas”, conta. Mãe e filha dividiam um apartamento no primeiro andar de um apartamento na região de Praia Grande, uma das áreas em La Guaira mais atingidas pelos terremotos de magnitudes 7,2 e 7,5. Outros familiares de desaparecidos também buscam por parentes que viviam no edifício. Contra todas as probabilidades, alguns deles ainda mantêm a esperança de encontrar sobreviventes. Rojas, no entanto, não alimenta o mesmo otimismo. “Desde o primeiro dia, quando cheguei e vi a maneira como o prédio caiu, como nosso apartamento foi afetado, achei quase impossível que ela tivesse sobrevivido.” Críticas contra lentidão do governo O governo venezuelano é alvo de críticas pela demora no início do resgate de possíveis sobreviventes da tragédia. Rojas diz que, nos primeiros dois dias, cruciais para o resgate de pessoas com vida, eram os próprios familiares que realizavam os trabalhos de buscas – situação que só mudou, segundo seu relato, a partir do terceiro dia, com a chegada das primeiras equipes internacionais de socorristas. Com a janela para encontrar sobreviventes praticamente fechada, quase todas as equipes já deixaram o país. Os familiares, que haviam conduzido as buscas nos primeiros dias, voltaram aos escombros – desta vez, para procurar os corpos de seus parentes. “Foi no terceiro, ou quarto dia, que as equipes estiveram aqui para fazer as buscas, mas depois de uma semana, a ajuda parou. Agora não tem ninguém”, lamenta Rojas, que, diariamente vai ao local onde morava com a mãe para, junto com outros voluntários, procurar o que as equipes de resgate não encontraram. Retorno da missão brasileira Nesta sexta-feira (10), parte da missão brasileira, uma das últimas a permanecer no país, voltará para casa. A previsão é que o voo com as equipes de resgate desembarque em Brasília às 17h no horário local. Inicialmente, a previsão era de permanência até o dia 13, próxima segunda-feira. O hospital de campanha montado em La Guaira pela Marinha, porém, permanecerá na Venezuela por prazo indeterminado. Ontem, equipes de buscas da Argentina, que devem ficar na Venezuela até sábado, ainda procuravam por sobreviventes. “É verdade que, a esta altura, com os dias que já se passaram, as possibilidades de encontrar alguém com vida diminuem muito. Mas, bem, esse é o trabalho que fazemos. Vamos tentar até o último momento”, disse María Florencia Pizarro, chefe das operações de busca da Brigada ARG 10, durante uma breve pausa nos trabalhos, enquanto esperava uma retroescavadeira remover alguns blocos de concreto para que as buscas pudessem continuar. Respeito pelos mortos Mesmo quando as chances de encontrar sobreviventes se esgotam, Pizarro diz que as operações não perdem a importância. “Talvez não consigamos resgatar alguém com vida, mas também é importante devolver às famílias seus entes queridos, para que possam se despedir e realizar os rituais que cada povo tem para se despedir de seus mortos.” Apesar da saída de boa parte dos socorristas internacionais, nesta quinta-feira, o Comando Sul dos Estados Unidos anunciou a chegada do USS San Antonio, navio de transporte anfíbio da Marinha norte-americana, que atracou no Porto de La Guaira, para “apoiar as operações de ajuda humanitária.” No início do mês, o comandante da estrutura militar norte-americana responsável pelas operações na América Latina e no Caribe, general Francis Donovan, havia informado que cerca de dois mil militares dos Estados Unidos tinham desembarcado na Venezuela.
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  • Modernismo brasileiro inspira temporada de moda, arte e design na Samaritaine em Paris
    Jul 8 2026

    Um dos marcos arquitetônicos da capital francesa ganhou cores brasileiras neste verão europeu. Até 26 de agosto, a tradicional loja de departamentos La Samaritaine, entre o Louvre e a Pont Neuf, recebe uma seleção de marcas de moda, beleza, design e arte em um espaço temporário inspirado no modernismo brasileiro das décadas de 1940 a 1960.

    Vitória Barreto, da RFI em Paris

    O Appartement Brésil propõe um retrato do país que vai além dos clichês tropicais. Idealizador do projeto, Lucio Fonseca buscou inspiração no modernismo brasileiro para construir um diálogo entre Brasil e França, reunindo moda, design, arte e perfumaria em um mesmo espaço.

    A proposta combina marcas já conhecidas do público internacional, como Farm e Água de Coco, com criadores independentes, artistas contemporâneos e casas tradicionais. "Eu quis fazer um diálogo de 360 graus entre Brasil e França", resume Fonseca.

