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Planeta Verde

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Written by: RFI Brasil
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Entrevistas sobre os temas relacionados ao meio ambiente. Análises dos principais desafios no combate às mudanças climáticas e à poluição. Iniciativas para proteção dos ecossistemas e reflexão sobre políticas de prevenção de catástrofes naturais e industriais.

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  • Quanto vale a biodiversidade? COP17 na Armênia faz balanço de acordo histórico de proteção
    Oct 19 2026
    Apesar do aumento da importância da preservação da biodiversidade e dos acordos internacionais adotados nos últimos anos, a erosão das espécies não dá sinal de recuo. Nesta semana e na próxima, os quase 200 países membros da Convenção da Diversidade Biológica das Nações Unidas voltam a se reunir para a COP17 sobre o tema, em Yerevan, na Armênia. Na pauta, um primeiro balanço da implementação do histórico acordo de Kunming-Montreal, firmado em 2022. Lúcia Müzell, da RFI em Paris O tratado estabeleceu 23 objetivos a serem cumpridos até 2030 para o mundo reverter a perda da natureza, ameaçada pelo aquecimento global. Neste prazo, os países concordaram em proteger no mínimo 30% dos seus territórios marinhos e terrestres. Nos últimos 50 anos, o tamanho das populações de vertebrados selvagens no mundo diminuiu 73%, segundo recente relatório da organização Fundo Mundial para a Natureza (WWF). "Estamos chegando à metade do caminho até 2030 e, apesar de alguns avanços, inclusive no Brasil, o mundo ainda não está fazendo o suficiente para cumprir as metas do Marco Global de Biodiversidade", constata Michel Santos, gerente de políticas públicas da entidade no Brasil. "Não basta reconhecer que estamos atrasados. Precisamos de decisões concretas para acelerar a implementação, garantir financiamento adequado, fortalecer as políticas nacionais e melhorar o monitoramento dos resultados", diz ele, que acompanha a conferência na Armênia. Conectividade ecológica Para o Brasil, uma das prioridades no evento será incluir a noção da conectividade ecológica. Trata-se de melhor integrar os diferentes mecanismos de proteção – como unidades de conservação e terras indígenas, mas também a vegetação nativa nas propriedades privadas –, para beneficiar as espécies migratórias. "É uma relação de ganha-ganha, porque os serviços da natureza e as soluções baseadas na natureza dão mais estabilidade, mais segurança a todos os negócios", pontua Rita Mesquita, secretária nacional de Biodiversidade, Florestas e Direitos Animais do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima. "Não é apenas o negócio da sociobioeconomia. É também agronegócio, que é um carro-chefe do Brasil, mas que tem uma íntima dependência do funcionamento saudável dos ecossistemas", salienta. O Brasil, o país mais megadiverso do mundo, abriga entre 15 e 20% das espécies do planeta. Brasília chega a Yerevan tendo adotado uma série de políticas públicas importantes de proteção nos últimos anos, como a sua Estratégia e Plano de Ação Nacionais para a Biodiversidade (EPANB). Entretanto, a lacuna dos recursos para a implementação, estimados num total de R$ 25 bilhões por década pelo MMA, permanece aberta – não só para o Brasil, como para outros abrigos relevantes de biodiversidade, como outras nações sul-americanas, africanas e asiáticas. A meta global por ano, acordada na última COP, é de US$ 200 bilhões até 2030. "Não conseguiremos reverter a perda de biodiversidade enquanto os recursos destinados à sua conservação forem insuficientes e continuarmos financiando, em grande escala, atividades que degradam a natureza", frisa Michel Santos, da WWF Brasil. "É precisamos mobilizar mais recursos, reformar incentivos prejudiciais e garantir que os mecanismos financeiros respeitem os direitos e reconheçam o papel dos povos indígenas e das comunidades locais." Bioeconomia e créditos da biodiversidade Neste contexto, outra discussão em alta na conferência na Armênia é o cálculo do valor da biodiversidade, que inclui os debates sobre a bioeconomia. A chave é estabelecer parâmetros de sustentabilidade, com boas práticas e salvaguardas que garantam a proteção das espécies a longo prazo. Emerge também o debate sobre a formalização dos "créditos da biodiversidade", ou seja, a possibilidade de comercializar benefícios gerados à natureza ou compensar os danos causados a ela. O Brasil ainda não construiu o seu consenso interno sobre o tema, indica Rita Mesquita. "Créditos de biodiversidade, ou qualquer outro nome que deem, não vão ter um paralelo com créditos de carbono, porque a biodiversidade é insubstituível. Você tem uma biodiversidade de um lugar, você não vai compensar essa perda em outro lugar, com outra biodiversidade", explica a secretária do MMA. "Eu acho que essa é uma das razões que tem colocado um desafio para avançar a questão do conceito." A COP 17 sobre a Biodiversidade termina no dia 30 de outubro.
