Episodes

  • O futuro das empresas na era da IA
    Jul 17 2026

    Uma reflexão sobre um dos temas dos fundamentos da nossa comunidade: o futuro do trabalho e das empresas. É a minha leitura macro do que a IA está a mudar para quem constrói negócios.

    Neste episódio explico a transição que mudou tudo: a IA deixou de ser algo a quem perguntamos para ser algo a quem mandamos executar. Com isso, a decisão mais crucial de um founder passou a ser onde fica o humano na equação. Não sou apologista de retirar o humano; sou apologista de saber exatamente onde ele acrescenta valor e desenhar a IA para cobrir o resto do scope.

    Depois entro na métrica em que vejo a maior oportunidade desta fase: a faturação por colaborador. Em Portugal, a média anda na casa dos 25 mil euros anuais; numa empresa que construí, levámos o rácio dos 70 mil para os 110 mil em três anos; um SaaS opera nos 200 a 400 mil. Esse teto está a desaparecer, e é por isso que acredito em negócios com menos pessoas, mais bem selecionadas e maximizadas por tokens.

    Estou a executar esta filosofia em dois negócios com escalas totalmente distintas: um que nunca deve passar das duas ou três pessoas, outro a caminhar para uma ordem de magnitude de 100 milhões com 10 a 15 pessoas. O que não faz sentido é continuar a operar como se o mercado fosse estabilizar.

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    18 mins
  • Simplifiquei a estratégia de conteúdo num único formato
    Jul 16 2026

    Há semanas que andava preso na rigidez do YouTube. No episódio anterior expus o dilema sem o resolver. Esta semana encontrei a saída.

    Neste episódio conto o raciocínio. Em vez de escolher entre a newsletter, o áudio e o vídeo, simplifiquei tudo num único formato: partilhar todos os dias o trabalho real que faço para transformar dois negócios com IA. Deixou de ser produzir conteúdo e passou a ser gravar o que já faço.

    Explico o loop que me convenceu: as tarefas que resolvo estão sempre ligadas à inteligência artificial, por isso a execução delas já é conteúdo. Com agentes a editar e a publicar, o que demorava horas passa a minutos, e eu fico onde tenho de estar, a pensar. Fecho cada tarefa num scope de tempo, cerca de 60 minutos por dia.

    A lição é sobre onde o humano tem de estar. Se também andas preso a otimizar o formato em vez de resolver o que interessa, talvez a saída seja simplificar até o processo correr sozinho.

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    22 mins
  • Levantei-me às 6h para um vídeo que não vou lançar
    Jun 29 2026

    Levantei-me às 6h da manhã para mexer nos visuais de um vídeo que provavelmente não vou lançar. Não era para a empresa que me paga as contas. Era para um projeto que ainda nem sei se devia ter.

    Há semanas que ando preso. Tenho dois formatos que me dão prazer genuíno, a newsletter e este áudio, mas os dois falam sempre para quem já está do outro lado. E tenho dois caminhos que trariam gente nova, o YouTube e o conteúdo de formato curto, mas em cada um há um travão que eu não consigo passar. Um vem da minha obsessão visual. O outro vem de uma liberdade que recuso vender.

    Neste episódio exponho o dilema todo sem o resolver. Porque é que o que me dá mais prazer pode ser exatamente o que me impede de crescer, porque é que o meu bloqueio não era nada do que eu pensava, e a frase que o meu próprio agente me atirou no meio disto tudo.

    Não trago a conclusão arrumada. Se já estiveste preso entre o que gostas de fazer e o que sabes que devias fazer, este é para ti. E se tiveres uma ideia de como sair daqui, responde-me. Falar contigo nunca foi o meu problema.

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    23 mins
  • A feature de IA que obriga a tua equipa a executar
    Jun 22 2026

    O problema nunca foi criar processos. Foi garantir que a equipa os executa. Passei dez anos a desenhar a forma certa de fazer as coisas e a ver quase nada ser executado como tinha pensado. Neste episódio conto o que mudou isso.

    Empacotei o playbook da empresa num plugin, instalado por defeito nas máquinas de toda a equipa através do plano Teams. Com instruções globais que se sobrepõem às de cada utilizador, o agente segue o processo mesmo que ninguém se lembre dele. Parei de explicar, passei a condicionar.

    Mostro casos reais. O agente que pergunta o número da tarefa para ir buscar todo o contexto antes de executar. O comando que obriga a fechar o scope antes de avançar, para não gastar tempo no que a empresa não decidiu fazer. Cada melhoria que carrego no playbook passa a valer para a equipa inteira.

    E fica a ironia. A única coisa que não vais conseguir delegar é precisamente a integração desta tecnologia na tua empresa. É esse o trabalho de quem lidera agora.

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    28 mins
  • A última coisa que o Fable 5 me disse antes de desaparecer
    Jun 16 2026

    Na sexta à noite tive a última conversa com o Fable 5. No sábado de manhã o modelo já não existia para mim, desligado por uma ordem do governo americano três dias depois de aparecer.