    Entre os participantes está a Phebo, marca centenária cuja história faz parte da memória afetiva de gerações de brasileiros. Para Sissi Freeman, diretora de marketing comercial da empresa, apresentar a marca ao público francês significa traduzir uma relação que, no Brasil, dispensa explicações.

    "A Phebo é uma marca com a qual o brasileiro nasceu tomando banho, com tanta memória afetiva, o sabonete que o avô usava, que o pai usava, é tão presente na rotina e na cultura brasileira", afirma. "Quando contamos essa história para quem nunca ouviu falar da marca, não tem como não se apaixonar", completa Sissi.

    A arte também ocupa um lugar central na programação. A curadoria de Pat Monteiro Le Clerc reúne nomes capazes de estabelecer pontes entre referências brasileiras e o olhar internacional. Entre eles está Maritza Caneca, artista que explora o universo das piscinas em fotografias e vídeos e que criou, para a exposição, uma releitura da piscina da Casa das Canoas, projetada por Oscar Niemeyer. Outro destaque é Jay Boggo, criador que transita entre moda e design e apresenta peças que refletem essa trajetória híbrida.

    Novos olhares

    Na fronteira entre arte, artesanato e design está a ceramista Lilian Malta. Especialista em bone china, técnica rara no Brasil, ela desenvolve peças delicadas inspiradas em ritmos e padrões encontrados na natureza. Em vez de reproduzir formas reconhecíveis, a artista prefere investigar esses elementos de maneira abstrata, explorando as possibilidades de um material conhecido pela brancura e pela leveza.

    O projeto também abre espaço para marcas de menor porte já consolidadas no mercado brasileiro. É o caso da Missinclof, das designers Silvia Freitas e Tathiana Ventre. Desde a chegada a Paris, as criações da marca têm despertado a curiosidade de passantes, atraídos principalmente pelas texturas e pelos tecidos. Segundo as estilistas, o interesse não se limita à comunidade brasileira: as primeiras vendas foram realizadas para clientes europeus, um indicativo da receptividade do público local.

    À frente da organização do evento, a agência franco-brasileira Onélia assina a curadoria ao lado de Lucio Fonseca. A seleção privilegiou marcas autorais, produções artesanais e nomes que representam diferentes facetas da criação contemporânea brasileira.

    "Nossa intenção é mostrar que somos mais do que a imagem do Brasil tropical", afirma Dayana de Moraes Bandini, fundadora da agência. "Temos um design de muita qualidade e uma mao de obra impecável."

    Até 26 de agosto, a Samaritaine recebe esse recorte da produção brasileira contemporânea em um ambiente que combina referências modernistas, moda, arte e design. Uma exposição temporária que convida o visitante a descobrir um Brasil menos previsível e mais diverso, em um dos marcos arquitetônicos de Paris.