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    7 mins
  • Eleição e o 'ponto de não retorno' dos biomas: compromissos ambientais do Brasil até 2030 estão ameaçados
    Oct 9 2026
    O presidente que subir a rampa do Planalto em 1º de janeiro de 2027 assumirá o cargo em um período determinante para compromissos internacionais assumidos pelo Brasil na pasta ambiental – a começar pelo fim do desmatamento ilegal até 2030. O eventual descumprimento desses objetivos, em um momento em que os efeitos das mudanças climáticas se intensificam no planeta, coloca em risco o futuro dos biomas brasileiros, em especial a Amazônia, e suas populações. Lúcia Müzell, da RFI em Paris O professor Carlos Nobre, um dos cientistas do clima mais respeitados do Brasil e do mundo, tem alertado há anos sobre a necessidade de a devastação da Amazônia acabar antes mesmo de 2030. A redução da cobertura vegetal expõe o bioma a um colapso; um ponto a partir do qual a floresta não conseguirá mais se regenerar, e corre o risco de se transformar em uma savana. "A conexão entre o desmatamento e o aquecimento global que está colocando a Amazônia muito próxima do ponto de não retorno”, salienta. "Se não zeramos o desmatamento, a degradação, o fogo e, ao mesmo tempo, acelerarmos a restauração florestal até 2040, quatro dos nossos biomas – Amazônia, Cerrado, Pantanal e Caatinga – passarão do ponto de não retorno. Depois disso, entre 30 e 50 anos, nós vamos perder esses quatro biomas”, explica Nobre, pesquisador sênior no Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo (USP). Metas de desmatamento zero e restauração florestal No principal documento formalizado pelo Brasil junto à ONU, conhecido pela sigla de NDC (Contribuição Nacionalmente Determinada), o país se compromete a zerar a devastação das vegetações nativas e a restaurar 12 milhões de hectares de florestas no período do mandato do próximo presidente. "Essa meta não é difícil porque a maior parte do desmatamento no Brasil é ilegal. Com o governo Lula e a entrada da ministra Marina Silva, tivemos a reativação do Ibama, dos programas de combate ao desmatamento na Amazônia e no Cerrado, e isso fez com que os níveis de desmatamento ficassem em um nível historicamente baixo”, salienta Caroline Medeiros Frasson, diretora-executiva da Laclima, que reúne especialistas em Direito ambiental. "Ou seja, mostra que é muito possível." Carlos Nobre chama a atenção para o fato de que vários países amazônicos – Colômbia, Equador, Bolívia, Peru – estão sob governos de direita com tendência negacionista climática, o que pode comprometer o esforço conjunto regional de acabar com os desmatamentos. “Como são negacionistas da emergência climática, é difícil imaginar que eles vão zerar rapidamente o desmatamento, como haviam se comprometido em 2023. É um enorme risco que a Amazônia está correndo agora”, reitera o cientista. O fim da devastação é uma etapa fundamental para o Brasil atingir outro importante compromisso perante o Acordo de Paris sobre o clima: o de reduzir, até 2030, 43% das emissões de gases de efeito estufa, em relação aos índices de 2005. O corte e a queima da vegetação nativa respondem por cerca de 42% do total de emissões brasileiras, seguidos pela agricultura (29%) e o setor de energia (20%), conforme dados oficiais. Meta de redução de emissões "A gente tem uma meta de redução das emissões da nossa economia como um todo, para que a gente chegue em 2030 com 1,2 bilhão de toneladas de CO2 equivalentes. Para se ter uma ideia, só sete países hoje têm mais de 1 bilhão de toneladas emitidas por ano, e nós estamos nesse quadro dos grandes emissores mundiais”, explica Natalie Unterstell, especialista em políticas climáticas do Instituto Talanoa. "A gente está no caminho de cumprir. Por isso que esses próximos anos são fundamentais para a gente poder chegar lá." Além disso, em outros fóruns ambientais das Nações Unidas, o país também promete proteger 30% das suas áreas terrestres, costeiras e marinhas, com ênfase nas zonas prioritárias para a preservação da biodiversidade, e reabilitar 163 mil km² de terras degradadas – o equivalente a 1,9% do território brasileiro. Para alcançar esses e outros objetivos até 2030, e garantir o cumprimento da legislação ambiental em vigor, recursos financeiros e humanos para políticas públicas não poderão ser interrompidos. "Se a gente não atingir essas metas, vamos ter um aumento muito exponencial dos riscos de que os eventos extremos, como aconteceram no Rio Grande do Sul e como acontece agora quase todos os anos na Amazônia, de seca dos rios. Vai comprometer, de uma forma muito significativa, vários setores produtivos brasileiros, incluindo o nosso carro-chefe, que é a agropecuária”, ressalta Caroline Frasson. A diretora-executiva da Laclima observa ainda que as populações mais vulneráveis e de menor poder econômico são “as que mais vão sofrer” se o país descontinuar os esforços que têm sido feitos nos últimos ...