    Neste episódio conto o que essa conversa me mostrou. Perguntei ao modelo porque é que protelo o YouTube há mais de três anos e, em vez de responder à pergunta, ele foi direto ao problema que eu andava a proteger. Apanhou padrões enterrados no meu contexto que não tinham nada a ver com o que eu tinha perguntado.

    Falo também do que fiz com os dois dias em que tive acesso. Em vez de os gastar a produzir, meti-os todos a melhorar o playbook da minha empresa, a máquina que ajuda a equipa a construir o produto.

    E fica a parte que interessa a quem está a montar uma operação com IA. O risco de construir um ativo em cima de um sistema que outra pessoa consegue desligar, e o que dá para fazer para não ficar refém.

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    21 mins
  • Lancei um podcast com zero trabalho (e é esse o ponto)
    Jun 9 2026

    Este episódio nasceu de uma ideia simples: transformar estes áudios num podcast sem acrescentar uma única hora de trabalho à minha semana. Consegui. Levou-me uma manhã a montar e, a partir daí, zero trabalho recorrente. Acrescentei um passo a um fluxo que já existia e o áudio passou a chegar ao teu feed, onde quer que o ouças.

    O ponto não é o podcast. É a forma como ele aconteceu. A maior parte das pessoas olha para a IA e pergunta o que é que o negócio ainda não faz e podia passar a fazer. Compra trabalho novo. Eu faço a pergunta ao contrário: o que é que eu já faço, todas as semanas, onde podia encaixar IA? É aí que está o retorno, não em inventar uma atividade nova.

    Falo também do princípio que torna isto possível. A IA é frágil a criar e absurda a distribuir. A parte criativa continua comigo, escrita à mão antes de abrir o microfone. Tudo o que vem depois, transcrever, adaptar, publicar, fazer chegar a vários sítios, entrego sem pensar duas vezes, porque faz melhor do que eu faria com o tempo que tenho. E não copia, traduz para cada canal.

    As aplicações de IA que contam não são as vistosas. São as menos sexy: a documentação, a transcrição, a publicação. É aí que está a gordura, e é aí que há margem para libertar. Se estás à procura de onde começar, é por aqui, não pelo que faz barulho.

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    29 mins
  • Às vezes, o mais produtivo é parar
    Jun 4 2026

    Estive umas semanas sem gravar, e há uma razão. A velocidade a que tudo está a mudar tinha-me deixado num nevoeiro: muita ansiedade e pouca lucidez para decidir. E o meu trabalho, no fundo, é decidir o dia inteiro. Quando senti que estava a chegar ao limite, fiz o que já aprendi a fazer noutras vezes: desapareci.

    Fui sozinho para os Açores, sem outro objetivo a não ser andar e desligar por completo da tecnologia. Apanhei nevoeiro nas montanhas e, curiosamente, foi a minha cabeça que ficou limpa. Voltei com a paciência renovada e com clareza sobre a direção dos próximos meses, toda ela ganha por subtração: não trouxe nada novo para fazer, trouxe o que tenho de deixar de fazer.

    Neste episódio falo dos ciclos de trabalho e pausa que respeito, de porque é que a direção certa importa mais do que a velocidade, e da maior visão que trouxe: trabalhar na máquina em vez de trabalhar no que a máquina produz. Em vez de me focar no output, vou construir os playbooks da empresa para elevar a média de toda a equipa.

    A mensagem que anotei para hoje foi simples: às vezes o mais produtivo é afastares-te. Se andas com a mesma ansiedade sobre tudo o que está a mudar, talvez esteja na altura de parares, para depois conseguires acelerar na direção certa.

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    24 mins
  • Parei de ser o gargalo da minha operação
    Jun 4 2026

    No episódio anterior falei de trabalhar na máquina em vez de ser eu o gargalo de toda a operação. Hoje mostro um exemplo concreto: o workflow que construí para fazer esta newsletter.

    Antes disso, explico uma mudança de rota. A Superhuman nasceu para validar até onde ia o negócio de uma pessoa, mas eu não defendo essa tese. O que faz sentido é documentar o que estou a viver na WhiteFlow, com equipa, clientes exigentes, contratação, fluxo de caixa, e mostrar como meto uma camada de IA por cima de tudo isso. E para imprimir escala trouxe o Tiago para a operação.

    Sobre o workflow em si: transformei a criação da newsletter num playbook de três comandos. Gravo um áudio, e a partir daí a máquina transcreve, escreve o draft na minha voz, edita, revê, e no fim publica na minha app sem eu sair do sítio. O passo que mais valorizo é o último, o compound: ele compara o draft original com as minhas edições e aprende, por isso a cada execução edito menos.

    A lição que fica é onde é que o humano tem de estar. No meu caso, no áudio e na edição final, porque é aí que está a experiência que nenhuma IA inventa. Construir isto não é trabalho automático, mas é onde devias pôr a maior parte do teu tempo, porque o retorno multiplica por toda a gente que corre o mesmo processo.

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    29 mins