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  • Argentina vive onda de patriotismo entre Copa do Mundo e celebrações da Independência
    Jul 11 2026
    A atual seleção da Argentina talvez não encante tanto quanto a equipe campeã da Copa do Mundo no Catar, mas segue conquistando a torcida pela capacidade de superar adversidades. Para o confronto deste sábado (11) contra a Suíça, pelas quartas de final, os argentinos depositam confiança não apenas na qualidade técnica do time, mas também na determinação dos jogadores. O momento coincide com as comemorações da Independência do país, ampliando o sentimento de orgulho nacional. Márcio Resende, correspondente da RFI em Buenos Aires “Argentina! Argentina! Argentina! Vamos, Argentina! Vamos ganhar!”. As palavras poderiam soar como ordens de batalha, mas são versos entoados por uma torcida que não desiste de acreditar nem de incentivar a seleção. Alguns dos cantos mais tradicionais das arquibancadas ecoam nesta semana em um lugar inusitado: o Festival de Bandas Militares, realizado como parte das celebrações do Dia da Independência, em 9 de julho. Entre hinos e marchas, as bandas executam músicas populares da torcida argentina, levando o público a cantar e se levantar das arquibancadas no Campo Argentino de Polo, em Buenos Aires. Nesta semana patriótica, diferentes elementos se misturam para reforçar o orgulho nacional: os 210 anos da Independência, a esperança pelo tetracampeonato mundial e a histórica virada sobre o Egito, na terça-feira (7), quando a Argentina reverteu uma desvantagem e mostrou ao mundo sua capacidade de reação. O major Alan Nuñez, diretor da banda militar Tambor de Tacuarí, do Regimento de Infantaria 1 Patrícios, o mais antigo do Exército argentino, afirma que há paralelos entre as batalhas históricas do país e a forma como a seleção se comporta em campo. “Como argentino, sinto uma grande emoção quando a seleção demonstra esse espírito de luta que acompanha nosso povo desde a independência. Vemos essa característica também no futebol, essa capacidade de não nos darmos por vencidos até o último momento”, diz. Conhecido popularmente como Regimento dos Patrícios, o grupo militar foi criado em 1806 em resposta às invasões inglesas e teve participação importante nas guerras de independência iniciadas após a Revolução de Maio de 1810. Também atuou, em 1827, na Guerra da Cisplatina, na Guerra do Paraguai, em 1865, e na Guerra das Malvinas. Em tempos de paz, porém, a principal arena das emoções nacionais parece ser o futebol. “Quando a seleção conquista vitórias como essas, une todos os argentinos, independentemente de posições políticas ou diferenças sociais. E, quando isso acontece durante as comemorações da pátria, a emoção é ainda maior”, afirma o major. Euforia popular Nas arquibancadas do festival, o professor de educação física Lucas Bonilla, de 24 anos, diz viver uma semana especial. “É emocionante. Dá vontade até de chorar. Temos a Independência, temos a Copa do Mundo. É uma combinação incrível. Como argentino, me emociono vendo a seleção e também celebrando a pátria”, afirma, vestindo a camisa da equipe nacional. O último confronto entre Argentina e Suíça em uma Copa do Mundo ocorreu no Brasil, em 2014, quando os argentinos venceram por 1 a 0. “Vai ser um jogo muito duro. A Suíça é um adversário complicado, mas acho que vamos ganhar. Minha fé está mais viva do que nunca. E tomara que isso nos leve à semifinal contra a Inglaterra. É o que nós argentinos mais queremos”, diz Lucas. Ao seu lado, Martín Juárez, de 25 anos, carrega uma bandeira argentina em homenagem tanto à data nacional quanto à seleção. “Para os estrangeiros, explico que isso é a Argentina. Apoiamos o time incondicionalmente, e os jogadores respondem com muita garra e vamos todos com fé. Tenho muita fé em uma vitória da Argentina contra a Suíça”, afirma. Estado de graça Lucio Molina, de 58 anos, também acredita na vitória contra Suíça neste sábado, mas reconhece que a equipe tem pontos fracos na zaga. “Como argentino e tendo fé porque sou um homem de fé, acredito que vamos ganhar. Vejo uma partida muito difícil. Precisamos prestar atenção nos erros que tivemos na defesa. Estamos fracos nesse ponto. Temos de corrigir isso e sermos inteligentes”, analisa. Para ele, a virada épica contra o Egito, quando em pouco mais de dez minutos, virou o placar para três a dois, deixou o país em estado de graça. “É uma mistura de tudo que nos dá orgulho nacional e que nos deixa mais contentes. Quando temos vitórias no futebol, todos ficam alegres, ficamos alegres como nação. Quando a Argentina jogou estávamos tristes porque estávamos perdendo. Mas, de repente, apareceu esta força argentina e nos salvou. Ganhamos, graças a Deus. E nos alegrou como nação”, celebra. Ao lado dele, María Salguero, de 54 anos, também confia numa vitória na base da raça. “Esperamos um triunfo da Argentina neste sábado, mas precisamos ter cuidado. Todas as seleções que chegaram a...
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  • Apoio de Infantino a Trump foi além de qualquer sede de Copa, diz ONG que pede investigação ao COI
    Jul 25 2026

    A organização internacional de direitos humanos FairSquare apresentou uma denúncia ao Comitê Olímpico Internacional (COI) contra o presidente da Fifa, Gianni Infantino, acusando o dirigente de violar as regras de neutralidade política previstas na Carta Olímpica ao demonstrar apoio público ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

    Luciana Rosa, correspondente em Nova York

    Segundo a entidade, Infantino, que também é membro do COI desde janeiro de 2020, está sujeito às normas de neutralidade política e ao Código de Ética da organização olímpica. Para a FairSquare, sua atuação durante a preparação e a realização da Copa do Mundo de 2026 ultrapassou os limites da relação institucional entre a Fifa e o país-sede.