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  • Lula e Flávio querem aumentar exploração de petróleo e minerais, mas visões de futuro divergem
    Oct 1 2026
    O meio ambiente está quase ausente da campanha eleitoral no Brasil. Para a maioria dos presidenciáveis, o tema é sinônimo de uma oportunidade econômica, por meio da exploração dos recursos naturais do país. E se há um consenso entre os principais candidatos que concorrem ao Planalto, é o de que o Brasil deve apostar suas fichas na produção de dois valiosos patrimônios que repousam em seus subsolos: o petróleo e os minerais críticos. Ao longo do atual mandato do presidente Lula, o assunto causou embates internos no governo e arranhou a liderança climática global que o petista busca assumir. A produção e o consumo de combustíveis fósseis são a principal causa do aquecimento anormal do planeta. Agora, o candidato Lula, que concorre à reeleição, apresenta um programa de governo prevendo aumento dos investimentos na extração de petróleo e gás, mas também visa a transição energética como impulso para a industrialização. O Brasil prometeu apresentar este ano o seu "mapa do caminho" para o afastamento dos fósseis. Essa é a principal diferença entre a abordagem de Lula e a do candidato Flávio Bolsonaro, do PL, os favoritos para chegarem ao segundo turno do pleito, conforme antecipam as pesquisas. "Ele sempre entende a questão do petróleo como algo que, em algum momento não muito distante no tempo, a transição para as renováveis irá ocorrer", observa Roberto Schaeffer, professor de Economia da Energia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), integrante da Academia Brasileira de Ciências e ex-membro do IPCC, o painel de especialistas da ONU sobre as mudanças climáticas. "O discurso é muito alinhado a uma janela de oportunidade que se abre para o Brasil agora, enquanto ainda há uma demanda por petróleo no mundo e onde o Brasil pode oferecer esse petróleo", porém sempre chamando a atenção de que a transição energética é importante", complementa. Diferença de abordagem Flávio Bolsonaro, o principal candidato da direita, tem planos bem diferentes: não apenas é favorável ao aumento da produção de petróleo no Brasil, incluindo na margem equatorial, como quer liberar a controversa prática do fracking, proibida em vários países para a extração de gás não convencional. "Com o candidato Flávio, os detalhes nunca são fornecidos. A questão de mudança climática nunca é mencionada, e inclusive a gente vê nas entrelinhas uma postura meio negacionista em relação ao problema", frisa o professor da UFRJ. O especialista reconhece que a exploração do óleo pode ser uma oportunidade econômica para o Brasil, na medida em que a demanda global de petróleo ainda será alta nas próximas décadas. Entretanto, ao contrário do que afirmam os dois candidatos, o Brasil, um dos maiores exportadores do produto, "não precisa" aumentar o volume produzido hoje para garantir a sua própria segurança energética. Sem garantias sociambientais Schaeffer pontua que, independentemente de quem sair vencedor na eleição, essa nova frente de exploração, no norte do país, acarreta riscos socioambientais que hoje não estão descartados. "A história do mundo é que a riqueza advinda dessa exploração normalmente não reverteu em benefício das populações que sofreram os grandes impactos. Essa questão não é bem discutida por nenhum deles, dos possíveis impactos ambientais de acidentes que podem ocorrer e, mais importante ainda, os impactos econômicos e sociais para aquelas regiões", avalia. Outro argumento que o especialista desmonta é que os recursos do petróleo poderiam financiar a transição energética no país, incluindo os investimentos na eletrificação. Como a Petrobras não é uma estatal, a maior parte dos lucros vai para agentes privados, e não para o governo – embora a atividade aumente a arrecadação de impostos e gere royalties. "Não é exatamente esse dinheiro que irá financiar a transição energética no Brasil", salienta Schaeffer. Regulamentação da extração de minerais críticos Os dois principais candidatos também planejam ampliar a produção de minerais críticos e terras raras. Nos solos brasileiros, estima-se que estejam as segundas maiores reservas mundiais dessas matérias-primas, essenciais para a fabricação de produtos de alta tecnologia e a transição energética das economias para baixo carbono. O país acaba de aprovar um marco legal para o setor, primeiro passo para a definição das regras de criação da cadeia. Na próxima etapa, a cargo do futuro presidente, serão detalhadas as prioridades, procedimentos e controles da atuação das empresas, incluindo salvaguardas socioambientais e avaliação de impactos. É neste ponto que residem os riscos. "Para você fazer isso, tem que ser uma coisa bem pensada, porque é uma atividade capital intensiva e ambientalmente muito danosa", adverte o professor. "Não é uma tradição brasileira de planejar as ...
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