    "O que vimos durante a presidência de Infantino é um padrão de aproximação política com governos como os da Rússia, do Catar e, agora, dos Estados Unidos. Mas, no caso da Copa de 2026, ele foi ainda mais longe", afirmou Alex Carlen, diretor de Pesquisa e Advocacy da FairSquare.

    Segundo Carlen, a proximidade entre Infantino e Trump representa uma escalada em relação ao comportamento adotado pelo dirigente em torneios anteriores. A denúncia cita como principais evidências a entrega do Prêmio da Paz da Fifa, em dezembro de 2025, durante o sorteio da Copa do Mundo de 2026 em Washington, e a participação de Infantino no chamado "Conselho da Paz", evento promovido por Trump em fevereiro.

    Na ocasião, Infantino apareceu usando um boné com as inscrições "USA" e "45-47", referência aos dois mandatos presidenciais de Trump. "No caso de Trump, ele foi além. Passou a endossar a agenda política do presidente", disse Carlen.

    Caso Balogun reforçou a denúncia

    A FairSquare afirma que outro dos principais pilares da denúncia envolve o atacante americano Florin Balogun durante a Copa do Mundo de 2026.

    Segundo a organização, após Trump pedir publicamente a Gianni Infantino que revisasse a expulsão do jogador, a suspensão automática decorrente do cartão vermelho foi revertida, permitindo que Balogun voltasse a atuar na competição. Para a ONG, o episódio levanta dúvidas sobre uma possível interferência política em decisões disciplinares da Fifa.

    Carlen afirma que esse caso foi incorporado à denúncia apresentada ao COI porque ainda não havia ocorrido quando a organização acionou o Comitê de Ética da Fifa.

    "Apresentamos essa denúncia ao Comitê de Ética da Fifa em dezembro e, até hoje, não recebemos qualquer resposta. Não houve sequer uma indicação pública de que uma investigação tenha sido aberta", afirmou.

    Segundo o diretor da FairSquare, o episódio envolvendo Balogun e a entrega do Prêmio da Paz a Trump são hoje "as duas principais evidências" que fundamentam a denúncia apresentada ao Comitê Olímpico Internacional.

    Relação com países-sede

    A organização sustenta que manter boas relações com governos anfitriões é parte do trabalho da Fifa, mas afirma que isso não exige manifestações públicas de apoio político.

    Como exemplo, Carlen cita Canadá e México, que também sediaram a Copa do Mundo de 2026 ao lado dos Estados Unidos.

    "A Fifa conseguiu manter boas relações com Canadá e México sem promover a agenda política de seus líderes. Isso mostra que é possível organizar uma Copa do Mundo sem apoiar um político específico", disse.

    Para a FairSquare, a proximidade entre Infantino e Trump representa uma ruptura com a postura adotada pela Fifa em outras sedes de Mundiais e reforça a necessidade de uma investigação independente.

    O que a FairSquare pede?

    A organização solicita que o Comitê Olímpico Internacional investigue a conduta de Gianni Infantino como membro do COI e determine se suas ações são compatíveis com as regras de neutralidade política previstas na Carta Olímpica e no Código de Ética da entidade.

    A FairSquare afirma que seu objetivo principal é obter uma decisão formal sobre a conduta de Infantino e estabelecer um precedente para futuros dirigentes esportivos, deixando ao COI a decisão sobre eventuais sanções.

    Até o momento da publicação desta reportagem, nem a Fifa nem o Comitê Olímpico Internacional responderam aos pedidos de comentário sobre a denúncia.

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  • Cultura como motor de transformação: França e Brasil discutem caminhos para um desenvolvimento sustentável
    Jun 25 2026
    Como a cultura pode ser uma ferramenta de transformação durável? De que forma ela colabora para o desenvolvimento social, ambiental e econômico? Foi para responder a essas perguntas que pesquisadores, artistas, empresários e instituições associativas franco-brasileiras se reuniram, nesta quinta-feira (25), em um evento preparatório do Fórum do Amanhã, que acontece no final de setembro na capital francesa. Maria Paula Carvalho, de Paris Organizado pela associação “Os Aprendizes da Esperança” (Les Apprentis de l’Espérance), o encontro na Faculdade de Direito de Malakoff, na Grande Paris, permitiu uma troca de experiências de sucesso nos ramos da sustentabilidade, inovação tecnológica, turismo, patrimônio, ativismo e engajamento social. O painel foi aberto por representantes da CSSC, a rede Corporate Sustainability in Support of Culture, que tem como objetivo ajudar empresas a integrar a cultura e a diversidade cultural em suas estratégias de desenvolvimento suntentável. “Avaliamos que tipo de iniciativas a empresa adota para promover mais diversidade nas relações com os empregados, entre eles, e também como a empresa interage com a sociedade nesse aspecto cultural”, explica Lilian Hanania, advogada e professora, uma das fundadoras da CSSC. “A empresa tem ligações com comunidades locais? Influencia políticas públicas? Financia artistas ou a indústria criativa do local onde atua?”, questiona, apontando alguns padrões a serem medidos para a obtenção do selo IDC, que distingue empresas que integram a diversidade cultural em suas estratégias de sustentabilidade. “Ainda há poucas empresas que têm essa visão de que a cultura faz parte da sustentabilidade”, continua. “Hoje, temos duas empresas brasileiras que receberam esse selo: o escritório de advocacia Machado Meyer, com sede em São Paulo, e uma microempresa, a franquia de sorvetes Mister Mix”, de Mogi Guaçu, também em São Paulo, revela. Na França, uma das empresas que aceitaram o desafio de incluir a cultura em suas estratégias é a fabricante de pneus Michelin. “Existe essa preocupação aqui na França, mas o Brasil está em um momento particularmente favorável para discutir essas questões”, explicou Hanania, em entrevista à RFI. Cadeias de valor na Amazônia O engenheiro e consultor Tobia Ferraro atua em projetos de inovação social na Amazônia brasileira, com foco na estruturação de cadeias produtivas locais. Em Santarém, iniciativas desse tipo vêm organizando agricultores familiares e comunidades tradicionais em torno de cooperativas e pequenas agroindústrias, permitindo agregar valor à produção, como derivados da mandioca, frutas e produtos da floresta, e conectar essas cadeias ao mercado. “Um exemplo vem dos seringais do Pará, que decaíram muito e deixaram de ser competitivos em relação ao mercado asiático e mesmo à borracha plantada em São Paulo. Esse setor ficou dormente por muito tempo”, conta. Até que uma organização de Santarém, chamada Saúde e Alegria, retomou a produção com o uso de recursos do Fundo Amazônia, explica. “Hoje eles consolidam a borracha extraída pelos seringueiros do território e exploram cadeias de valor amazônicas, como sementes florestais, óleos e manteigas vegetais extraídos de frutos brasileiros”, completa. “É muito importante poder agregar valor a esse tipo de produto agroextrativista, que sustenta 400 famílias da região, espalhadas por 60 comunidades”, calcula. “Entre essas comunidades há quilombolas e indígenas, que têm uma riqueza cultural muito grande e que agora podem contar com geração de renda para prosperar”, comemora. Outros saberes A filósofa brasileira Caroline Isidoro Marinho trabalha na aproximação de diferentes tipos de saberes, como o acadêmico e o popular. Atualmente morando em Toulouse, no sul da França, ela estuda como facilitar o diálogo cultural por meio de ferramentas artísticas, da dança, da música e da oralidade. “Um dos pontos em comum entre Brasil e França são os afetos”, continua a pesquisadora, que na França se interessa especialmente pelo universo associativo. “A minha pesquisa investiga como a forte experiência francesa em trabalho associativo e comunitário pode se unir aos conhecimentos populares para facilitar o diálogo entre os dois países, dentro de práticas pedagógicas”, conclui. Literatura de Cordel como ferramenta de integração Já a francesa Sophie Foray encontrou na literatura de cordel uma ponte entre a educação no Brasil e na França. Ela promove intercâmbios entre alunos de escolas públicas dos dois países em torno desse tipo de poesia popular brasileira, muito ligada ao Nordeste, feita em versos rimados e tradicionalmente publicada em pequenos folhetos vendidos em feiras. “O Brasil ainda sofre com uma visão no exterior que é muito estereotipada, especialmente no que diz respeito às culturas do Nordeste”, afirma, em ...
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  • Primeira livraria 100% brasileira de Paris reúne livros, discos e atividades sobre a cultura do país
    Jul 2 2026
    Livros, discos de vinil, obras de artistas brasileiros e um café para quem deseja mergulhar na cultura do país. Foi com essa proposta que o paulista Anderson Vital abriu a Sabiá Arte e Cultura, a primeira livraria 100% brasileira de Paris. Instalado no bairro do Marais, o espaço combina literatura, música, artes visuais e eventos culturais para apresentar ao público francês e internacional uma visão "mais aprofundada" do Brasil, com destaque para as culturas afro-brasileira e indígena. Luiza Ramos, da RFI em Paris Embora Paris abrigue desde 1986 a tradicional Livraria Portuguesa e Brasileira, a Sabiá Arte e Cultura é o primeiro espaço dedicado exclusivamente à produção cultural do Brasil. O local de 14m² possui uma área externa calma e agradável, onde o empreendedor paulista compartilha vários elementos que lembram o Brasil sem parecer burlesco. Anderson Vital realiza um sonho cultivado desde a adolescência. Nascido na zona leste de São Paulo, ele vive na França há seis anos, onde trabalha como iluminador de espetáculos teatrais. O projeto da Sabiá nasceu da combinação entre a paixão pelos livros e a saudade do Brasil. "Eu comecei a sentir falta da minha cultura brasileira, porque fiquei trabalhando muito tempo com os franceses", conta. "Também trabalhei num sebo na adolescência e sou apaixonado por livro, literatura". Para concretizar a ideia, Vital contou com um programa da Prefeitura de Paris voltado para a ocupação comercial de espaços da cidade. Após apresentar um projeto cultural e passar por entrevistas, recebeu a autorização para ocupar uma pequena loja no Village Saint-Paul, n° 25, Rue Saint-Paul, no coração do bairro do Marais. Uma extensão da própria casa "Eu gosto de falar que a loja Sabiá Arte e Cultura é um pouco minha sala de casa, porque está cheia de livros, cheia de discos e obras de arte", diz. O espaço reúne, além dos clássicos, obras oriundas da parceria de Anderson com seis artistas brasileiros, além de trabalhos de uma fotógrafa. A proposta é servir de vitrine para criadores brasileiros e criar conexões com a comunidade artística do país que vive na França. A seleção de títulos, discos e artistas é feita pelo próprio fundador. E a curadoria segue uma linha bem definida. "Eu quero trazer mais a nossa cultura afro-brasileira, nossa cultura indígena, a nossa floresta, a nossa cultura popular, que é muito rica", explica. "Quero mais profundidade. Quero mostrar para os franceses e para o público internacional a nossa cultura social, a nossa antropologia brasileira". Franceses e turistas descobrem o Brasil Apesar de ter aberto as portas há apenas algumas semanas, a Sabiá já atrai um público bastante diverso. A localização, em uma área turística de Paris, favorece a chegada de visitantes de várias nacionalidades. "Tem russo, americano, canadense, chinês e tem o público francês também", afirma. Segundo ele, os franceses têm demonstrado um interesse especial pela cultura brasileira. Nawell, um turista canadense que passeava com a esposa em Paris, encontrou a Sabiá por acaso e se interessou ainda mais pela cultura brasileira. "É muito legal, muito legal! Eu conheço muito pouco da cultura e música brasileira, mas eu acho bem legal este espaço. É bem bonito e bastante tranquilo. Eu tenho um amigo que foi ao Brasil e disse que foi fantástico para férias. Eu nunca fui ao Brasil, mas está na minha lista. Este espaço é genial!", diz. Para Anderson, um dos aspectos mais gratificantes é apresentar artistas e autores brasileiros a pessoas que, muitas vezes, têm pouco contato com a produção cultural do país. "Às vezes o pessoal não conhece muito, mas eu ofereço essa oportunidade de descobrir. Mostro os livros, mostro os discos, faço escutar também", descreve. De sebo paulistano a livraria em Paris A relação de Anderson com os livros começou cedo. Aos 14 anos, ele conseguiu o primeiro emprego em um sebo de São Paulo, experiência que considera decisiva para o surgimento da Sabiá. Durante quatro anos, trabalhou ao lado do proprietário do estabelecimento, aprendendo não apenas a comprar e vender livros, mas também a restaurar obras antigas. "Foi o meu grande lugar", recorda. "Tinha pessoas que chegavam para falar só de cinema e ficavam horas conversando comigo. Outras traziam livros e diziam: 'Você tem que ler isso'. Era um grande aprendizado." Leia tambémCultura como motor de transformação: França e Brasil discutem caminhos para um desenvolvimento sustentável Cartola lidera as vendas de discos Entre as preciosidades disponíveis na loja estão edições dedicadas a artistas como Carybé, Miguel Rio Branco e Sebastião Salgado, além de uma seleção de discos de música brasileira garimpada pessoalmente por Anderson em feiras de vinil em São Paulo: "Eu acordava às quatro da manhã para ir à feira de discos e tentar encontrar boas peças", conta. Nas prateleiras, há nomes ...
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